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[Crítica] O Vento Muda


Sinopse: Uma fazenda isolada em uma região remota do Cantão do Jura, onde Pauline e Alex estão transformando em realidade seu sonho de viver de modo completamente autossuficiente e em harmonia com a natureza. Seus projetos de vida estão selados pelo amor e trabalho comum. Finalmente, estão prontos para alcançar sua total independência, mas a chegada de Samuel, que vem instalar um aerogerador, transtorna profundamente Pauline, abalando o casal e seus valores.

O filme é dirigido por Bettina Oberli, O Vento Muda e estrelado por Mélanie Thierry, Pierre Deladonchamps, Nuno Lopes e Anastasia Shevtsova.

Participou dos festivais de cinema de Gotemburgo (Suécia) e My French Film (Brasil) em 2020; Festival International du film francophone de Tübingen (Alemanha), Vienna International Women’s Film Festival (Áustria), Festival Internacional de Cinema de Santa Barbara (Estados Unidos), Dia Internacional da Francofonia - Rio de Janeiro (Brasil) e Festival de Cinema de Taipei (Taiwan) em 2019 e Festival de Locarno (Suíça), Festival du Film Français d'Helvétie Bienne (Suíça), Film Francophone d'Angoulême (França), Festival Internacional de Cinema Francófono de Namur (Bélgica), Festa do Cinema Francês (Portugal) e Festival Internacional de Cinema da Índia em 2018 e foi premiado no mesmo ano no Festival de Locarno (Suíça) - Variety Piazza Grande Award.

O que achei? Bettina Oberli mostra em O Vento Muda temas dicotômicos como vida e morte, começo e fim e sede de mudança e comodismo que se conectam ao longo do filme.

Pauline e Alex são um casal que vivem em uma fazenda, levando um estilo de vida bucólico, longe da civilização moderna, sem acesso às tecnologias do século XXI e vivendo de forma sustentável, o que leva Alex a decidir pela instalação de um gerador eólico na fazenda para ter energia elétrica renovável. E é aí que começa os conflitos. O que deveria ser mais um projeto de vida do casal acaba sendo aquilo que coloca tudo que eles construíram em dúvida, desconfiança e desequilíbrio.

São dois personagens que trazem esses conflitos à vida de Pauline e Alex: Galina, uma garota vinda de Chernobyl para passar um tempo em meio à natureza para tratar de sua saúde e Samuel, engenheiro português que veio instalar o gerador eólico. É esse segundo personagem que mais causa mudanças no casal, principalmente em Pauline.

Samuel é um personagem viajado, culto, que fala vários idiomas e que, de início, causa um sentimento de repulsa em Pauline, mas que com o tempo se transforma em atração. Ele é um personagem completamente distante daquele mundo e que ele está ali apenas para fazer seu trabalho, sem nenhum objetivo ecológico e sustentável como motivações.

Ele é o oposto de Alex, cujo mundo se resume apenas à fazenda e seu relacionamento com Pauline e que possui uma mente tão fechada em relação às modernidades que prefere tratar os animais doentes com métodos não convencionais ao chamar um tipo de xamã do que chamar a irmã de Pauline, que é veterinária.

Galina é a personagem que serve de confidente de Pauline e ela é um meio de Pauline extravasar toda a sua liberdade contida e de viver o momento, sem se preocupar com um casamento à beira de desmoronar, a fazenda e o isolamento em que vive.

Ao longo do filme, vimos que viver naquela fazenda era mais um desejo de Alex do que de Pauline, numa tentativa de consertar um relacionamento que provavelmente não tinha mais futuro.

Mélanie Thierry mostra todos os conflitos emocionais, dúvidas, fragilidades, angústias e desejos de sua personagem. Samuel e Galina são suas válvulas de escape de uma vida rotineira e isolada; esses dois personagens são mais um meio para um fim desconhecido do que uma resposta definitiva para o destino de Pauline. O filme não oferece essa resposta no final, o que cumpre seu objetivo, que é rever velhos conceitos, se ver livre de sua zona de conforto e encarar uma vida cheia de possibilidades.

Trailer: 


Escrito por Michelle Araújo Silva

 

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