12 junho 2018

[News] Grandes álbuns do maior acervo da música brasileira agora disponíveis digitalmente - 12/06

Nada menos que oito álbuns do grande sambista Jair Rodrigues, que nos deixou em 2014, se destacam no pacote de lançamentos da Universal Music, que continua repleto de álbuns clássicos e especiais. Títulos como "Orgulho de Um Sambista" e "Serestas & Serenatas" chegam pela primeira vez ao formato digital, em plataformas como Spotify, Deezer, Apple Music e muito mais. Além do grande Jair, o grupo pernambucano Quinteto Violado e o cantor mineiro Tunai também são reverenciados com cinco relançamentos, cada um. Entre os títulos, o pacote traz discos de Caetano Veloso e de Gal Costa dedicados a material raro. Em "Cinema Olympia - Caetano Raro & Inédito", o baiano aparece em faixas como "Baby" e "Marcianita", gravadas com Os Mutantes. Gal, por sua vez, tem músicas como "Modinha para Gabriela", feita para a novela Gabriela, e "Sua Estupidez", registrada apenas em compacto, reunidas no álbum "Divina, Maravilhosa". Contemplando todos os gêneros, nomes como Zélia Duncan, Silvio César, Dominguinhos e Fábio Júnior, em seu (ainda) pouco conhecido disco de estreia, também marcam presença. Entre os destaques, tem ainda Vinícius Cantuária (no trabalho que lançou o hit "Só Você"), Claudette Soares (com "Você", em que canta Roberto e Erasmo, Gilberto Gil e Dorival Caymmi) e Walter Wanderley, um dos músicos brasileiros mais bem-sucedidos no exterior, festejado com dois títulos ("Sucessos Dançantes em Ritmo de Romance" e "Eu, Você e Walter Wanderley"). Já Zeca Pagodinho é celebrado com a compilação "Zeca Pagodinho ao Vivo com os Amigos", em que divide o microfone com nomes como Jorge Ben Jor, MPB4, Martinho da Vila e o saudoso Almir Guineto. Fechando essa lista de primeira, a cantora piauiense Lena Rios é lembrada com o compacto "Sem Essa, Aranha", raríssimo trabalho que traz composições de Luiz Melodia, Raul Seixas, Hyldon e Torquato Neto. Um timaço.

AIR RODRIGUES - PISEI NO CHÃO
Grande cantor, Jair Rodrigues foi também um dos mais carismáticos da história da MPB. Basta ouvir a deliciosa "Beijinho na Boca", um dos destaques do álbum "Pisei no Chão" (de 1978), para comprovar toda a graça do artista. Mas ele também sabia fazer pensar, o que pode ser ouvido em "Saga do Negro", a contundente canção de Marku Ribas. "Só você não sabe / Que na boca da noite tem chicote trançado / Um canto calado que o medo calou", dizem os versos. O sambão "Gotas de Veneno", de Nei Lopes e Wilson Moreira, e a seresteira "Até Quando", de Jair Amorim e Evaldo Gouveia", também merecem destaque. E como 1978 foi o ano do estouro das discotecas, Jair entrou no embalo com as "Marchotecas", levando para as pistas um inusitado medley com "Onde Está Você", "Franqueza", "Eu Não Existo Sem Você", "Suíte dos Pescadores" e "Marcha da Quarta-feira de Cinzas".

Não deixe de ouvir: "Beijinho na Boca"


JAIR RODRIGUES - ORGULHO DE UM SAMBISTA
É com aquele sorrisão que virou sua marca registrada que Jair Rodrigues aparece na capa de "Orgulho de Um Sambista", álbum lançado em 1973. Entre sambas e chorinhos, o cantor desfila sua voz marcante por músicas de Gilson de Souza ("Sou da Madrugada", em parceria com Wando; "Carnaval Não Envelhece"; "Folia, Carnaval e Cinzas", essa com o próprio Jair; e a canção que batiza o disco), Paulo Diniz ("Estrela do Morro", com Edil Pacheco) e Jair Amorim e Evaldo Gouveia ("Terra Azul"). O lado sertanejo se faz presente com o belo registro de "O Menino da Porteira".

Não deixe de ouvir: "O Menino da Porteira"


AIR RODRIGUES - COM A CORDA TODA
O sambão "Se Deus Quiser" abre no maior pique o álbum "Com a Corda Toda", gravado por Jair Rodrigues em 1972. O título não poderia ser mais apropriado. O artista está mesmo "com a corda toda" em músicas como a faixa-título, "Me Achei de Novo", "Sapateia" e a divertida "Samba do Cafuné". O lado romântico também marca presença com "O Amor e a Rosa" e "Aniversário". Sempre inovador, o sambista ataca de forró com "Toca Direito Olegário" e cai no frevo com a animadíssima "Eu Também Vou". A faixa "Baby, Sou Brasileiro", de Sinhozinho, foi feita para celebrar o nascimento do filho do compositor, Gustavo Ribeiro, hoje também músico.

Não deixe de ouvir: "Baby, Sou Brasileiro"


JAIR RODRIGUES - MINHA HORA E VEZ
Em 1976, mesmo ano em que sua parceira Elis Regina estourava nas paradas com "Velha Roupa Colorida" e "Como Nossos Pais", ambas de Belchior, Jair Rodrigues também dava voz ao compositor cearense. A música escolhida foi "Galos, Noites e Quintais", um dos tantos clássicos do artista. Mas Jair não deixou o samba de lado. O gênero que o consagrou aparece em faixas como "Na Beira do Mangue", "Minha Preta", "Perdão Portela" e a bela canção que batiza o disco. No medley "Exaltação", ele reúne os clássicos "Aquarela do Brasil", "Brasil", "Rio de Janeiro (Isto é Meu Brasil)" e "Canta Brasil", costurados com manemolência pelo sambista. A valsa "Rosa", de Pixinguinha, ganha ares de seresta encerrando este marcante trabalho.

Não deixe de ouvir: "Galos, Noites e Quintais"


JAIR RODRIGUES - SAMBAS DE ENREDO NOTA 10!
Um dos principais nomes do samba, Jair Rodrigues não poderia deixar os sambas de enredo de lado. Em 1985, o cantor dedicou um álbum inteiro ao gênero. Em "Sambas de Enredo Nota 10!", ele passeia por clássicos que embalaram os desfiles das escolas cariocas. Da Portela, ele recria "Mulher à Brasileira", "O Mundo Melhor de Pixinguinha (Pizindin)" e "Contos de Areia". Da Mangueira, ele pinçou os hinos verde e rosa "O Mundo Encantado de Monteiro Lobato" e "Mangueira, Minha Querida Madrinha (Tengo Tengo)". Já do Salgueiro, marcam presença "Bahia de Todos os Deuses" e "Heróis da Liberdade". Tem também dois sambões da Imperatriz Leopoldinense, "O Teu Cabelo Não Nega (Só Dá Lalá)" e "Martin Cererê", e um da Beija-Flor, "Criação do Mundo na Tradição Nagô". Mas é da Mocidade Independente de Padre Miguel a faixa mais inspirada: "A Festa do Divino". Um desfile campeão.

Não deixe de ouvir: "A Festa do Divino"


JAIR RODRIGUES - COURO COMENDO
Com o título de "Couro Comendo" (tirado da faixa homônima composta por Ary do Cavaco em parceria com Otacílio), Jair Rodrigues mantém a qualidade de seu repertório no álbum lançado em 1979. Já na abertura, com "Porta é Pra Bater", ele entoa: "Pra que insistir? / Eu Não Vou Abrir / Você pode acordar toda a cidade". Na faixa "Pelés e Manés", de Chico Xavier, ele faz uma verdadeira crônica sobre a vida dos jogadores de futebol, famosos e anônimos. Roque Ferreira contribui com "Jeito de Paz", enquanto Neguinho da Beija Flor é um dos autores de "Gamação Danada" e a dupla Jair Amorim e Evaldo Gouveia assinam "Ela é Portela". Composta por Nei Lopes (em parceria com Everaldo Cruz), a bela "Maria da Glória" é uma das melhores músicas do disco. Um repertório de primeira.

Não deixe de ouvir: "Maria da Glória"


JAIR RODRIGUES - ALEGRIA DE UM POVO
Mais uma vez exibindo o sorrisão, Jair Rodrigues leva ao pé da letra o título de seu álbum de 1981, "Alegria de um Povo". A música homônima tem versos inspirados: "Eu sou a poesia / Eu sou o mensageiro / Também carrego a minha dor (minha dor) / Mas sou fiel e verdadeiro". E um desfile de grandes sambas anima os admiradores dessa inesquecível voz. São faixas como "Samba Popular", "A Dança do Ceará", "Tutú à Mineira" e "Meu Mundo" que fazem a alegria desse povo. A deliciosa "Dono de Buteco", de Almir Guineto, é um dos grandes momentos do trabalho, que traz ainda a presença do Rei Pelé, que assina (e divide os vocais com Jair) a tocante "Cidade Grande".

Não deixe de ouvir: "Alegria de um Povo"


JAIR RODRIGUES - SERESTAS & SERENATAS
Além de grande sambista - um dos maiores que já existiram -, Jair Rodrigues também se consagrou como seresteiro. No álbum "Serestas & Serenatas", que gravou em 2001, ele passeia por um verdadeiro desfile de clássicos, enaltecendo a influência de nomes como Carlos Galhardo, Silvio Caldas e Orlando Silva. Faixas como "Molambo", "Vingança", "Canção de Amor" e "Lábios Que Beijei" evidenciam o grande intérprete que Jair foi. Isso só para citar algumas. O repertório, extenso, passeia ainda por "Serra da Boa Esperança", "Carinhoso", "Ronda", "Gente Humilde" e "Cadeira Vazia", entre muitas outras pérolas do nosso cancioneiro.

Não deixe de ouvir: "Molambo"


QUINTETO VIOLADO - QUINTETO VIOLADO (1972)
Uma das grandes forças da música nordestina, o Quinteto Violado continua em atividade até hoje. A excelência de seu trabalho pôde ser comprovada já no álbum de estreia, de 1972, que tinha apenas o nome do grupo como título. Eles misturam clássicos como "Asa Branca", de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, e "Acauã", de Zé Dantas, com músicas próprias, a exemplo de "Freviola", "Sant'Ana", "Reflexo", "Imagens do Recife" e "Roda de Ciranda", mostrando total unidade. A recriação de "Vozes da Seca", também de Gonzagão (em parceria com Hervé Cordovil), é de arrepiar. O álbum traz ainda duas faixas bônus: os frevos "Grilo" e "Pinga Fogo", ambos gravadas com a grande Nara Leão.

Não deixe de ouvir: "Vozes da Seca"


QUINTETO VIOLADO - BERRA-BOI
Em "Berra-Boi", disco lançado em 1973, o Quinteto Violado reitera seu compromisso com a música nordestina. Com arranjos caprichados, eles passeiam por vários ritmos, como frevo ("Duda no Frevo") e ciranda ("Minha Ciranda"). Outros destaques são "Vaquejada", que abre os trabalhos com um tom épico, "Ladainha", "Engenho Novo" e "Dê Uma Noite de Festa". Grande parte do repertório é autoral, mas o grupo aproveita para homenagear Dominguinhos, regravando "Forró do Dominguinhos", que depois ganhou letra de Gilberto Gil e virou "Lamento Sertanejo".

Não deixe de ouvir: "Minha Ciranda"


QUINTETO VIOLADO - A FEIRA
Música de Gilberto Gil, "Procissão" se transformou em um dos grandes momentos do álbum "A Feira", que o Quinteto Violado gravou em 1974. O trabalho também traz uma recriação de "Ave Maria", do primeiro álbum solo de Caetano Veloso, de 1968. Do sempre presente Luiz Gonzaga, o Quinteto gravou neste trabalho "Assum Preto" e "Pau de Arara". E tem ainda uma das mais emblemáticas composições de Geraldo Vandré, "Disparada". Mas o disco inclui músicas do próprio grupo, como "Dona Aninha", "Terra Terra" e "O Bom Vaqueiro", sempre com arranjos inspirados.

Não deixe de ouvir: "Procissão"


QUINTETO VIOLADO - FOLGUEDO
Os álbuns do Quinteto Violado sempre primaram pela qualidade. Com "Folguedo", de 1975, não poderia ser diferente. O mestre Luiz Gonzaga, mais uma vez, marca presença. A escolhida foi "A Volta da Asa Branca", com um arranjo pontuado pela flauta. Mas as composições próprias dominam o trabalho. São faixas como "Roda de Ciranda No. 2", que abre o álbum na maior animação, "Rumo Norte", "Olé Menina", "Coisas Novas" e "Buruçu em Garanhuns". Já a música "Sete Meninas" é uma parceria de Toinho Alves, um dos integrantes do Quinteto, com o mestre Dominguinhos, que participa do registro.

Não deixe de ouvir: "A Volta da Asa Branca"


QUINTETO VIOLADO - PILOGAMIA DO BAIÃO
Com o título de "Pilogamia do Baião", o Quinteto Violado lançou mais um trabalho de qualidade em 1979, encerrando uma década de muito sucesso e prestígio. O álbum abre com a dançante "Numa Sala de Reboco", mais uma incursão pelo universo de Luiz Gonzaga. O grupo passeia ainda por músicas de Gilberto Gil ("Um Sonho"), Humberto Teixeira ("Kalú"), Jacinto Silva ("Gíria do Norte") e Jararaca ("Catirina" e "Do Pilar"). Já a divertida "Paluchiado da Cachaça" leva a assinatura do integrante Toinho Alves, em parceria com Roberto Santana.

Não deixe de ouvir: "Numa Sala de Reboco" 


TUNAI - TROVOADA
O compacto "Trovoada", lançado por Tunai em 1980, foi um importante cartão de visitas do músico mineiro, que àquela altura já se tornava em um dos autores mais disputados da MPB. Tanto que, além da faixa que batiza o trabalho (de frases espertas como "É que a minha trova é uma trovoada / E a minha voz relampeada /Ilumina e racha o seu colchão"), ele aparece interpretando "As Aparências Enganam", que - um ano antes - Elis Regina transformou em uma das mais emocionantes interpretações de sua carreira. Parceria de Tunai com Sérgio Natureza, a música traz versos fortes como: "As aparências enganam / Aos que odeiam e aos que amam / Porque o amor e o ódio / Se irmanam na geleira das paixões".

Não deixe de ouvir: "As Aparências Enganam"


TUNAI - ADEUS À DOR
No início dos anos 1980, um festival de música promovido pela TV Globo agitou o cenário brasileiro. Tunai foi um dos participantes do "MPB 81", que também contou com nomes como Guilherme Arantes e Marina Lima. O mineiro competiu com "Adeus à Dor", que acabou sendo lançada em compacto, que trazia ainda "Trovoada". Rapidamente, o artista marcava seu lugar na música.

Não deixe de ouvir: "Adeus à Dor"


TUNAI - TODOS OS TONS
Álbum de estreia de Tunai, "Todos os Tons" (de 1981) trazia músicas como "Trovoada" e "As Aparências Enganam", já lançadas em compacto. Composta em homenagem a John Lennon, assassinado no final do ano anterior, "Pra John" registra a indignação de tantos fãs como o próprio Tunai, em frases como "Da vida o que se levará / Será a morte que se deixará no ar / Na cor, na luz, nessa canção / E você, só fez se ver, John". Além do sempre presente Sérgio Natureza, o artista apresenta parcerias com Fernando Brant ("Rei") e Murilo Antunes ("Tabaco" e "Em Qualquer Estação").

Não deixe de ouvir: "Pra John"


TUNAI - EM CARTAZ...
O cantor Tunai invadiu as rádios e os programas de TV em 1984, com a romântica (e ultrapop) "Frisson", carro-chefe do álbum "Em Cartaz...". Com repertório inteiramente autoral, construído com parceiros como Sérgio Natureza, Mílton Nascimento e Ana Terra, o artista também recriou "Eternamente", música sua que Gal Costa registrou em "Baby Gal", disco lançado no ano anterior. Faixas como "Por Todos os Cantos", "Um Blues", "Mar do Nosso Amor" e, ainda, a que batiza o disco mantêm a alta qualidade do trabalho.

Não deixe de ouvir: "Frisson"


TUNAI - TUNAI (1985)
Com seu próprio nome como título, Tunai lançou mais um álbum inspirado em 1985, quando a MPB com sotaque pop dominava os veículos de comunicação. A dançante "Sintonia", dos versos "Te quero, pressinto, te desejo / Te beijo e vamos seguindo / Os nossos caminhos / Vão num destino só", esteve entre as mais tocadas do ano. Mas o disco trazia outras preciosidades, como "Mil Maravilhas", "No Ar...", "Amor Nas Estrelas" e "Tocando Corações", todas dele, sozinho ou com parceiros como Sérgio Natureza, Lula Queiroga e Liliane.

Não deixe de ouvir: "Sintonia"


CAETANO VELOSO - CINEMA OLYMPIA - CAETANO RARO & INÉDITO
A compilação "Cinema Olympia - Caetano Raro & Inédito" reúne faixas raríssimas gravadas por Caetano Veloso em compactos ou em álbuns de outros artistas, no período que vai de 1967 a 1974. Entre as faixas, o grande destaque é a presença de Os Mutantes em cinco números: "Baby", "Saudosismo", "Marcianita", "A Voz do Morto" e "É Proibido Proibir", esta última gravada ao vivo durante o III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, com direito ao discurso feito pelo cantor após receber uma "senhora" (e histórica) vaia. Músicas como "Yes, Nós Temos Banana", "Ai de Ti, Copacabana", "Barão Beleza", "Frevo do Trio Elétrico" e "Tudo Se Transformou", de Paulinho de Viola, outro registro ao vivo, reafirmam o ecletismo do baiano. "Cinema Olympia", mais conhecida na voz de Gal Costa, e "Charles Anjo 45", com a participação do autor Jorge Ben, também estão presentes. "Samba em Paz" e "Cavaleiro", do compacto simples que marcou a estreia de Caetano no mercado fonográfico, completam o baú de preciosidades.

Não deixe de ouvir: "Baby"


GAL COSTA - DIVINA, MARAVILHOSA
Além dos discos de carreira, Gal Costa gravou vários compactos e participou de muitos projetos especiais. Boa parte desse material está reunida no álbum "Divina, Maravilhosa", que traz - entre outras músicas - o registro original de "Vapor Barato", bem diferente da versão que marcou a carreira da diva baiana. Faixas como "Estamos Aí" (um frevo delicioso), "Modinha para Gabriela" (feita para a abertura da novela "Gabriela"), "Acontece" (de Cartola) e "Sonho Meu" (o clássico de Dona Ivone Lara em que ela dividiu os vocais com Maria Bethânia) são algumas das muitas surpresas do disco. A bela "Três da Madrugada", de Torquato Neto e Carlos Pinto, também se destaca no (longo) repertório. Vale ainda lembrar que a antológica interpretação de Gal para "Sua Estupidez", de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, foi lançada apenas em compacto. É por faixas como essa que a compilação "Divina, Maravilhosa" se torna indispensável.  

Não deixe de ouvir: "Sua Estupidez"


ZÉLIA DUNCAN - SORTIMENTO
Uma das cantoras e compositoras mais interessantes surgidas na década de 1990, Zélia Duncan sempre gostou de se arriscar. Em "Sortimento", álbum lançado em 2001, ela misturou nomes como Nando Reis (que assina a faixa que dá nome ao trabalho), Itamar Assumpção ("Por Que Que Eu Não Pensei Nisso Antes") e Arnaldo Antunes e Pepeu Gomes em parceria inspirada (com o hit "Alma"). Sozinha ou com parceiros como Rita Lee e Fred Martins, Zélia desfila seu talento como autora em músicas como a divertida "Chicken de Frango", "Eu Me Acerto", "Desconforto", "Hóspede do Tempo" e a doce "Me Revelar", que teve direito a clipe com a participação dos atores Cláudia Jimenez e Marcello Antony, além da própria família da artista. O disco traz ainda duas faixas bônus, com os encontros de Zélia com Herbert Vianna ("Partir, Andar") e com o Capital Inicial ("Eu Vou Estar").

Não deixe de ouvir: "Alma"


SILVIO CESAR - SILVIO CESAR (1972)
Na capa do álbum lançado em 1972, o cantor Silvio Cesar aparece curvado, como se estivesse agradecendo tanto sucesso. Nessa época, a sua popularidade estava no auge. Além da regravação de "Pra Você", maior hit de sua carreira, que já havia conquistado também as vozes de Elizeth Cardoso e Tito Madi, Silvio passeia por músicas de Carlos Lyra ("Só Choro Quando Estou Feliz"), Gonzaguinha ("O Sol na Minha Mão"), Milton Nascimento ("Sacramento", com Nelson Ângelo), Gilberto Gil ("Doente Morena", com Duda), os irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle ("Quem Viver, Verá"), Ivan Lins ("Encontro", com Otávio Bonfá) e uma rara parceria de Caetano Veloso com Roberto Menescal ("Cidade Pequenina"). Entre tantos nomes que marcaram a MPB, Silvio também gravou duas faixas de um nome pouco conhecido, Hugo Bellard ("Hoje, Talvez Amanhã" e a divertida "Julia, Julie", feita com João Luiz Biato). Como compositor, além de "Pra Você", ele contribui apenas com "Meu Testamento". É praticamente um disco de intérprete.

Não deixe de ouvir: "Julia, Julie"


DOMINGUINHOS - O FORRÓ DE DOMINGUINHOS
Entre os álbuns do mestre Dominguinhos, "O Forró de Dominguinhos" é um dos mais cultuados. Nesse trabalho, ele deixa o lado cantor para um afinado coro feminino e arrebenta na sanfona. Lançado em 1975, o disco traz vários medleys, mesclando clássicos do gênero com sucessos do próprio artista. Um bom exemplo é a faixa que abre os trabalhos, unindo "São João do Carneirinho", de Luiz Gonzaga, com "Só Quero Um Xodó". De Gonzagão, ele recria ainda "O Cheio da Carolina", "O Xote das Meninas" e "No Meu Pé de Serra", entre outras. "Sebastiana", de Jackson do Pandeiro, e "Coroné Antônio Bento", de João do Vale, também formam uma boa dobradinha. "Na Fugueira", um dos inúmeros clássicos compostos por Dominguinhos em parceria com Anastácia, é um dos destaques do disco. Outras músicas da dupla, como "Forró Tema", "Tenho Sede" (que aparece junto a "São João na Roça", de Luiz Gonzaga e Zé Dantas), "Lá e Cá" e "Forró em Petrolina", estão presentes.

Não deixe de ouvir: "Na Fugueira"


FÁBIO JÚNIOR - FÁBIO JÚNIOR (1976)
Uma verdadeira raridade. É o mínimo que se pode dizer sobre o álbum de estreia de Fábio Júnior, batizado com o próprio nome do artista e lançado em 1976. Boa parte do repertório é composta por parcerias do cantor com o mago Paulo Coelho. Com voz afinadíssima, ele mostra um lado mais roqueiro em faixas como "Tua Idade" (dos divertidos versos: "Eu vi você falsificando a caderneta da escola / Pra um cinema, esse grupo não cola"), "Nós, os Filhos", "Coisas de Agora", "Agora Chega", "Novos Tempos" e a densa "Já São Quinze pras 7", que abre o disco. Sozinho, Fábio assina "Qual é a Sua?" e "Vamos Nessa". A surpresa do repertório é a regravação de "A Noite do Meu Bem", de Dolores Duran, recriada com toda a delicadeza.

Não deixe de ouvir: "Tua Idade"


VINÍCIUS CANTUÁRIA - SUTIS DIFERENÇAS
Quando integrava a banda de Caetano Veloso, Vinícius Cantuária mostrou ao cantor uma composição sua, "Lua e Estrela". A música não só foi gravada, como virou um dos grandes hits do baiano. O nome de Vinícius acabou ganhando projeção e, em 1982, ele lançou o primeiro álbum. Dois anos depois, veio "Sutis Diferenças", um dos mais bem-sucedidos de sua discografia. Com sotaque pop, emplacou várias canções nas rádios, a exemplo de "Sílvia" e "Cheio de Amor". A faixa-título havia sido gravada por Gal Costa no ano anterior, no disco "Baby Gal". Do repertório de Caetano, Vinícius recriou "No Dia Que Eu Vim-me Embora". Já Chico Buarque participa de "Não é Bem Assim". Mas nada foi tão marcante como "Só Você", maior sucesso do disco, que também ganhou as vozes de Fábio Júnior e Fagner. Basta ouvir os primeiros versos ("Demorei muito pra te encontrar / Agora eu quero só você") que todo mundo canta junto.

Não deixe de ouvir: "Só Você"


CLAUDETTE SOARES - VOCÊ
Uma das grandes vozes de todos os tempos, Claudette Soares abria o álbum "Você", de 1974, com a bela "Proposta", de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, nomes recorrentes em seu repertório. Sempre eclética, mas sem nunca deixar o bom gosto de lado, ela vai de Sivuca e Humberto Teixeira ("Adeus Maria Fulô") a Gilberto Gil ("Preciso Aprender a Só Ser"), passando por Dorival Caymmi ("Vestido de Bolero") e Maurício Duboc em parceria com Carlos Colla ("Eu Ando Precisado de Encontrar Você"). Vale lembrar que o disco foi batizado com outra música da dupla Roberto e Erasmo, a tocante "Você", interpretada com emoção à flor da pele por essa grande diva.

Não deixe de ouvir: "Proposta"


WALTER WANDERLEY - SUCESSOS DANÇANTES EM RITMO DE ROMANCE
Músico nascido em Pernambuco, o grande Walter Wanderley fez sucesso internacional com seu som envenenado. No álbum "Sucessos Dançantes em Ritmo de Romance", de 1960, ele passeia por um repertório que vai de boleros, como "Perfume de Gardênia", à grande novidade da época: o rock, representado por faixas como "Quem É", "Oh! Carol" e "Baby Rock", tudo com sua marca pessoal. Walter também recria com seu órgão três clássicos de Dolores Duran, que morrera no ano anterior. São eles: "A Noite do Meu Bem", "Fim de Caso" e "Castigo".

Não deixe de ouvir: "Quem É"


WALTER WANDERLEY - EU, VOCÊ E WALTER WANDERLEY
Álbum lançado em 1959, "Eu, Você e Walter Wanderley" desfila por um repertório internacional. Com seu órgão, Walter Wanderley vai de "El Bodeguero" e "Calypso Italiano" a standards americanos, como "My Funny Valentine", All The Way" e "The Lady is a Tramp". O sambão "Beija-me" também ganha uma versão cheia de charme. "Vai, Mas Vai Mesmo", "Fascination", "Come Prima" e "Despedida de Mangueira", entre outras, completam o disco.

Não deixe de ouvir: "My Funny Valentine"


ZECA PAGODINHO - ZECA PAGODINHO AO VIVO COM OS AMIGOS
O sambista Zeca Pagodinho sempre gostou de estar próximo dos amigos. No álbum "Zeca Pagodinho ao Vivo com os Amigos", estão reunidos alguns dos (muitos) encontros que ele teve ao longo da carreira. Com a Velha Guarda da Portela, ele revive o belo samba "Lenço", dos versos "Pega esse lenço / Vai enxugar teu pranto / Já enxuguei o meu / O nosso amor morreu". Jorge Ben Jor, por sua vez, aparece recitando a Oração de São Jorge na faixa "Ogum", enquanto o MPB4 revive "Olé, Olá", o clássico de Chico Buarque, em inspirada dobradinha com Zeca. Nomes como Nei Lopes (em "Só Chora Quem Ama"), Dudu Nobre ("Velho Ditado") e o Grupo Revelação ("O X da Questão") também marcam presença. Ao lado de Martinho da Vila, o sambista recria "Mulheres". E o saudoso Almir Guineto surge em dois momentos: "Insensato Destino" e "Lama nas Ruas". Já a faixa "Griselda", em que Zeca divide os vocais com Arlindo Cruz e Sombrinha, foi feita especialmente para a personagem homônima vivida por Lília Cabral na novela "Fina Estampa".

Não deixe de ouvir: "Griselda"


LENA RIOS - SEM ESSA, ARANHA
Nascida no Piauí, Lena Rios é "filha" da Tropicália, movimento que influenciou sua trajetória artística. A estreia, com o compacto duplo "Sem Essa, Aranha", de 1972, é uma verdadeira joia rara. No repertório, ela dá voz a "Garanto", parceria de Luiz Melodia com Celio José. Já "Eu Sou Eu, Nicuri é o Diabo" leva a assinatura de Raul Seixas. "Verão Estrelado", por sua vez, marca o encontro de Hyldon com Mazzola. Mas é a faixa que batiza o trabalho, composta por Torquato Neto (com Carlos Pinto), a cereja desse bolo. Piauiense como a cantora, o poeta, jornalista e letrista integrou o time tropicalista, ao lado de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Tom Zé, entre outros, virando um nome fundamental da contracultura.

Não deixe de ouvir: "Sem Essa, Aranha"

Por Leonardo Alves

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