30 junho 2018

[Crítica Musical] Shawn Mendes: The Album

Shawn Mendes finalmente lançou seu terceiro álbum de estúdio. O trabalho leva seu nome e conta com 14 faixas inéditas, e conta com produção de John Mayer e Ed Sheeran em algumas faixas, além de serem creditados com co-compositores aqui e ali. 
O sucessor do hitmakerIlluminate” mostra um amadurecimento notável tanto na sonoridade das faixas quanto na voz e no uso dela por parte de Shawn Mendes, e um estilo muito mais coeso e pessoal. Contudo, algumas faixas ainda soam como algo já feito, e que foi apenas melhorado em alguns pontos – não desmerecendo, mas faltou um pouco de ousadia.
O álbum possui duas participações que valem a pena comentar. Na faixa “Like To Be You”, produzida por John Mayer, a participação fica por conta de Julia Michaels, mas não cumpre com o seu papel de forma muito satisfatória. A faixa é muito boa, mas a participação dela não acrescentou muito. A outra participação está na faixa “Youth”, onde Kahlid divide os vocais com Mendes. Já está faixa talvez seja uma das melhores do álbum. A voz de Kahlid e Mendes conversam muito bem. 
No geral, o álbum parece tratar sobre a juventude, a fase da adolescência cheia de descobertas, atrevimentos, erros e aprendizados. Relacionamentos rápidos e paixonites são cantadas em faixas como “Nervous” e “Where Were You In The Morning?”, que dão o aspecto mais jovial ao álbum; mas também questões mais sérias são trazidas a tona. A faixa que abre o álbum, “In My Blood” trata de como lidar com a ansiedade – problema com o qual o cantor lida -, e a já comentada “Youth” faz um paralelo com o atual momento social, onde casos sobre morte de jovens estão aparecendo cada vez mais nos noticiários. 
O estilo musical continua com o R&B que Mendes já vem produzindo há algum tempo, sendo que agora seguindo um caminho um pouco diferente. Alguns elementos foram adicionados, e o uso de instrumentos acústico – e não adições de sonoridades eletrônicas – fazem esse álbum se destacar um pouco mais do pop atual. Contudo, apesar de ser um álbum bem coeso, a algumas faixas falta o impacto ou o carisma, e acabam por passar despercebidas. “Lost In Japan” é uma das faixas mais gostosas de se ouvir, com um quê de funk, que poderia ter sido mais aproveitado em todo o álbum.
As baladas, tão típicas dele, também marcam forte presença neste álbum, e “Perfectly Wrong” talvez seja a mais poderosa, sonora e vocalmente, que esse álbum possui – e talvez a melhor do álbum para mim. 
Apesar do álbum estar muito melhor e mais maduro que os anteriores, parece que ainda falta um pouco mais de personalidade, talvez pela quantidade imensa de compositores e  produtores; falta um pouco mais de alma e profundidade no conjunto da obra. O álbum é linear, diverte, distrai, mas não impacta como um todo – para mim, algumas faixas poderia até não estar no álbum. A aparente história que a ordem das faixas contam, como um amadurecimento mental e emocional durante a adolescência, tão cheia de imaturidades e conceitos vazios, dão até um certo charme ao álbum, mas nada que seja tão marcante.
O álbum vale ser ouvido e mostra que Shawn Mendes vem crescendo a cada lançamento, mas ainda há um longo caminho para apresentar uma sonoridade mais única.

Tracklist:
01. In My Blood
02. Nervous
03. Lost In Japan
04. Where Were You In The Morning?
05. Like To Be You (feat. Julia Michaels)
06. Fallin' All In You
07. Particular Taste
08. Why
09. Because I Had You
10. Queen
11. Youth (feat. Kahlid)
12. Mutual
13. Perfectly Wrong
14. When You're Ready

Shawn Mendes - In My Blood

Music video by Shawn Mendes performing In My Blood.
© 2018 Island Records,
a division of UMG Recordings, Inc.

Nenhum comentário

Postar um comentário