Novidades

[News] Tantas Vozes: 25 anos da companhia teatral As Graças

 Tantas Vozes: 25 anos da companhia teatral As Graças


As Graças - Tem Francesa no Morro - João Caldas


Companhia paulistana sobe em seu ônibus para fazer mostra de repertório por São Paulo 

Cinco grupos de diferentes regiões da cidade recebem As Graças









Para a mostra, foram escolhidas as obras Canto a Canto, Marias da Luz, Nas
Rodas do Coração, Quem Vem de Longe e Tem Francesa no Morro. Grupos como
Clarianas, Quilombo Sambaqui, Rosas Periféricas, Negro Sim e Ocupação 9 de
Julho recebem o projeto contemplado pela Lei de Fomento ao Teatro



Em comemoração às duas décadas e meia de atuação, As Graças apresenta, a
partir do dia 7 de novembro de 2021, a mostra de repertório Tantas Vozes: 25
anos da companhia teatral As Graças. O grupo apresenta cinco obras em
diferentes regiões da cidade, ocupando espaços de outros núcleos teatrais,
com quem farão ações culturais diversificadas, como oficinas, intervenção
artística e bate-papos. Todo o projeto, os espetáculos programados e
atividades são dedicados à memória de Juliana Gontijo, integrante e uma das
fundadoras d'As Graças, que morreu em fevereiro de 2021. Composta atualmente
pelas atrizes Eliana Bolanho e Vera Abbud, nesta mostra também participam
como atrizes convidadas Daniela Schitini, que foi integrante fixa por vinte
anos, Kátia Daher, Nilcéia Vicente e Paola Musatti.

A circulação, segundo o grupo, é uma forma de encontrar outros públicos,
outros corpos e diálogos. "Cada grupo tem a escuta e vivência do seu
território. Queremos essa integração tanto para mostrar nosso trabalho em
lugares que ainda não tivemos a oportunidade e para aprender a partir das
experiências desses grupos", conta Eliana Bolanho.

O primeiro coletivo  com quem serão feitas essas trocas é as Clarianas,
grupo musical formado por três cantoras/atrizes (Martinha Soares, Naloana
Lima e Naruna Costa), uma rabequeira (Ca Raiza), um violonista (Giovani Di
Ganzá), um baixista (Augusto Luna) e uma percussionista (Jackie Cunha), que
tem como mote principal a investigação da voz da mulher ancestral na música
popular do Brasil a partir do contexto da música "natural",  de tradição
popular, dos cantos caboclos de matriz africanordestina-indígena-periférica,
das comunidades brasileiras. As atividades acontecem no palco do Circular
Teatro, o ônibus-teatro da Cia As Graças, assim como as apresentações dos
outros grupos. Também está agendada uma oficina de voz que acontece na sede
das Clarianas, o Espaço Clariô (R. Santa Luzia, 96 - Vila Santa Luzia,
Taboão da Serra - SP), na zona sul de São Paulo.

As artistas passam ainda pelos espaços do Quilombo  Sambaqui, na zona norte
(Jardim Guarani - Brasilândia); do grupo Rosas Periféricas, na zona leste
(Parque São Rafael); do grupo Negro Sim, na zona oeste (Butantã); e da
Ocupação 9 de Julho, no Centro. Em cada espaço, serão feitas cinco
apresentações dos espetáculos d'As Graças e o grupo parceiro abrirá a mostra
com espetáculo ou intervenção de sua autoria. "Nossas obras serão
apresentadas no nosso ônibus-teatro, que estacionará em uma rua, praça ou
parque, de preferência no entorno da sede do grupo parceiro", comentam as
artistas. A ocupação conta  também com uma oficina de voz coordenada por
Juliana Amaral destinada preferencialmente às mulheres da comunidade,
integrantes do grupo e artistas da região. Em cada espaço, serão ainda
programadas rodas de conversas com datas a serem divulgadas.

Para a ocupação, foram selecionados espetáculos que evidenciam diferentes
tipos  de utilização do ônibus-teatro - desde o uso de seu palco frontal até
a sua inserção como elemento cenográfico em espetáculos itinerantes. O
ônibus é uma marca da evolução da dramaturgia do grupo para rua, evolução
que será mostrada por completo nas ocupações a fim de que  o público de cada
região possa acompanhar as escolhas estéticas e temáticas  que o coletivo
desenvolveu ao longo de todos esses  anos.

"Nossa chegada à rua nunca implicou o abandono das pesquisas anteriores.
Pelo  contrário, hoje nosso trabalho cênico realizado no espaço público das
praças,  parques e ruas reagrupa tanto a exuberância quanto a intimidade,
tanto a música  quanto o sussurro. Reagrupa adultos e crianças atentos à
poesia, ao silêncio e às tramas urdidas em dramaturgias e encenações
concebidas sob  medida para a configuração feminina de nosso grupo e para o
público dos  espaços abertos, democráticos e, sobretudo, imprevisíveis das
ruas", contam as artistas.

As artistas reforçam que muitos dos espetáculos escolhidos para integrar a
mostra, sobretudo Tem Francesa no Morro, não eram apresentados há muitos
anos, fazendo com que as versões trazidas agora sejam quase releituras, um
diálogo com o momento presente e com questões da atualidade.


SOBRE OS ESPETÁCULOS

Marias da Luz
O espetáculo foi construído a partir de depoimentos reais de mulheres do
Parque da Luz. Este parque,  o primeiro da cidade de São Paulo, fundado em
1798, serviu como base para a  dramaturgia,  para cenografia e para compor o
universo poético das quatro personagens da obra. Quatro mulheres de tempos
diferentes tocadas pelo abandono e pela solidão se encontram no Parque da
Luz e buscam um novo começo para suas vidas. Maria Pequena (Eliana Bolanho),
Mariana (Daniela Schitini) e Marivânia (Nilcéia Vicente) contam fragmentos
das histórias de suas vidas à fotógrafa Marileide/Biguá (Vera Abbud).

Nas Rodas do Coração
Comédia musical sobre uma companhia de teatro mambembe que apresenta seu
repertório pelas ruas da cidade de São Paulo. Enquanto a peça está sendo
encenada, as atrizes descobrem as falcatruas da dona da companhia e tentam,
nos bastidores, desmascarar os golpes da vilã. O espetáculo é inspirado nos
sambas de Adoniran Barbosa e na estrutura do melodrama, sendo encenado em
cima de um ônibus teatro itinerante.

Quem Vem de Longe
De um ônibus que chega no local de apresentação, saem três mulheres e um
musicista. Elas entram no espaço cênico carregando um monte de sapatos.
Nesse espaço, as atrizes esboçam uma cartografia do deslocamento. Com os
sapatos, criam um mapa indistinto, povoado por seres deslocados da terra
natal, deslocados da sociedade atual. Os sapatos significam os migrantes, os
imigrantes, os andarilhos, os errantes, as ausências, as permanências, as
instabilidades e os caminhos. São seres em movimento - mais ou menos
esquecidos, mais ou menos acolhidos - com seus rastros, fissuras e
fronteiras. Dentre essa distribuição cartográfica, essas figuras trabalham
textos e músicas que falam dos temas atuais dos deslocamentos humanos e
apontam para uma narrativa da reflexão sobre o preconceito, sobre as
categorias estanques e, sobretudo, sobre as respostas prontas.

Tem Francesa no Morro
Inspirado livremente na vida e na carreira das atrizes Dercy Gonçalves,
Virgínia Lane, Mara Rúbia e Aracy Cortes, a peça tem início quando quatro
vedetes se encontram no palco do teatro Recreio, grande templo das revistas
brasileiras, na véspera da demolição daquela casa de espetáculos em que
marcaram época. A partir desse encontro, se inicia uma volta no tempo.
Combinando ficção a fatos verídicos, o espetáculo passa a trazer ao
espectador um pouco da história da revista no Brasil e do universo de
estrelas do passado, cuidando, assim, de oferecer ao espectador o retrato de
uma época. Os números musicais trazem canções de alguns dos maiores
compositores da música popular brasileira, como Noel Rosa, Lamartine Babo,
Ary Barroso e Assis Valente, este, autor da música que dá título ao
espetáculo.


SOBRE A INTERVENÇÃO


Canto a Canto
A obra é uma intervenção poética e intimista, que acontece na rua,  feita
por duas atrizes para uma pessoa ou um pequeno grupo. O espectador é
convidado a escolher alguma lembrança em uma das gavetas de uma caixa. Isso
é o pretexto para uma determinada sequência de música, poesia ou pequenos
textos. Como num segredo compartilhado, artista e espectador estabelecem um
momento de proximidade único. Um pequeno espetáculo feito para poucos
espectadores - um presente delicado e pessoal.



SOBRE AS GRAÇAS


As Graças com as atrizes Juliana Gontijo, Vera Abbud e Eliana Bolanho

A Cia Teatral As Graças foi criada em 1995. Desde então, realizaram 17
trabalhos teatrais, um livro, dois documentários e criaram o Circular
Teatro, ônibus-teatro que é um palco sobre rodas destinado a ocupar espaços
públicos com arte. O grupo surge com o trabalho de finalização do curso da
Escola de Arte Dramática de SP. O espetáculo era Endecha das Três Irmãs,
baseado na obra da poeta Adélia Prado. Nesse início, eram três atrizes:
Eliana Bolanho, Daniela Schittini e Juliana Gontijo (1964 - 2021). A atriz
Vera Abbud entra para o grupo no segundo trabalho: Poemas para Brincar, com
poesias de José Paulo Paes.

Nos trabalhos seguintes, a cia As Graças seguem o caminho da poesia:
Itinerário de Pasárgada, com poesias de Manuel Bandeira, intervenção com
poesias de Carlos Drummond de Andrade, participação do documentário A um
passo do pássaro, da TV Cultura, sobre a poeta Orides Fontela e a
intervenção Canto a Canto, com diversos poetas.

Esse início marcado pela poesia no teatro é consequência do apreço do grupo
por essa expressão literária, mas também pela lacuna de textos teatrais
escritos exclusivamente para mulheres. Essa característica do grupo, a de
ser exclusivamente feminino, as obrigou a pensar e criar uma dramaturgia
própria. Com exceção do espetáculo Noite de Reis, de William Shakespeare,
sempre foram criadas dramaturgias próprias.

O grupo não possui uma pessoa responsável pela direção/dramaturgia em seu
núcleo artístico - sendo ele designado como um grupo de atrizes/produtoras.
A cada montagem, um diretor ou diretora é convidada em função dos desafios
estéticos e éticos aos quais a companhia se lança. As parcerias, cada uma a
seu modo, instigam o deslocamento da zona de conforto. O percurso da
companhia é múltiplo em formas, temas e gêneros teatrais. A fim de continuar
a construir - e desconstruir - formas e saberes, o grupo procura entender
como seu trabalho dialoga com o tempo presente.

FICHAS TÉCNICAS

Canto a Canto
Elenco: Eliana Bolanho e Vera Abbud

Classificação Livre
Local: Intervenção  itinerante

Marias da Luz
Direção e cenografia: André Carreira
Elenco: Daniela Schitini, Eliana Bolanho, Nilcéia Vicente, Vera Abbud
Dramaturgia: Daniela Schitini e Nereu Afonso
Assistência de direção: Nereu Afonso
Figurino: Claudia Schapira
Direção musical e trilha sonora original: Daniel Maia
Consultoria de som: Miguel Caldas e  Daniel Maia
Fotos: João Caldas
Pesquisa: Maria Socorro dos Santos
Preparação corporal/Pilates: CecÍlia de Oliveira
Técnico de som: Flávio Pires
Motorista: Cecílio Bolanho filho
Técnico de palco: Paulo Pelegrini, Cecílio Bolanho Filho e Flávio Pires
Produção: Daniela D'eon e Cia As Graças
Administração: Eneida de Souza
Realização: As Graças
Duração: 60 minutos
Classificação etária: Livre

Nas Rodas do Coração
Direção: Ednaldo Freire
Texto: Regina Galdino
Músicas: Adoniran Barbosa
Direção Musical: Mário Manga e Adilson Rodrigues
Figurinos e Cenário: Kleber Montanheiro
Coreografia: Fernando Neves
Elenco: Eliana Bolanho, Kátia Daher, Paola Musatti e Vera Abbud
Técnico de som: DaniJack
Motorista: Cecílio Bolanho filho
Técnicos de palco: Cecílio Bolanho, Flávio Pires e Paulo Pelegrini
Produção: Daniela D'eon e Cia As Graças
Administração: Eneida de Souza
Realização: Cia As Graças
Duração do Espetáculo: 1h e 10m
Classificação LIVRE

Quem Vem de Longe
Direção: Cristiane Paoli Quito
Dramaturgia: Nereu Afonso
Direção Musical: Gustavo Kurlat
Assistente de Direção: Lúcia Kakazu
Elenco: Eliana Bolanho, Nilcéia Vicente e Vera Abbud
Musicista: Flávio Pires
Figurino: Claudia Shapira
Cenografia: Vera Abbud e Cristiane Paoli Quito
Técnicos de palco: Cecílio Bolanho filho
Produção: Daniela D'eon e Cia As Graças
Administração: Eneida de Souza
Realização: Cia As Graças
Duração do espetáculo: 45 min
Indicação: Livre


Tem Francesa no Morro
Espetáculo: TEM FRANCESA NO MORRO
Roteiro, direção, cenografia e figurinos: Kleber Montanheiro
Elenco: Daniela Schitini, Eliana Bolanho, Kátia Daher e Vera Abbud
Direção musical: Mário Manga e Adilson Rodrigues
Arranjos: Mário Manga
Arranjos Vocais: Adílson Rodrigues
Direção de Movimento: Cris Belluomini
Visagismo: Gil L'Arruda
Assistência de direção: Cássio Pires
Fotos: João Caldas
Assistência de Cenografia: Antonio Ivaldo Melo e Renato Rebouças
Técnico de som: DaniJack
Técnicos de palco: Cecílio Bolanho, Flávio Pires e Paulo Pelegrini
Motorista: Cecílio Bolanho filho
Produção: Daniela D'eon e Cia As Graças
Administração: Eneida de Souza
Realização: Cia. As Graças e Cia da Revista

SERVIÇO

Novembro em parceria com as Clarianas
Praça do Campo Limpo (R.  Dr Joviano Pacheco de Aguirre, 30 - Jardim Bom
Refúgio)

07/11, domingo -15h - Canto a Canto e 16h - Clarianas
13/11, sábado, 16h - Tem Francesa no Morro
14/11, domingo, 16h - Nas Rodas do Coração
20/11, sábado, 16h - Marias da Luz
21/11, domingo, 16h - Quem Vem de Longe

Dezembro em parceria com o Negro Sim/ A Casinha
Casa de Cultura do Butantã (av Junta Mizumoto 13 - Jardim Peri Peri)

05/12, domingo - 13h - Canto a Canto e 14h -  grupo Negro Sim
11/12, sábado, 16h - Marias da Luz
12/12, domingo, 14h - Quem Vem de Longe
18/12, sábado, 16h - Nas Rodas do Coração
19/12, domingo, 16h - Tem Francesa no Morro

Janeiro em parceria com o Quilombo  Sambaqui
Associação dos Moradores do Jardim Guarani (R. Itambé do Mato Dentro, Jardim
Guarani - Vila Brasilândia)

15 ou 16/1, sábado ou domingo -  15h Canto a Canto 16h - Quilombo Sambaqui
22/1, sábado, 16h - Tem Francesa no Morro
23/1, domingo, 16h - Nas Rodas do Coração
29/1, sábado, 16h - Marias da Luz
30/1, domingo, 16h - Quem Vem de Longe


Fevereiro em parceria com Rosas Periféricas
Praça Oswaldo Luiz da Silveira - Parque São Rafael
5 ou 6/2 (a definir), sábado ou domingo - 15h - Canto a Canto e 16h - grupo
Rosas Periféricas
12/2, sábado, 16h - Quem Vem de Longe
13/2, domingo, 16h - Marias da Luz
19/2, sábado, 16h - Nas Rodas do Coração
20/2, domingo, 16h - Tem Francesa no Morro

Março de 2022 - Centro
Ocupação 9 de Julho
5 e 6/3, sábado e domingo - 15h - Canto a Canto  e 16h - grupo Ocupa 9 de
Julho
12/3, sábado, 16h - Tem Francesa no Morro
13/3, domingo, 16h - Nas Rodas do Coração
19/3, sábado, 16h - Marias da Luz
20/3, domingo, 16h - Quem Vem de Longe

Grátis. Acesso livre.



Nenhum comentário