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[Resenha]Você tem a vida inteira

 

Sinopse:

Um livro sensível sobre o amor após um diagnostico de HIV. O livro de estreia de Lucas Rocha é sensível e honesto sobre um assunto que ainda é um grande tabu. As vidas de Ian, Victor e Henrique são entrecortadas pelo diagnóstico do HIV. Victor fica inseguro ao descobrir que Henrique, com quem está começando uma relação, é soropositivo e resolve fazer um teste, mesmo que os dois só tenham transado com camisinha. Logo depois de um resultado negativo, ele conhece Ian, um universitário como ele que acabou de receber uma notícia que pode mudar sua vida. No impulso de ajudar o garoto, Henrique entrelaça os destinos dos três. Lucas Rocha narra, a partir das três perspectivas, os medos, as esperanças e o preconceito sofrido por quem vive com HIV, mas, principalmente, conta uma história que não é sobre culpa ou sobre estar doente, e sim sobre como podemos formar nossas próprias famílias e sobre nunca esquecer que ainda temos a vida inteira.

                    O quê eu achei?

Esse livro foi sensacional! Um dos melhores livros LGBTQIA+ que já li na vida! Fiz questão de enviar para o Lucas Rocha uma mensagem elogiando o trabalho dele!

Tudo começa quando Ian, um adolescente que vai numa clínica fazer o teste e descobre que testou positivo para HIV+ e seu mundo desaba. Ele conhece Victor, cujo resultado foi negativo, no ponto de ônibus. Ele está puto porque transou com Henrique, um menino que só revelou ser soropositivo depois da relação, apesar do fato de que eles se precaveram e usaram camisinha. Victor consola Henrique e lhe dá seu número. 

A história é narrada a partir do ponto de vista dos 3 personagens e conhecemos outros personagens como a irmã de Ian, Vanessa, que está estudando para passar no vestibular de Medicina, Carlos o ex tóxico de Henrique que foi morar na Nova Zelândia e Eric,amigo de Henrique que divide o apartamento com ele.

Desde que a doença foi descoberta nos anos 80, sempre houve muita estigmatização a preconceito com os soropositivos. Nem preciso explicar porque uma narrativa dessas é tão necessária. Em um determinado ponto da história, ele sofre um ato de bullying por ser aidético e o modo como a situação é resolvida é inspiradora e dá aquele ar de esperança.

O maior trunfo de ``Você tem a vida inteira`` é esse: demonstrar que o mundo pode ser um lugar sombrio mas sempre há coisas pelas quais devemos nos alegrar.

Um dos meus trechos favoritos:

-A gente é meio do que a construção dos medos dos outros, sabe- ela continua, girando com o copo de café com o cigarro preso entre o indicador e o dedo médio. -E a gente sempre ouve tanta coisa ruim sobre HIV e tem tantas imagens negativas sobre isso que fica um pouco difícil pensar como as coisas hoje são realmente diferentes do que eram há trinta anos. Mesmo eu sendo só a coadjuvante dessa história, também tem horas em que me pego pensando sobre isso e tento me colocar no seu lugar ou no do Henrique, mas a verdade é que a gente só pode tentar se colocar no lugar dos outros, porque quando chega a hora e a gente está em uma situação como a sua, nenhum conselho do mundo faz as coisas que somos ensinados a pensar desaparecerem de uma hora para outra. Os seus medos são só seus, assim como os dele são só dele. 

Super recomendo! Um dos melhores que li esse ano!




                

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