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[Crítica] A Ponte de Bambu

 

Sinopse:

Uma incógnita a olhos ocidentais, a China é um gigante que se impõe pelas barreiras do idioma, dos costumes e da história. Com testemunhos e imagens de valor histórico e sentimental, o jornalista Jayme Martins e sua família levam a uma compreensão da China por vias inéditas ao relatar sua experiência no país: o comunismo, a Revolução Cultural de Mao, o massacre da praça da Paz Celestial e as reformas que culminaram em uma superpotência. O diretor Marcelo Machado mergulha nessas memórias e visita o país, onde igualmente guarda conexões afetivas.


                              O quê eu achei?

O diretor Marcelo Machado (Tropicália, Com a palavra, Arnaldo Antunes,O piano que conversa, entre outros)nos entrega um interessante documentário sobre a família de Jayme Martins e de sua família que vivem entre a China e o Brasil há meio século.

Como todos sabem, o bambu, além de ser o alimento dos ursos pandas, é nativo da China mas nem todos sabem que ele pode ter a conotação de fragilidade e instabilidade. Na interpretação dos sonhos, uma ponte de bambu pode ter o significado que quem sonhou ainda não está pronto para fazer a travessia mas que, se trabalhar com afinco, terá a oportunidade de cruzar para o outro lado. Esse é o grande simbolismo dessa história;

Há 58 anos atrás, em 1962,o patriarca da família Martins, Jaime,um jornalista e radialista, viajou para a China (na época, ainda super fechada para o mundo exterior) como membro de um grupo de ``especialistas estrangeiros`` com sua esposa e criou suas duas filhas, Raquel e Andréia. As meninas cresceram falando apenas mandarim e só aprenderam português quando se mudaram para o Brasil, anos depois.

Hoje Andréia e Raquel trabalham como intérpretes e trabalham no relacionamento de várias empresas brasileiras com chinesas e vice-versa. O documentário mostra como a família Martins viveu entre dois mundos durante várias décadas, passando desde a Revolução Cultural em 1966 a 19766,passando pela ascensão e decadência do maoísmo e pelo massacre da Praça da Paz Celestial em 1989 e pelo crescimento do mercado e da economia do país.

Entre idas e vindas, acompanhamos o crescimento das filhas, de como eram forçadas a vestirem e se comportarem como chinesas, embora fossem sempre vistas como brasileiras e pela ideologia de Jaime, que é um defensor ferrenho do socialismo à moda antiga. Vemos imagens de arquivo que são raridades e no final do filme, o diretor apresenta alguns relatos de outros filhos de imigrantes durante uma reunião em Pequim para comemorar suas memórias. É um relato fascinante sobre esses dois mundos que embora sejam distantes, nem são tao diferentes assim.

                               Trailer:



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