13 novembro 2018

[Crítica] Infiltrado na Klan

Sinopse:
Em 1978, Ron Stallworth (John David Washington), um policial negro do Colorado, conseguiu se infiltrar na Ku Klux Klan local. Ele se comunicava com os outros membros do grupo através de telefonemas e cartas, quando precisava estar fisicamente presente enviava um outro policial branco no seu lugar. Depois de meses de investigação, Ron se tornou o líder da seita, sendo responsável por sabotar uma série de linchamentos e outros crimes de ódio orquestrados pelos racistas.

O que eu achei?
Se você assim como eu consegue se sentir enjoado num filme, incomodado com atitudes de preconceito e afins, certamente sentirá o mesmo que eu em relação a este filme. Você irá sentir uma cotovelada de leve, um soco no estômago ao ver cenas repletas de ódio a raças e credos. Mas vem cá comigo ler sobre o filme...


Um policial negro cansado de fazer serviços burocráticos decide fazer uma ligação para Ku Kluk Klan, uma organização extremamente racista e que acredita numa raça pura, odeia judeus e negros com todas as forças possíveis. Durante a ligação ele descobre que está falando com Walter Breachway, um dos líderes da organização e começa a conversar come ele, mas em todos os momentos eles conversam em tom de revolta contra negros e assim Ron começa uma sólida amizade com Walter. Mas o que ele realmente esqueceu foi de que ele é negro e que precisaria de um dublê branco para ir na sede local em seu lugar. 
Então surge Flip, um policial branco que terá aulas de tom de voz e termos utilizados por Ron durante suas conversas com Walter. Flip irá conseguir se infiltrar na organização, mas terá que lidar com um dos membros que suspeita que ele seja judeu.
A partir do momento em que ele começam o contato com a organização irão lidar com outros integrantes da organização, pessoas com um ódio extremo e dispostas a matar por seus ideias.

Ron irá se envolver com a presidente do grêmio estudantil, isso tornará seu trabalho ainda mais difícil, pois ele terá que lidar com a preocupação de ter seu parceiro descoberto pela organização e principalmente de vê- la ameaçada por integrantes da organização.
Em um determinado momento Flip irá se questionar sobre ser judeu e que ele nunca tinha parado para pensar o que isto significava, enquanto para Ron que sempre teve que lidar com sua cor isto sempre foi tido como normal.
No decorrer do filme é por vezes composto por momentos hilários, onde Ron faz piada com as próprias piadas que sempre fizeram com a cor dele. Mas o humor esconde aquele preconceito e aquele desconforto que certamente só quem já o viveu na pele pode sentir. Ah ok e a empatia? Queridos imaginem quando você sente aquilo ali? Isso me causou danos, sabe? Em tempos políticos e que muito se associa o politicamente correto do que deve ou não ser dito. 
Fica impossível não estar próximo a Ron e Flip, não se colocar no lugar deles, é cansativo e por vezes incomoda saber que esta organização ainda existe.

O filme é extremamente detalhista e utiliza do humor para expor o racismo e preconceito presentes na época do filme. A riqueza dos detalhes dos anos 70 estão referenciados no figurino dos personagens, algo que realmente chama atenção por ser detalhista. 
Ku Kluk Klan criou um terror entre negros e judeus na época e ainda é presente na recente história dos EUA, algo que o diretor Spike Lee jogará ali na tua cara ao mostrar imagens reais de passeatas e manifestações racistas que ocorreram em 2017. Então o filme é político sim e se você não se sentir desconfortável é provável que você seja um racista também.


Trailer:

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