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[News]Ocupação Faroffa reúne produtores, provocadores e dramaturgistas para pensar futuro

OCUPAÇÃO FAROFFA REÚNE PRODUTORES, PROVOCADORES E DRAMATURGISTAS PARA PENSAR FUTUROS


Ideias a respeito de falha, gambiarra, cripistemology e trevo-de-quatro-folhas serão debatidas, manufaturadas e remanufaturadas, convergidas e dissipadas; a intenção é lançar caminhos para o futuro

24 a 27 de maio de 2021




Figura 1 Valentina Desideri, Denise Ferreira da Silva, Jose Fernando Peixoto de Azevedo, Leda Maria Martins, Jota Mombaça e Christine Greiner são os Provocadores da Ocupação FarOFFa

 

“Para o ser humano, dividir é perda, para as plantas, dividir é multiplicar. Eu quero, para mim, a ética das plantas (...) Essa Ocupação é um mergulho de criação para a produção. É a chance dos produtores se juntarem, num sistema semi-imersivo, e discutir ideias, imaginar possibilidades, caminhos, futuros, pra gente continuar”.

Gabi Gonçalves, idealizadora da Ocupação

 

FarOFFa tem criado, desde 2020, ações de aproximação entre pessoas, desejos, sonhos e ideias. Agora não será diferente, mas o foco está nos produtores culturais, nas convergências entre esses profissionais que vivem fora dos holofotes. A Ocupação FarOFFa acontece no período de 24 a 27 de maio de 2021, nos endereços virtuais Portal MUD e Plataforma Teatro, e é um projeto da Corpo Rastreado contemplado pelo Edital PROAC Expresso Lei Aldir Blanc (Lei 14.017/2020), através do Governo Federal, Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Cultura e Economia Criativa/PROAC.


Ao longo destes quatro dias, mais de 100 produtores se reunirão com seis Provocadores e cinco Dramaturgistas para, através de trocas de ideias, dinâmicas e fóruns, pensar, juntes, sobre as potências de seus fazeres no contexto atual.

A dinâmica diária das manhãs da Ocupação será com os Provocadores abrindo os trabalhos lançando inquietações e estímulos. Na sequência, divididos em salas, os participantes passam a discutir o tema proposto sob o olhar de um/uma dramaturgista, que têm tanto a função de mediador como a de relatar a memória dos encontros: suas presenças nos grupos resultarão em escritos que, longe de serem uma simples relatoria burocrática, constituirão um convite a um novo encontro com o leitor.


À tarde, a Ocupação FarOFFa instala fóruns virtuais, uma reunião de todos os produtores que estiveram nos grupos menores na parte da manhã, para compartilhar as elaborações do dia e dar início às preparações para os trabalhos do dia seguinte.

 

PONTO DE VISTA CRÍTICO

A escrita como ponto de encontro também será a motivação do trabalho de Fernando Pivotto, crítico que acompanha a Ocupação nos debates e nos fóruns em todos os dias e, a partir deste olhar, vai elaborar um texto a partir da construção coletiva levantada ao longo desta edição.

Perguntas se mostram imperativas nestes tempos: de que modo a produção, a provocação, o dramaturgismo e a crítica se encontram e colaboram para a construção de novas possibilidades de futuro? Estes e outros assuntos são disparadores da Ocupação, que amplia ações de aproximação das edições anteriores da FarOFFa.

“A gente não está visando o resultado final, a gente está mais interessada nessa rede de afetos. Se isso puder gerar algumas alianças, alguns projetos juntos, ótimo; se não, não tem a menor importância, porque o que interessa é a experiência de estar junto e de estar criando um movimento junto” Christine Greiner, provocadora da Ocupação



 

OS CONCEITOS

A aproximação de pessoas e pontos de vista é um dos motes da Ocupação, mas não o único. A própria curiosidade sobre subverter o conceito de “ocupação”, reunindo produtores, Provocadores e Dramaturgistas nos dois espaços virtuais, o Portal MUD, um mais alinhado à dança e sua memória – MUD significa Museu da Dança -  e a Plataforma Teatro - mais afeito a transmissões de espetáculos teatrais - é um dos desafios que motivam este projeto.

 

Outros conceitos que dão base às fagulhas lançadas pelos Provocadores será a importância de assuntos como a falha temida no campo artístico e sobretudo pelos produtores, cuja função executiva em espetáculos de dança e/ou teatro é, em grande medida, evitá-la; a gambiarra ou a habilidade de obter bons resultados a partir de pensamentos e técnicas incomuns ou improváveis; a imagem do trevo-de-quatro-folhas, uma “falha” genética que acontece nas plantas da espécie Trifolium, literalmente “três folhas” em Latim, e que simboliza extrema sorte.

 

Outro termo abordado nesta Ocupação é o cripistemology, que vem sendo bastante investigado por pessoas que "estranham" ou "assombram" as práticas epistemológicas. A palavra creepy em inglês, que é a origem do termo, pode ser traduzida como assustador, esquisito, bizarro. No sentido mais radical, a cripistemology vai desconfiar da própria noção de epistemologia sugerindo que não dá para delimitar teorias do conhecimento. Os pioneiros dessa anti-teoria foram, em sua maioria, pessoas fora dos padrões, consideradas de alguma forma deficientes e fracassadas na sociedade. Nas palavras de Christine Greiner, “pensar a potência a partir do fracasso e da deficiência é o desafio e o charme das epistemologias creepy”.


Subverter as falhas e transformá-las em boa sorte, utilizar o presente para moldar o(s) futuro(s) é o que mobilizará os residentes desta Ocupação, tal qual num processo coletivo de alquimia.
 

 

SOBRE AS FAROFFAS

FarOFFa nasceu a partir de uma provocação durante a MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo de 2020: lançar uma “cena off”, paralela ao evento principal, como uma alternativa para o público. Assim, a partir desta primeira experiência, ficou claro que a FarOFFa não seria um festival de teatro nem uma mostra de dança, mas ações de criação com perfil off, que se constituem a partir de outros olhares, outros movimentos.

 

Desde a primeira edição, o que singularizou a FarOFFa foi a sua potência para inventar ações de aproximação. Por isso, não há uma periodicidade regular. A FarOFFa nasce, cada uma delas, da urgência de um tema ou de parcerias que instiguem novos modos de pensar ou agir. Não há modelos.

Em um ano, a FarOFFa e suas ideias já estiveram em eventos pelo Brasil e por países como Coréia, Chile, Bélgica e na Armênia. Em agosto de 2020, a FarOFFA no Sofá foi uma resposta ao momento pandêmico, realizada completamente no formato digital, que juntou mais de 130 espetáculos nacionais e também um encontro internacional entre artistas, público, curadores e programadores nacionais e internacionais - estes últimos reunidos na Kombi, um espaço de reflexão com 250 profissionais das artes do Brasil e de mais de 30 países.

 

Para dar conta de tudo o que há para pensar, fazer, bordar e alinhavar, mais duas edições da FarOFFas estão programadas para 2021:  a FarOFFa no Quintal e o Residencial FarOFFa.

 

SERVIÇO

 

Ocupação FarOFFa:

Horário: das 09h às 12h e das 14h às 16h.

Dias e Locais da Ocupação Faroffa:

Dias 24 e 25 de maio – Portal MUD - www.portalmud.com.br

Dias 26 e 27 de maio – Plataforma Teatro – www.plataformateatro.com

 

 

Material de Apoio

 

PROVOCADORES

Christine Greiner é professora da PUC-SP e autora de livros e artigos sobre artes, microativismos e cultura japonesa. Como curadora, foi premiada ao lado de Gabi Gonçalves, pela proposta de curadoria compartilhada para o Panorama Sesi de Dança; e com Ricardo Muniz Fernandes realizou várias exposições transmidiáticas sobre arte no Japão. A mais recente, com Gal Oppido (Galeria Lume), resultou no livro Intoxicações Poéticas da Carne (n-1, 2020).

Denise Ferreira da Silva é filósofa, escritora e cineasta. Seus trabalhos acadêmicos e artísticos abordam os desafios ético-políticos do presente global. É autora de Toward a Global Idea of Race (2007), A Dívida Impagável (2019), Unpayable Debt (2021) e co-editora (com Paula Chakravartty) de Race, Empire, and the Crisis of the Subprime (2013). Seu trabalho artístico inclui os filmes Serpent Rain (2016) e 4Waters-Deep Implicancy (2018), em colaboração com Arjuna Neuman; e as práticas artísticas relacionais Poethical Readings and Sensing Salon, em colaboração com Valentina Desideri. Ela vive e trabalha no território tradicional, ancestral e não cedido do povo Musqueam (xwməθkwəy̓ əm).

José Fernando Peixoto de Azevedo é dramaturgo, diretor de peças e filmes; doutor em filosofia (USP), pesquisador, curador. Professor na Escola de Arte Dramática, no Curso superior do audiovisual e no Programa de pós-graduação em artes cênicas da ECA/USP.

Jota Mombaça é um artista interdisciplinar cujo trabalho deriva de poesia, teoria crítica e performance. Sua prática está relacionada à crítica anticolonial e à desobediência de gênero. Através da performance, ficção visionária e estratégias situacionais de produção de conhecimento, pretende ensaiar o fim do mundo tal como o conhecemos e a figuração do que vem depois de desalojarmos o sujeito colonial-moderno de seu pódio.

Leda Maria Martins é poeta, ensaísta e dramaturga. Doutora em Letras - Literatura Comparada pela UFMG, é mestre em Artes pela Indiana University, Estados Unidos e tem pós-doutorado em Performances Studies pela New York University, Tisch School of the Arts, Department of Performance Studies. É professora aposentada da UFMG, onde lecionou entre 1993 e 2018, e foi professora visitante da New York University, Tisch School of the Arts em 2010. Também coordenou o Programa de Pós-Graduação em Letras: Estudos Literários, da FALE/UFMG, foi diretora de Ação Cultural da UFMG e presidente das Comissões de Criação e de Implantação do Curso de Graduação em Artes Cênicas da UFMG. É autora de vários livros, capítulos de livros e de ensaios publicados no Brasil e no exterior, como “Cantiga de Amares”, “O Moderno Teatro de Qorpo Santo”, “A Cena em Sombras”, “Afrografias da Memória”, “Os Dias Anônimos”, e “No Prelo: Performances do Tempo Espiralar”. Em 2017, foi criado o Prêmio Leda Maria Martins de Artes Cênicas Negras, patrocinado pelo BDMG. Também é rainha de Nossa Senhora das Mercês do Reinado de Nossa Senhora do Rosário do Jatobá, Belo Horizonte.

Valentina Desideri explora o fazer artístico como forma de estudo e o estudo como forma de fazer arte. Ela se formou em dança contemporânea no Laban Centre em Londres (2003–2006), mais tarde fez seu mestrado em Belas Artes no Sandberg Institute em Amsterdam (2011–13) e atualmente é candidata a doutorado no Instituto de Justiça Social da Universidade de British Columbia, Vancouver. Faz Terapia Falsa e Terapia Política, é uma das co-organizadoras do Fórum de Artes Cênicas na França (PAF), especula escrevendo com Stefano Harney, faz Leituras Poéticas desenvolve o Sensing Salons com Denise Ferreira da Silva, da qual faz parte a Oficina de Imaginação Política, ela lê e escreve.

 

DRAMATURGISTAS

Cynthia Margareth é gestora cultural, atriz e fundadora da Aflorar Cultura. Bacharel em Artes Cênicas pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), é especializada em Gestão Cultural pelo Centro de Pesquisa e Formação do Sesc SP. Atua com foco na produção como eixo criativo, que impulsiona ações colaborativas, criação de redes, formação e coordenação de equipes de trabalho. Por 15 anos dedicou-se à coordenação de produção do LUME Teatro – Unicamp e a coordenação geral do Feverestival - Festival Internacional de teatro de Campinas.

Elisa Band é performer, encenadora e pesquisadora, formada em Artes Cênicas pela Unicamp. Professora do curso de performance do Programa Igual Diferente, do Museu de Arte Moderna -SP, e mestra pela da Escola de Comunicações e Artes –USP. Suas áreas são teatro, performance, literatura.

Fernanda Raquel é atriz e pesquisadora das artes do corpo. Doutora em Comunicação e Semiótica (PUC/SP), é autora do livro “Corpo Artista – estratégias de politização”, 2011 (Ed. Annablume/Fapesp). Professora no curso de especialização em Técnica Klauss Vianna (PUC/SP), e na Academia Internacional de Cinema.

Ierê Papá é graduado em Artes Cênicas pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). É pós-graduado em Técnica Klauss Vianna e mestre pelo programa de Comunicação e Semiótica, ambas na PUC/SP.  Ierê integra o Coletivo Teatro Dodecafônico (SP) que pesquisa o caminhar como prática e estética e política no espaço urbano.

Rodrigo Monteiro é doutorando e mestre em Comunicação e Semiótica, e bacharel em Comunicação das Artes do Corpo pela PUC-SP. Especialista em Gestão e Políticas Culturais pela Universidade de Girona. Atua nas áreas de curadoria, produção e educação cultural há mais de 10 anos. 


PR/CanaAberto

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