26 junho 2017

[Sorteio] Escolha seu romance!

Para você que A-M-A livros com uma pitadinha de R-O-M-A-N-C-E, eis sua chance de se aventurar numa nova história de amor... 

Cinco fan pages se juntaram para presentear << cinco românticos incuráveis >>. E o melhor, você escolhe seu romance! 


Leia atentamente o REGULAMENTO do #sorteio para entender todas as regras.

Como funcionará?
2. Compartilhar publicamente a imagem do sorteio;
3. Marque 3 amigos;
4. Confirme sua participação pelo link: 
5. Residir em território nacional (Brasil).

6. Siga o twitter @viagensdepapel e RT a frase da promoção:
<< Eu quero “ganhar um dos títulos da #promoção “ESCOLHA SEU ROMANCE!” https://goo.gl/forms/S09nU8mmO329Y4ms1>>

Obs.: A promoção “ESCOLHA SEU ROMANCE!” Tem início dia 24/06/2017 e o sorteio será realizado no dia 15/07/2017. A escolha do título é conforme a ordem do sorteio, cada fan page é responsável pelo envio do receptivo prêmio cedido. Alguns vão com mimos junto! \o/

Atenção!
A cada RT o formulário poderá ser preenchido novamente, mas terá que compartilhar novamente a imagem oficial da promoção no mural do seu facebook.

Boa sorte!


[Resenha] Fevereiro de Esperança

Adler se apaixonou à primeira vista. Quando conheceu Sarah, numa festa, ele soube que tudo em sua vida iria mudar. Após lutar muito para conseguir conquistar o amor de Sarah e realizar o seu sonho de casar com ela, Adler se vê preso num relacionamento morno, desgastado e fadado ao fracasso.Cansado de viver aquela relação solitária, ele decide reconquistar sua mulher, mas ao ler uma carta endereçada a ela e segui-la em uma noite fria, ele se depara com aquilo que ele mais temia. Será que Adler e Sarah conseguirão superar o desgaste da relação e o fantasma da perda da confiança, para salvar seu relacionamento? Ou será que é tarde demais para os dois?

O que eu Achei?
Mais um conto da série Janeiro a janeiro desta vez confesso que não gostei tanto da história, tive muita dificuldade em gostar da Sarah e por várias e várias vezes julguei o Adler por não reagir e continuar naquela situação, fiquei tão revoltada que não consegui aproveitar a leitura e Fevereiro de Esperança acabou se tornando uma leitura muito arrastada, mas como disse isso foi bem pessoal, vou contar um pouquinho da história pra vocês.

Sarah e Adler vivem na Holanda e a princípio não tem nada sério um com o outro apesar dele estar completamente apaixonado ela só o quer como “pau amigo” e assim eles vão levando o relacionamento, até que uma situação tensa faz Sarah ver o quanto Adler a ama e é um cara diferente dos que estão por aí, e finalmente eles começam a ter algo sério.

Anos depois os dois estão vivendo um casamento completamente falido, frio e sem o menor sentimento, as longas conversas se transformaram em troca de palavras monossilábicas, a paixão ardente hoje tem cada um dormindo num cômodo da casa, afinal Sarah sempre pega no sono depois de longas horas trabalhando em casa, ou seja, são dois estranhos morando na mesma casa.

Pelo nome fiquei esperando um grande boom na história, aquela grande reviravolta que traria a esperança a fevereiro não mexeu tanto comigo a acabei um tanto decepcionada, mesmo com os argumentos finais fiquei com aquele pezinho atrás, não completamente convencida com a história. A vantagem dessa série é saber que se um não me agradou ainda restam outros 11 que mal posso esperar para ler e contar para vocês o que achei dos próximos meses.



25 junho 2017

[Resenha] Discobiografia legionária

Quem nunca se pegou cantarolando uma música da Legião Urbana atire a primeira pedra! Com uma multidão de fãs que permanecem fiéis mesmo tantos anos após o término da parceria, a banda liderada por Renato Russo faz parte do imaginário cultural e afetivo do país. Aos vinte anos da morte de seu vocalista, este livro faz um resgate das histórias por trás de canções como "Eduardo e Mônica", "Pais e Filhos" e outros clássicos da Legião Urbana que permanecem vivos por gerações.                         
O que eu achei?
O livro conta a historia de todos os LP's e Cd's lançados até aqui (2017), a jornalista Chris Fuscaldo vasculhou e revirou “estórias” vividas durante gravações, lançamentos e shows. E como uma legionária e fã do rock nascido em Brasília durante os anos 80. li e me emocionei com esses registros.

Renato russo nasceu no Rio de Janeiro e mudou-se para Brasília, por volta de seus 13 anos. Na capital do Brasil conheceu músicos e se encantou pelo rock, muito mais pelo punk rock. Renato se encantava e foi influenciado por Iggy Pop e The Clash, bandas que faziam um som sujo e pesado. Ele era ávido por música, seja qual fosse o gênero e em sua passagem pelo Aborto Elétrico se inspirou em Sex Pistols e Public Image.

Renato ficou pouquíssimo tempo n Aborto Elétrico e aos poucos foi encontrando os integrantes de sua nova banda: Legião Urbana. Em 1983, o trio composto por Renato Russo, Marcelo Bonfá e Dado Vila-Lobos veio ao Rio para gravar um disco com duas músicas e assim tentar surgir no cenário rock'n'roll.

Durante o processo de aguardar serem “reconhecidos!, Renato Russo corta os pulsos e a banda é obrigada a encontrar um novo baixista. Aí surgiu Renato Rocha. A partir deste ponto, a banda seria formada por 4 rapazes. Contudo Rocha não se encaixava na banda, mesmo sendo extremamente talentoso; era muito irresponsável com horários e não se importava com o que achavam dele. Mesmo em meio a tantos problemas, “Legião Urbana” foi lançado em 1985.

Em 1988, colhendo os louros de seus três LP's, a Legião voltou a Basília para um show com mais de 50 mil pessoas, onde houve um incidente com muito quebra-quebra e pânico após Renato Russo ser agredido no palco. A banda se retirou e o estádio Mané Garrincha foi depredado. Um mês após o ocorrido, o quarteto foi recepcionado por cariocas que atiravam margaridas ao seu públicos.

Os meninos da Legião voltaram para o estádio ainda em 1988, mas com um integrante a menos: Renato Rocha abandonou a banda e assim eles voltaram ao trio original.

Em 1989 era lançado Quatro Estações, e logo bateu a marca de 1 milhão de cópias vendidas, mas somando com os 3 LP's anteriores. Foi um disco muito aclamado e repleto de críticas por conta da letra de “Meninos e Meninas”. 730 mil cópias haviam sido vendidas até outubro de 1990 do LP Quatro Estações.

Em 1990, Renato Russo descobria ser portador do vírus HIV, após se internas numa clínica de desintoxicação. Ao mesmo tempo em que tinha que lidar com problemas pessoais, Renato tornou-se um compositor ainda mais produtivo e criou músicas enormes como “Metal contra Nuvens”. O disco “V” foi produzido em meio a muitas crises e com um Renato absorto a bebidas e drogas, mesmo após sair da clínica. “V” foi lançado em 1991.

Em 1993 temo um Renato Russo limpo e que não podia sentir nenhum tipo de cheiro que se sentia enjoado, mas como sua vida poderia acabar a qualquer momento, compunha compulsivamente. O último show da Legião foi realizado em Santos, em 14 de Janeiro de 1995.

Em 1996 iniciavam a produção de “A Tempestade”, o álbum que veio a ser o último lançado enquanto Renato ainda estava vivo. Os dados eram monstruosos até 1995, a minha amada Legião já havia vendido mais de 3 milhões de discos no Brasil. O disco foi feito em etapas, enquanto Renato gravava em casa, Dado e Bonfá tinham que finalizar no estúdio. No dia 11 de outubro de 1956, morria um ser além de seu tempo.

Todos os álbuns lançados a seguir foram, em grande maioria, retirados de seu apartamento, e muito mais de 1.000 “takes” e gravações completas ou não, foram encontradas.

Tínhamos uma necessidade de algo mais de Renato, e assim foi feito: muitos álbuns foram remasterizados, e duetos encontrados, com grandes nomes da MPB.

Ao finalizar, tiver certeza que Renato Manfredini nunca morrerá. Enquanto tiver fãs, teremos a melodia e a voz rouca eternizadas em nossos corações.



[News] Black Mirror ganhará trilogia de livros


Para os fãs da série Black Mirror, eis que lhes trago ótimas notícias. Estão sentados?

O criador da série, Charlie Brooke, anunciou em entrevista para a Entertainment Weekly, que vai editar uma trilogia com histórias inéditas inspiradas em Black Mirror, criadas por grandes autores. Contudo, detalhes de quem são esses autores e quais serão os enredos ainda não foram divulgados, mas os livros têm previsão de lançamento a partir de fevereiro de 2018 - o primeiro. O segundo livro deve sair no fim do mesmo ano, e o terceiro, no primeiro semestre de 2019.

De acordo com a página da BBC News, cada volume contará com três histórias, e ainda na mesma públicação, foi dito que Brooker revelou que as edições terão . De acordo com o The Bookseller, os autores que farão parte desse projeto serão "nomes de grande importância na literatura mundial".

O The Guardian aposta em nomes como Stephen King, Margaret Atwood e Neil Gaiman como autores dessa trilogia - seria o nosso sonho?

"Histórias inéditas de Black Mirror escritas por ótimos autores - essa é uma perspectiva feliz. E elas aparecerão num formato novo de alta tecnologia conhecido como ‘livro’. Aparentemente, você só precisa olhar para um tipo de ‘código de tinta’ impresso em papel, e imagens e sons aparecem magicamente na sua cabeça, encenando a história. Parece exagerado para mim, mas veremos", comentou Charlie Brooke.

Os livros são publicados, aqui no Brasil, pela editora Suma das Letras, responsável também pelas publicações do mestre Stephen King - seria um sinal?

Estamos muito ansiosos? Quais são suas apostas e quais autores vocês querem que façam parte desse projeto?


23 junho 2017

[Nerds & Geeks] Deuses Americanos: temas do livro e semelhanças e diferenças da série



Já pelo título, mesmo quem não está familiarizado com a obra do mestre Neil Gaiman (já devem ter percebido que sou fã dele, postei essa semana um livro de contos que ele organizou,  Criaturas Estranhas no Instagram, realmente, ele é um dos meus 10 autores contemporâneos favoritos) assume que a história é sobre os novos deuses nascidos na América. Errado. Bom, tem esse tema também mas não é o foco.  Um dos primeiros pontos explicados é que quando os imigrantes chegaram em solo americano, trouxeram seus deuses com eles. Desde então esses deuses fizeram dos EUA seu lar e tem governado os americanos em segredo mas o declínio do culto deles os tornaram mais mortais do que gostariam de admitir. Eles acabaram virando um retrato dos estereótipos dos lugares de onde vieram. Por exemplo, Mad Sweeney, o leprechaun (apesar de ter dois metros e pouco de altura) veio da Irlanda, onde era guardião de uma pedra sagrada há mais de 3 mil anos atrás) e detesta Guinness (a cerveja nacional irlandesa). Quando perguntam a ele sobre isso, ele responde que há muito mais na Irlanda do que apenas cerveja. Outra metáfora é que ele ficou nos EUA por tanto tempo que perdeu o sotaque.

Um outro exemplo forte de dualidade que os imigrantes sentem nos Estados Unidos vem de Czernobog (lembra daquele demônio azul do desenho Fantasia, da Disney\), o deus eslavo do mal. Ele foi esquecido em sua terra natal e quase ninguém lembra dele na terra nova. Ele lamenta ser uma sombra do que já foi e lamenta pelos dias perdidos. Assim como os imigrantes que sentem falta de seus lugares de origem, sabem que nada os espera se voltarem para lá. Os Novos Deuses só acentuam esses sentimentos.Eles rejeitam os deuses antigos e fazem de tudo para fazer com que sejam totalmente esquecidos. Analisando a luta entre os deuses antigos e novos, podemos perceber a sutileza com que Gaiman mascarou a hostilidade dos sentimentos anti-imigrantes que ecoaram por todo o país desde que os primeiros imigrantes chegaram.

Os temas principais de DA são: crença, religião, sacrifício, morte e a própria América. Gaiman levanta a interessante questão de que a crença dos mortais é necessária para a sobrevivência dos deuses. Esse é o diferencial da história: deuses não são eternos, como se acreditava. Eles precisam da fé dos humanos e isso levanta várias questões: os homens criaram os deuses ou vice-versa. Algum deus pode ser superior à outro. Eles merecem devoção incondicional ou tem que conquistá-la. E eles são realmente necessários ou a humanidade poderia seguir seu rumo sem eles. E a frase de Voltaire é verídica: ´´Se Deus não existisse, seria necessário inventá-lo.´´

Religião e crença podem parecer a mesma coisa mas não são. Uma religião é um sistema organizado de crenças. Tem rituais, estrutura e regras. Isso é demonstrado em alguma cenas, como a dos primeiros colonizadores vikings fazendo sacrifícios a Odin. Mr.Wednesday explica a Shadow que há pedaços de solo sagrado espalhados pelo mundo que são tidos como sagrados. Quando humanos encontram esses lugares, sentem uma tendência a marcá-los de alguma forma e não necessariamente um templo, como uma igreja ou sinagoga, apenas algo simbólico para atrair crentes. As atrações à beira da estrada nos EUA, como o maior novelo de lã do mundo, são um bom exemplo. A ideia de que os mortais precisam de algo para acreditar é paradoxa à de que os deuses nos precisam para venerá-los. O conceito de solos sagrados indica a primordialidade do ser humano de ter algo em que acreditar, de reconhecer uma força superior. Lógico, nem todos sentem a necessidade de venerar algo. Mas o ser humano sempre foi fascinado pelos mistérios da natureza, pelo inexplicável.  Talvez aqueles lugares nos dêem a sensação de que o mundo é bem mais vasto do que nossa percepção é capaz de conceber.

Para demonstrar o exemplo de como a crença e a religião são temas importantes para desvendar a essência do ser humano, vou contar uma experiência que tive quando era criança: eu tinha 7 anos e meu pai, que era um oficial da Marinha, foi transferido para trabalhar em Salvador. Me mudei para lá com a minha família e quando fui visitar a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, entrei numa sala onde tinham próteses de braços e pernas pendurados do teto. Essas próteses eram objetos entregues aos fiéis que tinham alcançado alguma graça ou cumprido alguma penitência. Lembro-me de ter achado a visão um pouco assustadora e perguntei à minha mãe o que eram aquelas objetos tão peculiares.Fiquei refletindo sobre como a religião sempre foi um fator tão importante na vida dos homens desde a pré-história. O conceito de morte é demonstrado como sendo universal, já que nem os deuses estão isentos dela.

O tema da América é exemplificado no misterioso deus-búfalo que aparece a Shadow em sonhos. Ele simboliza o resgate aos hábitos dos Native Americans. Após inúmeras charadas, ele finalmente explica que simboliza a própria terra, que as primeiras pessoas que chegaram lá acreditavam em um criador mais por simbolismo do que por necessidade. A devoção delas vinha para o que realmente as sustentava:a terra. Por causa dessa crença, os EUA sempre foram e sempre serão um lugar ruim para deuses.Pode não fazer sentido no início mas houve uma época em que o país tinha como lema essas duas palavras: manifest destiny, a crença de que a América iria se estender de costa a costa e conter toda a terra dentro. E isso, mais do que tudo, simboliza a mensagem de Deuses Americanos. Deuses podem vir para lá, podem nascer lá mas nenhum deles realmente vai durar. Porque os americanos prezam a América acima de tudo.

Eu li o livro em 2014 e admito que achei a adaptação da Amazon Prime Video ótima, apesar de modificar alguns pontos, o que é inevitável porque é uma obra longa demais para ser adaptada da maneira mais fiel possível. Espera-se que a série cubra aproximadamente um terço da história. Ela expande o papel de alguns personagens secundários, como Laura Moon, a esposa morta de Shadow e Mad Sweeney. Os produtores da série (salve, Bryan Fuller!) conseguiram capturar o estilo do mestre Neil ao apresentar uma estética inovadora e ousada, como as cenas de sexo que são mostradas sem pudores! Sem contar a abertura, um espetáculo à parte. Recomendo para todos.



[Resenha] Janeiro Proibido

Para Gabriela, Janeiro é sempre um mês complicado. Ao mesmo tempo que deveria ser um mês de diversão, pelas férias, mergulhos na piscina e tudo que se espera desse período, ela precisa enfrentar a presença do homem por quem está perdidamente apaixonada. Mas, o que ela não sabe ainda, é que esse sentimento é recíproco. Seria tudo muito simples, se esse não fosse um amor proibido. Após sucumbirem ao desejo impossível de controlar, Gabriela e Raphael precisarão tomar a decisão que poderá mudar o curso de suas vidas. Será que seu amor é forte o suficiente para lidar com as críticas e o preconceito da sua família? Ou será que é mais fácil desistir?
O que eu achei?
A série de Janeiro a Janeiro da nossa queria autora parceira Aline Santana consiste em 12 contos dedicados a 12 leitoras, um para cada mês do ano, que tem como fonte de inspiração uma música escolhida a dedo pela leitora, além da cidade e nome dos personagens e cidade. E só por isso eu já começo a ler amando a série, afinal quantas autores realizam o sonho e escrevem algo especialmente para os seus leitores, tipo especialmente mesmo! Muito sonho né?

O primeiro livro da série é o Janeiro Proibido, como o próprio nome já diz vamos falar de amor proibido, neste caso o amor entre primos: Gabriela e Raphael, que cresceram juntos e com tanto amor desde sempre é claro que eles levariam isso a um novo nível. Mas Raphael sempre foi o garoto certinho de família e namorar com a prima sete anos mais nova vai contra tudo isso, então o mocinho prefere lutar contra este sentimento. E como lutamos contra um amor?! Colocando um novo, ou tentativa, no lugar. E é exatamente isso que ele faz, ao levar uma namorada para as férias em família isso definirá o futuro da relação dos dois.

Com conflitos de sentimentos e querer fazer o certo o conto segue, Gabriela tem certeza dos seus sentimentos, mas não tem tanta certeza assim dos sentimentos do seu primo então com a ajuda de seu melhor amigo eles decidem armar um teste, e aproveitar para mostrar a ele como ela se sentiu com ele levando alguém para casa, é a hora da vingança, mas será que isso vai resultar em alguma coisa? Bom, aí só lendo para descobrir.

O conto é muito gostosinho de ler, super rapidinho também, nos mostra até onde quem amamos, neste caso a família deles, pode acabar interferindo na nossa felicidade, e o equilíbrio em faze-los felizes sem abrir mão da nossa própria felicidade, uma questão que pode ser muito complicada e que na maioria das vezes termina com infelicidade de algum lado.Não vou dar spoiler do conto, mas ele mostra todos estes aspectos e vale muito a pena ler.


22 junho 2017

[Crítica Musical] Minha Mente Está Em Seu Caos - Megh Stock


Para quem conheceu Megh Stock lá no início dos anos 2000 como vocalista da banda Luxúria, vai se surpreender (e até estranhar um pouco, talvez) com o seu segundo álbum solo. Quem nunca cantou ÓDIO a plenos pulmões na adolescência? Os “ah! Ah ah ah! Ah aaah” de Imperecível? Sofreu ao som da baladinha Lama?

Dona de uma voz poderosíssima, Megh volta ao cenário musical muito mais coesa e confortável, além de imensamente reformulada e reinventada em todos os aspectos, sentidos e formas.

Cosmopolita e boêmia, ela traz a mistura de jazz e blues sincera e totalmente brasuca, sem aquela tentativa comum de americanizar ou copiar alguém, conseguindo ainda misturar alguns elementos da nossa música à esse estilo tão único. As melodias conseguem ser tão envolventes quanto os clássicos originais dos anos 60, e sua voz está ainda mais poderosa e muito mais sensual – esse gênero sem sensualidade não funciona.

Do ponto de vista das letras, ela conseguiu manter a qualidade que tem desde a longínqua época de Luxúria: letras inteligentes, muito bem estruturadas e cativantes, refrões fortes, sem deixar de lado as baladas suaves, com uma pegada de drama que vai muito bem com uísque e um charuto (pra quem gosta).

Tudo está muito mais cadenciado, mais malemolente, mais boêmio e sedutor, trazendo a tona a mulher que sabe o que quer e como quer, de forma clara e nítida, pra não ficar dúvidas a nenhum malandro. Basta ver o que ela canta na faixa Vestido de festa:

“De perto eu sou perfeita / mas de longe, te enganaram”

Entendeu a mensagem? Se não ficou claro, a rainha que se cansou de seu marido explica melhor na faixa O rei:

“Saia daqui agora / e não pise nunca mais em mim / eu não sou mais uma súdita”

Aquela que quer ter o controle das emoções para não se apaixonar para se arrepender, em Cilada:

“Cale-se, coração / você não sabe de nada / seu conselho é vão / sua batida / cilada”

Em suma, Megh Stock veio representar a mulher que se entende, se domina e não está nas mãos de ninguém a não ser de si mesma – e que, ainda assim, tem lá suas dúvidas. Mas que não vai correr atrás de “quem mais parece pilotar foguetes”.

Mas você pode correr agora e caçar esse álbum, porque ele é, sem dúvidas, indispensável para quem gosta de boa música.


TRACKLIST:

01. Vestido de Festa
02. Sambando Só
03. O Rei
04. Na Hora
05. Foguetes
06. Em Voz Alta
07. Dúvidas
08. Conhaque
09. Cilada
10. Caixa Preta
11. Aqui Jaz


[Crítica] Santa Clarita Diet

Um casal de corretores vive tranquilamente, até que ela passa por uma mudança drástica que traz caos, morte e destruição para a família-só que de um jeito positivo.

Quando essa série entrou no catálogo da Netflix brasileira, eu nem sabia do que a história era sobre-decidi assistir simplesmente por ser uma série nova e uma produção original da Netflix. Eu tinha assistido Stranger Things há pouco tempo e gostara bastante então decidi dar uma chance.

Já no primeiro episódio, Sheila por um motivo que ainda não foi explicado, se transforma em uma morta-viva, uma zumbi depois de vomitar uma bola de carne vermelha. Agora ela precisa de uma dose diária de carne para sobreviver. Detalhe: a carne precisa ser humana. Eles tentam fazê-la comer de animais, bovina, suína, frango mas seu organismo rejeita e Sheila precisa se adaptar à nova vida. Eles têm uma filha adolescente de 16 anos, a Abby (Liv Hewson)e após descobrir o que aconteceu com sua mãe, ajuda a esconder o segredo dela.

O casal decide adotar uma medida extrema mas previsível: como Sheila só pode comer carne humana, decidem se livrar de pessoas que a sociedade não sentiria falta e a primeira vítima é Gary, um desagradável colega de trabalho deles.

Achei que não fosse gostar porque não curto The Walking Dead mas o enredo foi me surpreendendo e conforme a história foi ficando mais sombria após Joel (Timothy Olyphant) ser chantageado pelo xerife Dan Palmers (Ricardo Chavira de Desperate Housewives) após encontrar um dedo de Gary no quintal da casa dos Hammond, supõe que Joel assassinou Gary por ter tido uma caso extraconjugal com sua esposa e o chantageia em ajudá-lo a capturar um criminoso, fiquei curiosa para saber se eles conseguiriam encontrar uma cura para a condição de Sheila. Maratonei os dez episódios em um dia!

É bizarro e meio grotesco mas é daquelas séries que servem como um guilty pleasure - um daqueles prazeres culpados, aquelas coisas que você tem vergonha de admitir que gosta, sabe O cliffhanger para a segunda temporada me deixou muito curiosa! Assista se você estiver procurando um programa de comédia para passar o tempo.

Trailer:

21 junho 2017

[Agenda] Programação do CCBB para o mês de Julho


O mês de Julho vem com muita coisa boa para todos os gostos no CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil), então vem comigo que eu te guio pela programação completa!

Exposições
Até 10/07 Quarta a segunda.

Yes, nós temos Biquini
A exposição apresenta os aspectos sociais, históricos e culturais de uma criação revolucionária no mundo da moda e a sua devida apropriação pelos brasileiros, transformando-a em objeto de desejo do mundo todo. O traje "biquíni" nasceu na França em 1946, mas na cultura indígena sua origem vem de séculos atrás, como mostram as preciosas tangas marajoara do período pré-colombiano. Do pesado traje de banho do século 19 às novas modelagens do século 21, a exposição ressalta as mudanças de comportamento e conquistas da mulher nesse período, os padrões de beleza e sua relação com a arte. A mostra conta ainda com criação inédita de Nelson Leirner e obras de artistas como Beatriz Milhazes, Leda Catunda e Rochelle Costi; entre os renomados fotógrafos, estão German Lorca, Thomaz Farkas, Bob Wolfenson, Cassio Vasconcellos, Claudio Edinger e Jacques Dequeker, além de trabalhos audiovisuais como os de Katia Maciel e Janaina Tschäpe e, claro, modelos icônicos de moda.

Curadoria: Lilian Pace

Classificação indicativa: Livre

Entrada Franca

Até 02/08 Quarta a segunda.

Los Carpinteiros – O Objeto Vital

Composta por mais de 70 obras, a maior exposição já montada pelo coletivo cubano apresenta três eixos temáticos: “objeto do ofício”, “objeto possuído” e “espaço-objeto”. Por meio da utilização criativa da arquitetura, da escultura e do design os artistas exploram o choque entre função e objeto com uma forte crítica e apelo social de cunho sagaz e bem-humorado. O público poderá acompanhar todas as fases do coletivo, desde a década de 1990 até obras inéditas, feitas especialmente para esta exposição.

Curadoria: Rodolfo de Athayde 

Classificação indicativa: Livre
Entrada Franca
Música

Até 30/7, Teatro III Quinta a domingo (19h30)
Na boca do cão
Ópera de câmara contemporânea, totalmente original, livremente inspirada em eventos da vida da própria protagonista. O espetáculo conta a história de uma menina que aos dois anos de idade tem sua cabeça abocanhada por um cachorro. Ela cresce, se torna cantora lírica e descobre a possibilidade de transformar seu trauma de infância através da arte.

Soprano/atriz: Gabriela Geluda.

Música: Sergio Roberto de Oliveira.

Libreto: Geraldo Carneiro.

Direção: Bruce Gomlevsky.

Classificação indicativa: 12 anos

Duração: 60 minutos

Entrada: R$ 20,00

Cinema

Até 03/07
Quarta a segunda.

Mostra de cinema Uruguaio 2017

Retrospectiva dos últimos 15 anos do cinema do país, ilustrando os avanços da produção audiovisual. A mostra exibe 10 títulos com produção ou coprodução uruguaia, como “Whisky” (2004), considerado em 2013 o melhor filme latino-americano dos últimos 20 anos; e “O Banheiro do Papa” (2007), ganhador de vários prêmios, como o de melhor filme do júri da 31ª Mostra de Cinema Internacional de São Paulo.

Curadoria: Embaixada do Uruguai
Entrada: gratuita

Até 16/07 Quarta a segunda.
Buster no Brasil - Cinema infanto-juvenil

Versão brasileira do festival internacional de cinema infanto-juvenil realizado em Copenhague, na Dinamarca, há mais de 16 anos. Serão exibidos 12 programas, com filmes infantis apropriados para todas as idades, entre longas e curtas-metragens. Haverá sessões especiais para crianças em idade pré-escolar (a partir de 3 anos) com recreação, sessões acessíveis, debate e ainda duas oficinas de audiovisual – uma para educadores e outra para crianças e adolescentes. Realizado com o apoio do Instituto Cultural da Dinamarca.
Curadoria: Nikolai Schulz

Programação especial

01/07
(16h30)
O Reino do Rei Pena (sessão seguida de debate com os dubladores)
09/07 (15h às 17h)

Oficina para crianças: (9 a 14 anos) – Desenho de Som.

Inscrições antecipadas pelo e-mail oficinabuster@gmail.com

10/07 (9h às 12h)

Oficina para educadores: Quadrinhos Animados – Narrativa e Composição de Imagens.

Inscrições antecipadas pelo e-mail oficinabuster@gmail.com

12/07 (17h)
Paixão Explosiva (sessão seguida de debate)

Entrada: R$ 5,00
19 a 30/07
Animamundi 2017
Um dos maiores festivais de animação do mundo e o maior da América Latina retorna ao CCBB para comemorar seus 25 anos. Além de sessões competitivas e não competitivas de curtas e longas-metragens, a programação conta com oficinas de animação, palestras, bate-papos, entre outras atividades para toda família.
Curadoria: Aída Queiroz, Cesar Coelho, Lea Zagury e Marcos Magalhães.
Entrada: R$ 10,00

Teatro Infanto-juvenil

De 15 a 30/07 Quinta e sexta (15h), sábado e domingo (14h e16h) (sessão dupla)
Cinderela Lá Lá Lá
Cinderela é uma estilista com grande talento para o desenho, mas tem que lidar com duas irmãs invejosas e uma madrasta malvada. Baseado em um dos contos de fada mais populares do mundo, o espetáculo infantil, na versão da Cia. e Plat du Jour, faz uma paródia do universo dos musicais da Broadway.

Direção, texto e adaptação: Alexandra Golik e Carla Candiotto.

Com Bebel Ribeiro, Helena Cerello e Paula Flaibann.

Entrada: R$ 20,00

Teatro

Até 06/08, Teatro I
Quarta a domingo (19h)

Hamlet - Som e fúria

Uma das tragédias mais conhecidas de Shakespeare, escrita entre 1599 e 1601, em montagem inédita da Armazém Companhia de Teatro, relata como o Príncipe Hamlet a partir de visões do seu pai, que afirma que seu irmão o envenenou, arquiteta sua vingança contra o tio e padrasto.

Dramaturgia: Maurício Arruda Mendonça.

Direção: Paulo de Moraes.

Elenco: Patrícia Selonk, Ricardo Martins, Marcos Martins, Lisa Eiras, Jopa Moraes, Isabel Pacheco e Luiz Felipe Leprevost.

Classificação indicativa: 16 anos

Duração: 135 minutos

Entrada: R$ 20,00

Postado por Julio Gabriel

[Resenha] Ninfeias Negras

Vencedor de cinco prêmios literários, Ninfeias negras foi o romance policial mais premiado da França em seu lançamento. Giverny é uma cidadezinha mundialmente conhecida, que atrai multidões de turistas todos os anos. Afinal, Claude Monet, um dos maiores nomes do Impressionismo, a imortalizou em seus quadros, com seus jardins, a ponte japonesa e as ninfeias no laguinho. É nesse cenário que um respeitado médico é encontrado morto, e os investigadores encarregados do crime se veem enredados numa trama em que nada é o que parece à primeira vista. Como numa tela impressionista, as pinceladas da narrativa se confundem para, enfim, darem forma a uma história envolvente de morte e mistério em que cada personagem é um enigma à parte – principalmente as protagonistas. Três mulheres intensas, ligadas pelo mistério. Uma menina prodígio de 11 anos que sonha ser uma grande pintora. A professora da única escola local, que deseja uma paixão verdadeira e vida nova, mas está presa num casamento sem amor. E, no centro de tudo, uma senhora idosa que observa o mundo do alto de sua janela.
O que eu achei?
Adoro romances policiais e sou especificamente fã de tramas que giram em torno de contextos artísticos, como a bíblia do romance policial O Código Da Vinci, logo a expectativa para esse livro quando soube do seu lançamento foi apenas subjetivamente controlada (pois por dentro só gritos). E provavelmente foi a mesma que destroçou minha leitura, que terminou em mais uma decepção.

Em tese, a trama gira em torno de três mulheres e como suas história estão interligadas a um brutal assassinato ocorrido no lago das ninfeias de Monet. Uma senhora idosa popularmente chamada de bruxa e que mora no topo de um moinho com vista para todo o vilarejo de Giverny, que já não é muito grande, uma mulher infeliz em seu casamento por seu marido ainda não tê-la dado filhos, e uma menina com talento nato para a pintura.

Narrado majoritariamente em terceira pessoa, exceção apenas à bruxa que narra em primeira, o livro alternará entre os pontos de vista dos investigadores do crime e essas mulheres, porém em proporções desiguais. A velha, com seus pensamentos enfadonhos, e a menina, Fanette, tomam muito espaço na narrativa enquanto Stéphanie, a mulher, tem sua história contada pelo ponto de vista de outros, passando por um filtro que encontra-se longe de ser imparcial.


Os detetives que investigam o caso mais parecem pessoas jogadas no meio de um tiroteio que nem sabiam que estava acontecendo de tão sem sentido que são seus métodos. Como por exemplo, ao encontrar uma pegada de bota na cena do crime, exigir o recolhimento de TODAS as botas de TODOS os moradores do vilarejo (não tem como aceitar uma coisa dessas calado). O principal, Sénérac, deixa-se influenciar por Stephanie, considerada suspeita, de modo que para ele tudo gira em torno de seu marido, conhecido pelo habitantes do vilarejo como alguém muito ciumento. Sendo assim, resta apenas Sylvio, seu assistente, para trazer alguma ordem, mesmo que mínima, à investigação, porém acaba sendo constantemente desacreditado pelo chefe, fazendo a história retornar ao zero de novo, de novo e de novo...

É a sequência de pequenos problemas que torna Ninfeias Negras um livro desacreditável. As péssimas escolhas dos detetives, diálogos que não possuem serventia para a narrativa como um todo — mesmo que o autor retome incisivamente seu discurso de que os mínimos detalhes são meticulosamente calculados para a resolução do mistério, o que discordo — e, principalmente, a enorme hesitação da velha bruxa de prover ou não seu conhecimento sobre o caso à investigação. O autor apresenta pequenos flashes da senhora sobre o que pensa da passagem do tempo em Giverny e nesse meio sua ponderação de intrometer-se ou não no caso. Um imenso vai-não-vai que chega a ser irritante.

Há algo evidentemente estrangeiro na escrita do autor. A formação das frases foge bastante dos eixos comuns dos livros que são trazidos para cá, como norte-americanos, ingleses ou mesmo os nossos — quase como se fosse francês demais para que passasse despercebido. Em algumas situações é como se sua tradução para o português não conseguisse adaptar de forma confortável o que o autor desejava passar justamente por seu extremo regionalismo linguístico e o contexto aparenta estar fora de ordem.



Apesar de tudo, a informações sobre Monet (acho que li esse nome tantas vezes que talvez não faça mais sentido) e sua obsessão para com o lago e as ninfeias são bem interessantes de acompanhar, e Michel Bussi sabe prender muito bem o leitor. Sua narrativa picotada, liberando informações à mingua, cria uma compulsão a virar as páginas. Contudo perdem força pelo ritmo lento e, por vezes, insosso, até que, lá pelas grandes revelações finais, e já não me importava com o que estava acontecendo, ou seja, uma leitura facilmente esquecível.


Postado por Julio Gabriel

20 junho 2017

[Crítica] O Círculo

The Circle é uma das empresas mais poderosas do planeta. Atuando no ramo da Internet, é responsável por conectar os e-mails dos usuários com suas atividades diárias, suas compras e outros detalhes de suas vidas privadas. Ao ser contratada, Mae Holland (Emma Watson) fica muito empolgada com possibilidade de estar perto das pessoas mais poderosas do mundo, mas logo ela percebe que seu papel lá dentro é muito diferente do que imaginava.                                                                        
O que eu achei?
Mae Holland teve um dia tranquilo andando de caiaque e está voltando para casa quando seu carro tem um problema e ela é forçada a pará-lo em um lado da estrada. Ela liga para seu amigo Mercer (Ellar Coltrane de Boyhood) para ajudá-la. Mercer vai até o local e presta auxílio a ela. Mae agradece e diz que eles deveriam se encontrar algum dia, ao que ele sorri e responde que deveriam conversar lá, já que estão juntos. Mae sorri com essa sugestão e volta para casa.

No dia seguinte, Mae recebe um telefonema de sua amiga Annie Allerton (Karen Gillan) que trabalha na empresa O Círculo e a chama para uma entrevista. Mae arranja um emprego no setor de Customer Experience ( atendimento ao consumidor). Ela começa bem e recebe uma avaliação positiva.

Durante uma reunião da empresa, um dos fundadores da empresa, Eamon Bailey (Tom Hanks) apresenta uma nova iniciativa:as câmeras SeeChange, que são colocadas na roupa e monitoram todas as atividades da pessoa, com a finalidade de tornar a vida mais transparente.

Durante uma festa da empresa, Annie leva Mae para um escritório e explica que ela não deveria estar lá porque é onde Eamon e Tom Stenton (Patton Oswalt) tomam as grandes decisões para a empresa.Ela vê um homem grudado ao celular (John Boyega, o Finn de Star Wars, episódio VII) e puxa papo com ele. Ele pergunta se ela é uma guppy (um termo da empresa para designar novos funcionários) e Mae diz que é. O nome dele é Ty Lafite, o terceiro fundador do Círculo mas ele não revela sua identidade. Eles conversam um pouco até ele receber uma ligação e ter que se afastar.

Mae volta para casa no final de semana e seus pais Vinnie (Bill Paxton) e Bonnie (Glenne Headly) tem que lidar com a esclerose múltipla dele, que tem dificuldade de executar algumas tarefas simples. Durante um churrasco com alguns amigos em que Mercer está presente, fica claro que eles querem que eles voltem com o namoro.

Após voltar para o trabalho, dois funcionários perguntam a Mae porque o perfil dela não está atualizado e porque ela não compareceu às atividades extras do final de semana. Embora não sejam obrigatórias, fica evidente que eles estão tentando fazê-la se engajar mais com a empresa. Mae decide fazer transmissões ao mundo todo de seu cotidiano e isso traz algumas consequências desagradáveis.

O filme é baseado no livro de Dave Eggers e mostra a espada de dois gumes que é a tecnologia.Ela pode ser uma ferramenta maravilhosa de comunicação mas sua principal desvantagem é o super-excesso de exposição. A falta de privacidade de seus usuários é preocupante e esse é o principal tema. Me lembrou um pouco de 1984, de George Orwell. A atuação de Emma foi convincente, a funcionária tentando lidar com a tecnologia foi um dos pontos altos de sua carreira até agora.

Trailer:


19 junho 2017

[Crítica] A Glória e a Graça

O filme conta a história de Glória (Carolina Ferraz), travesti bem sucedida e feliz com suas conquistas mas que vive distante de Graça (Sandra Corveloni), sua irmã. Quando Graça descobre uma doença terminal, as duas vão tentar aproximar as famílias para reestabelecer as relações entre os primos.                                                                                                                                                                                                                           
O que eu achei?
É um dos melhores filmes brasileiros que já vi. Um drama bem elaborado,com personagens cativantes (e atores que fazem jus a eles), uma boa direção de arte e a trilha sonora complementam tanto as cenas alegres quanto as tristes.

Graça é uma mãe solteira, massagista ayurvédica, que mora num apartamento em Santa Teresa com seus filhos: Papoula, de 15 anos e Moreno, de 8.Cada um tem um pai diferente; o pai de Moreno morreu (o garoto não sabe e acha que ele simplesmente sumiu) enquanto o de Papoula nunca a assumiu como filha. Um dia, Graça vai ao médico e descobre que tem um aneurisma e que pode morrer a qualquer momento.Ela fica desesperada porque não tem ninguém a quem recorrer caso ela morra e precise de alguém para cuidar de seus filhos. Seus pais já morreram e sua única família é seu irmão, Luiz Carlos, que ela é afastada há 15 anos, devido a um conflito. Ela o procura e descobre que ele virou trans,virou uma mulher chamada Glória, dona de um restaurante.

A princípio, Glória diz para a irmã seguir em frente e se recusa a ajudá-los mas quando fica a par da situação, se compadece e decide se reaproximar da família. Os sobrinhos desenvolvem uma relação afetiva com a tia, especialmente Moreno e ela até entrega uma história que ela escreveu quando tinha a idade dele.Um dia, Glória vai buscar buscar Papoula na escola e a defende de algumas garotas que estavam fazendo bullying com ela. Os filhos não sabem da condição da mãe, por enquanto. Graça não teve coragem de revelar a verdade.

Eles contratam um advogado para passar a guarda para Glória.Pouco tempo depois, Graça é internada num hospital e Glória vai a uma festa. Quando ela sai e está andando na rua sozinha à noite, um homem num carro pára, convida-a para um passeio e ela aceita. Ao descobrir que ela é um travesti (ela ainda não fez a cirurgia de mudança portanto ainda tem o órgão sexual masculino), começa a agredi-la. Ela eventualmente consegue se defender e fugir mas toda ensaguentada e machucada, é socorrida e vai para o mesmo hospital onde Graça está. Glória a visita, elas fazem as pazes e dizem que se amam. Alguns dias depois, ela volta para casa aproveitar o tempo que resta.

Como o estado de Graça era terminal, a morte era algo certo para ela. O modo como o filme faz um emocionante retrato da reconciliação de uma família e de como nosso tempo na Terra é limitado e devemos aproveitá-lo com nossos entes queridos é emocionante. Cinema nacional em sua melhor apresentação.

Trailer:


[Resenha] Uma Sombra Na Escuridão

“A sombra saiu da escuridão e subiu as escadas silenciosamente. Para observar. Para aguardar. Para colocar em prática o que há tanto tempo planejava.” Em uma noite de verão, a Detetive Erika Foster é convocada para trabalhar em uma cena de homicídio. A vítima: um médico encontrado sufocado na cama. Seus pulsos estão presos e através de um saco plástico transparente amarrado firmemente sobre sua cabeça é possível ver seus olhos arregalados. Poucos dias depois, outro cadáver é encontrado, assassinado exatamente nas mesmas circunstâncias. As vítimas são sempre homens solteiros, bem-sucedidos e, pelo que tudo indica, há algo misterioso em suas vidas. Mas, afinal, qual é o segredo desses homens? Qual é a ligação entre as vítimas e o assassino? Erika e sua equipe se aprofundam na investigação e descobrem um serial killer calculista que persegue seus alvos até achar o momento certo para atacá-los. Agora, Erika Foster fará de tudo para deter aquela sombra e evitar mais vítimas, mesmo que isso signifique arriscar sua carreira e também sua própria vida.
O que eu achei?
A Detetive Erika Foster está de volta para resolver mais um caso de assassinato no novo livro de Robert Bryndza, mesmo autor de A Garota No Gelo. Nesta história, temos um assassino extremamente cuidadoso e meticuloso, que mata suas vítimas por sufocamento, espreitando pelas sombras e esperando o momento certo para seu ataque.

O livro anterior de Bryndza, para mim, foi um pouco fraco no desenvolvimento do mistério e das personalidades. Contudo, neste novo título, ele conseguiu amadurecer muito sua escrita e a construção dos acontecimentos e das personas de cada um. A Detetive Erika Foster está mais taciturna e forte, mas, desta vez, vemos também o seu lado mais vulnerável e humano enquanto busca pelo serial killer. Temos também o núcleo de uma outra personagem, Simone, uma enfermeira extremamente misteriosa e ambígua, com uma personalidade que mistura dedicação ao seu trabalho com um descontrole traumático. O que será que ela esconde?

Além da busca pelo assassino que está aterrorizando a todos, matando pessoas muito conhecidas - e apenas homens -, a histórias traz questões a se pensar nos dias atuais. Em alguns momentos da história, o assassino se comunica com alguém pela internet, através de um bate-papo anônimo: um não sabe nada nada do outro, a não ser o que um contou para o outro... mas o quanto do que foi dito é verdade? Será que realmente conhecemos as pessoas com as quais nos relacionamos on-line? Há, também, questões como homofobia e machismo no decorrer da história - que não vou contar como surgem pois seria um mega de um spoiler.

Mostrando um crescimento e amadurecimento da melhor forma, Robert Bryndza conseguiu - para mim - criar um livro com muito mais suspense do que seu lançamento anterior, extremamente sombrio e cativante, com personagens bem desenvolvidos, explorando não apenas o caso e sua repercussão na vida dos policiais, mas também como tudo aquilo afetou e afeta a cada um de forma pessoal, revivendo até traumas dos passados de alguns. Se eu tinha dúvidas quanto a esse autor ser bom ou não, esse livro me mostrou que ele pode se superar facilmente - e me deixar boquiaberto!


18 junho 2017

[Crítica] A Múmia

Na Mesopotâmia, séculos atrás, Ahmanet (Sofia Boutella) tem seus planos interrompidos justamente quando está prestes a invocar Set, o deus da morte, de forma que juntos possam governar o mundo. Mumificada, ela é aprisionada dentro de uma tumba. Nos dias atuais, o local é descoberto por acidente por Nick Morton (Tom Cruise) e Chris Vail (Jake Johnson), saqueadores de artefatos antigos que estavam na região em busca de raridades. Ao lado da pesquisadora Jenny Halsey (Annabelle Wallis), eles investigam a tumba recém-descoberta e, acidentalmente, despertam Ahmanet. Ela logo elege Nick como seu escolhido e, a partir de então, busca a adaga de Set para que possa invocá-lo no corpo do saqueador.
O que eu achei?
Quando fui assistir esse filme, é lógico que eu já tinha em mente de que o remake do filme de 1999 com Brendan Fraser e Rachel Weisz. Achei que fosse ser um completo flop mas acabou que foi menos ruim do que eu esperava.

A história começa com o narrador (Russell Crowe) contando a história da princesa Ahmanet, que foi enterrada com a adaga que usou para fazer o ritual mas sem a pedra necessária para invocar o deus Seth. A pedra foi enterrada com um cavaleiro templário em algum local da Inglaterra, longe das areias egipcias onde Ahmanet foi sepultada, onde permaneceu durante séculos, até ser encontrada pela expedição de Nick e Jenny. Quando a princesa é acidentalmente despertada, ela faz de tudo para capturar Nick (a cena da perseguição no avião em pleno ar é destaque, o espectador tem a impressão de uma queda em tempo real) para completar o ritual de trazer o deus Seth de volta à vida ( e Nick é o receptáculo ideal para isso por causa da profecia que é destinada a ele).

Conta com algumas boas cenas de ação e Sofia Boutella (que fez a Jaylah de Star Trek:Sem Fronteiras ano passado) está convincente como uma princesa em busca de seu objetivo. A maquiagem também foi bem-feita mas só tenho uma crítica: era realmente necessário colocar o personagem do Tom Cruise como elemento essencial para completar o ritual? Por quê ela não poderia executá-lo sozinha? Seria esse um indicador do machismo em Hollywood? Se já colocaram uma personagem feminina como protagonista, por quê ela não pode fazer tudo sozinha? Por quê precisa de um homem?

Um ponto alto é a introdução do personagem do Dr.Jekyll (Russell Crowe). Para quem não soube, a Universal declarou que irá refilmar seus filmes clássicos de monstros, como Drácula, Frankenstein, O lobisomem, O médico e o monstro, O monstro da lagoa negra, etc.

A transformação dele em Mr.Hyde é tensa e apenas uma amostra do que está por vir.

O final foi um pouco inesperado, eu não esperava que fosse aquele o destino do Nick. A Múmia diverte, é apenas mais um blockbuster mas tenho esperança que será a porta de entrada para uma nova franquia de sucesso.

Trailer: