Novidades

[News]Espetáculo "Trinta Anos Esta Noite ou o Espelho Negativo" mergulha nas vivências, dores e reflexões de Dulce Muniz

ESPETÁCULO “TRINTA ANOS ESTA NOITE OU O ESPELHO NEGATIVO” MERGULHA NAS VIVÊNCIAS, DORES E REFLEXÕES DE DULCE MUNIZ

 

A trajetória da atriz e a sua relação com a Fibromialgia se entrelaçam nesse solo teatral que busca entender o presente e unir-se ao coletivo

 

https://lh3.googleusercontent.com/7ggSssmw8IKTIJNiH0VfIT-9yJjHaVFx7GymIwY6k0NahSPMDOfMUrX6PIOmfwBYb_SPr8_TqXQbfLUbvDtD0TNBPKEiGe-6BEI9GXWfdwuXEzrYOOzUFhj8swv-Xypm8R7nmHM

Dulce Muniz em cena - Foto: Reprodução/Teatro Studio Heleny Guariba

 

A atriz Dulce Muniz, artista importante na luta contra a ditadura, traz a potência do teatro para o universo online ao transitar entre dores pessoais e institucionais - acompanhada de um violinista e músicas tocadas na vitrola


 

A semana que se divide entre o final de março e o começo de abril abre espaço para a apresentação online do espetáculo “Trinta Anos esta Noite ou O Espelho Negativo”, com Dulce Muniz. O espetáculo, gravado, fica disponível ao público às 19 horas entre 28/03 a 02/04, pelas redes sociais do Teatro Studio Heleny Guariba.
 

No solo, a atriz descreve a relação dela com o diagnóstico de Síndrome de Fibromialgia e transita por momentos marcantes de sua vida que conversam com a história da sociedade brasileira.

 

Em 2005, Dulce Muniz foi diagnosticada com a síndrome que provoca dores intensas nos músculos, tendões e ligamentos. Além disso, a Fibromialgia pode gerar sintomas como fadiga, insônia e também depressão. O primeiro passo foi buscar por conhecimento e também por ajuda: entrou para um grupo coordenado pela psiquiatra Dra. Neuza Steiner e conheceu outras mulheres com histórias para contar sobre a doença.

 

No mesmo ano, concebeu e estreou “Trinta Anos esta Noite ou O Espelho Negativo” no dia 12 de maio, Dia Mundial de Combate à Fibromialgia. As dores que passam pelo corpo vão além daquelas sentidas por Dulce. No monólogo, a atriz coloca como tema central a dor feminina, com todas as suas manifestações e simbolismos - é uma doença majoritariamente de mulheres. Há ainda a dor em perder pessoas queridas durante o período da ditadura militar: “Essa dor da ditadura, do corpo ausente, mutilado, violentado… tudo isso me afetou muito”, afirma.

 

Ainda perpassa por sua biografia a história dos indígenas e dos escravos, formando uma linha do tempo que escancara problemas estruturais e leva o público até os incômodos e as problemáticas do mundo atual, em meio à pandemia da Covid-19.

 

Desde a infância até os dias de hoje, com 73 anos, a atriz conta a sua história com o intuito de compartilhar e levar para o coletivo suas reflexões. Em um cenário composto por uma mesa pequena, uma cadeira, um cabideiro e uma vitrola, Dulce encena no palco uma vida que é dela e também é do Brasil. Os discos, fitas e CDs que incluem artistas como Chico Buarque e Billie Holiday embalam uma trilha sonora que comenta e contextualiza o texto de Dulce Muniz. Além disso, o músico e ator Beto Kpta completa a sonoridade da peça.

 

O tom memorialista é presente no espetáculo, mas a atriz não se limita a isso e lança um olhar crítico sobre a maneira de lidar com a vida e sua arte: “Lembrar o passado, refletir o presente e projetar o futuro. O ‘meu tempo’ é esse, estou viva”, finaliza Dulce. Entre a ressignificação da sua relação com a doença e suas experiências pessoais, a autora de “Trinta Anos esta Noite ou O Espelho Negativo” traz ao público um convite ao pensamento coletivo e à exaltação do ato de contar histórias.
 


A trajetória de Dulce Muniz
 

A atriz fez do teatro a sua luta. Nascida em São Joaquim da Barra/SP, teve os seus primeiros contatos com a literatura e as artes cênicas pelas experiências escolares e pela observação atenta àqueles que a cercavam, com seus gestos e manias.

Viveu o Golpe de 1964 ainda no interior, mas veio para São Paulo no ano de 1968 para estudar - ainda mais - sobre teatro e participar da oposição aos militares pela arte e militância: “É isso que me levou ao teatro: lutar contra a ditadura”, afirma Dulce.

Quando chegou na capital de São Paulo, participou do curso de interpretação do Teatro de Arena e foi aluna de Heleny Guariba, desaparecida até hoje após ser presa pela ditadura em 1971. Junto do grupo formado no Arena, apresentou a peça “Teatro-Jornal 1ª Edição”, com direção de Augusto Boal.

Após passar por outros palcos e trabalhar também na televisão, Dulce inaugurou o Teatro Studio 184 no ano de 1997. Em 2013, o teatro localizado na Praça Roosevelt ganhou o nome de sua ex-professora, tornando-se o atual Teatro Studio Heleny Guariba, onde Dulce apresentava presencialmente, antes da pandemia, o espetáculo de sua autoria “Trinta Anos esta Noite ou O Espelho Negativo”.

Este projeto é contemplado pela Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc (Edital Proac Expresso Lei Aldir Blanc Nº 36/2020), por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo e do Ministério do Turismo, Governo Federal.


SINOPSE
Acompanhada de um músico/ator, Dulce Muniz interpreta um texto que faz a relação entre momentos significativos de sua vida e a história mais recente do Brasil. Um solo teatral que aborda como tema a dor feminina, suas manifestações e simbolismos. Junto disso, a relação da atriz com a Síndrome de Fibromialgia se mostra presente e conduz o espetáculo por outras dores e experiências, como a tortura, desaparecimento de presos políticos e a vida de mulheres, negros e indígenas.

SOBRE A ATRIZDulce Muniz passou pelo Teatro de Arena e pela PUC-SP. Como atriz, participou de espetáculos como “Tambores na Noite”, “Antígona”, “Lua de Cetim” e “Iara Camarada e Amante”. Como diretora, esteve nos projetos “ Enterrem meu coração na curva do rio”, “Caixa de Retratos”, “Dia de Brinquedo” e outros. Foi indicada ao Prêmio Shell em 2003 na categoria Melhor Atriz pela performance em Antígona, de Sófocles, e ganhou diversos prêmios, entre eles o da Cooperativa Paulista de Teatro por sua contribuição e militância (2016)e o da Banda Redonda por sua trajetória. Recebeu também o título de Cidadã Paulistana por uma iniciativa da Vereadora Juliana Cardoso.

FICHA TÉCNICA

Autoria, Estudos, Pesquisas e Concepção: Dulce Muniz

Orientação Médica e Psicanalítica: Dra. Neuza Steiner

Músico: Beto Kpta

Operador de Som: Leandro Lago

Operadora de Luz: Cristina de Cássia

Cenários e Figurinos: Dulce Muniz e Leandro Lago

Trilha Sonora: Dulce Muniz e Leandro Lago

Gravação , Edição e Transmissão : Luciana Ramin

Produção e Administração: Dema de Francisco

Direção Geral: Dulce Muniz

 

SERVIÇO

“Trinta Anos esta Noite ou O Espelho Negativo”, com Dulce Muniz


Quando: 28, 29, 30 e 31/03; 01 e 02/04.
Horário: Domingo a sexta, às 19h. Pelo Youtube e Facebook do Teatro Studio Heleny Guariba.
Duração: Aproximadamente 40 minutos

Classificação: A partir de 12 anos

Gratuito

PR/Canal

Nenhum comentário