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[News] Reestreia de Todo Mundo Quer Ser Dona Margarida (?), de 1971, discute opressão e autoritarismo, temas ainda vigentes em 2020

Reestreia de Todo Mundo Quer Ser Dona Margarida (?); dramaturgia de 1971 discute opressão e autoritarismo, temas ainda vigentes em 2020
 
Apareceu a Margarida, clássico da dramaturgia nacional criado por Roberto Athayde completa 50 anos em 2021. Texto ganhou adaptação online de Abílio Tavares, com direção de Nicolas Iso e nova temporada em setembro
 

Figura 1. Foto de Jefferson Vanzo
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 “São 17 lousas que Dona Margarida escreve quando anuncia algo que é muito importante. Para ela, o quadro é um instrumento de poder”, Abílio Tavares sobre a personagem
 
Dar aulas online foi uma realidade enfrentada por muitos professores e professoras no mundo todo, por causa da pandemia. Preparados ou não, foram obrigados a expor suas casas e formas de viver em aulas preparadas em formatos e plataformas que nem sempre dominavam. Dona Margarida é a nova professora do quinto ano primário e como tantos, precisa dar aulas online. O formato em que destila suas opressões mudou, é virtual, mas a verve arrogante é a mesma de quando o texto foi criado. Em sua sala de aula, pouco se fala em liberdade ou autonomia.
 
Autoritária, centralizadora e altamente provocativa, a personagem foi criada em 1971 pelo dramaturgo Roberto Athayde em Apareceu a Margarida, texto escrito no contexto da ditadura civil-militar brasileira e que logo se tornou um fenômeno de encenações dentro e fora do Brasil. O ator Abílio Tavares, que revisitou o texto em diversas ocasiões, encontra-se novamente com a professora em Todo Mundo Quer Ser Dona Margarida (?), que após temporada de cinco semanas, reestreia dia 5 de setembro, em exibições ao vivo no YouTube A Dona Margarida Oficial sábados e domingos, 20h.
 
Nesta montagem, Abílio nomeou a peça como Todo Mundo Quer Ser Dona Margarida (?) por flagrar nela uma espantosa atualidade. “Passados quase 50 anos, é como se a peça estivesse retomando a mesma força de quando foi escrita. A alteração no nome foi para enfatizar que hoje há muitas Margaridas autoritárias protagonizando a cena nacional”, reforça.
 
O ator também destaca que o título faz uma referência ao sucesso do espetáculo na história da dramaturgia brasileira, visto que ele recebeu mais de 400 montagens traduzidas para cinco idiomas em mais de trinta países. “De certa forma esta nova montagem da Margarida abre o cinquentenário da peça, que será comemorado em setembro de 2021”, destaca Abílio. O projeto tem direção de Nicolas Iso, que junto com Paula Zurawski coordena as ações pedagógicas do espetáculo; Marco Lima deu consultoria sobre direção de arte e Ewerton Correia participou da pesquisa e colaborou para a direção cênica.

  PR/Diogo

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