14 junho 2018

[Nerds & Geeks] A presença do futebol nas HQs

  No dia da cerimônia de abertura e do primeiro jogo da Copa Mundial de Futebol de 2018 (a anfitriã Rússia X Arábia Saudita)resolvi falar um pouco sobre a presença do futebol nas histórias em quadrinhos. Segurem-se firme e torçam para que o melhor time vença! 

A relação entre futebol e HQs é mais antiga do que você imagina. Na década de 40 o cartunista argentino, Lorenzo Mollas, criou mascotes para os times Fluminense Football Club (o Cartola, que simbolizava a elegância e a aristocracia da época) e o America Football Club (o Diabo, uma representação antropomórfica do capeta) e chegou a desenhar o Pato Donald vestindo a camisa do Botafogo no jornal última hora e o Popeye era usado como o símbolo do Flamengo. Somente o 1969, o cartunista Henfil criou o urubu. 


Nas décadas de 70 e 80, quadrinistas como Ziraldo desenharam personagens como o Super-Homem do time Esporte Clube Bahia que chegou a ser denominado de Tricolor de Aço e o Saci-Pererê do Sport Clube Internacional de Porto Alegre. Outro nome ilustre dessa época é Deodato Borges (pai do Mike Deodato, um brasileiro que desenha para a Marvel) criou a raposa para o Treze de Campina Grande, na Paraíba. No mesmo estado, na capital João Pessoa, o outro Botafogo adotou o Guarda Belo (o guarda florestal do Zé-Colméia da Hanna- Barbera) enquanto o Esporte Clube de Patos, no interior da Paraíba,também usa o Pato Donald.




O Brasil, sendo o país do futebol que é, tem vários casos históricos dessas duas formas de entretenimento populares no mundo todo. Vamos analisar alguns deles. 
Além do Menino Maluquinho e do Super-Homem de Aço, outra criação de Ziraldo é A turma do Pererê, publicada inicialmente em 1959 na revista O Cruzeiro. A turma apresentava o saci, um elemento do folclore brasileiro como personagem principal e seus amigos eram o índio, uma onça e um jabuti, animais da nossa fauna.
Em 1962, teve uma edição especial em que Pererê e sua turma resolveram organizar um campeonato de futebol. Curiosamente, essa edição foi lançada apenas alguns meses antes do Brasil conquistar o bicampeonato no Chile. Um compilado dessas histórias foi publicado no especial Copa do Mundo Disney lançada pela Editora Salamandra em 2002 e teve a segunda e a terça edições saíram até 2004

Na célebre Turma da Mônica, temos um dos poucos casos em que os personagens torcem para um time real: Cascão é corintiano, Cebolinha é palmeirense e o Anjinho é santista (faz sentido). 
Alguns jogadores como Ronaldinho, Romário, Zico, Sócrates,Falcão e o próprio Pelé entre outros, já deram as caras nos gibis da Turma da Mõnica e do Zé Carioca.


Aliás, por falar no Zé Carioca, ele sempre jogou futebol e na década de 70 quando surgiu o time Vila Xurupita F.C criado por Ivam Saidenberg, que acrescentou personagens como Afonsinho, Nestor e Pedrão. 
Quando algum personagem americano era lançado aqui- lembrando que os EUA não tem tradição de futebol- os autores nacionais inseriam o esporte na história. Por exemplo, nas HQs da Pantera Cor-de-Rosa, sempre havia a tradicional bola preta-e-branca nos cenários, sejam como item de decoração em quartos ou como itens á venda em lojas. 
Na história ´´O grande jogo´´ publicada na Pato Donald número 1252 vários vilões como Bafo-de-Onça e os Irmãos Metralha, disputaram uma partida em um presídio. No final eles decidiram jogar uma invenção tipicamente brasileira: futebol de botão. Foi épico!

Uma história publicada nos EUA foi O som da arena, publicada aqui na revista Wizard 12 em setembro de 2004, retratando a paixão nacional pelo esporte: apareceram várias cenas em que Cable observa um garoto mutante batendo uma pelada na praia e usando seus poderes para cabecear uma bola que vinha do alto.
Durante as próximas 4 semanas, até o dia 15 de julho, o país vai torcer, vai chorar e vai vibrar com os jogos. Que vença o melhor!


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