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[Crítica Festival É Tudo Verdade 2022] Retratos do Futuro


Sinopse: Antes da pandemia, a cineasta Virna Molina fazia um filme sobre a resistência das representantes das trabalhadoras do metrô de Buenos Aires, com a Covid-19, porém, o futuro distópico do qual o filme tratava se transformou em presente.

O que achei? Lançado em 2021, o documentário feito por Virna Molina faz parte da seleção do Festival É Tudo Verdade 2022.

A pandemia do Covid-19 afetou a vida de muita gente. Tivemos que nos adaptar ao “novo normal”, viver isolados, colocar em pausa nossos projetos e planos para o futuro, adotar novas rotinas e novos hábitos e isso foi um baque emocional e psicológico, principalmente porque nunca passamos por uma pandemia dessa magnitude em nossas vidas.

Com isso, tudo passou a parecer incerto e o medo e preocupação de nós mesmos e pessoas queridas serem vítimas da pandemia – seja pegando o vírus ou ser afetado por essa incerteza – também passou a fazer parte do nosso dia-a-dia tanto quanto o isolamento social e o uso de máscaras.

 
É isso que o documentário de Virna Molina tem como objetivo mostrar. Ela mesma teve que pausar seu projeto quando a pandemia atingiu o mundo, virando tudo de ponta cabeça.

As imagens em preto e branco em Retratos do Futuro não são lineares e tem um clima de futuro distópico cuja estética faz lembrar um pouco filmes como Metropólis de Fritz Lang (cenas desse filme estão presentes no documentário).

O documentário é experimental, existencial e intimista sobre esse “novo normal”. Mostra também o impacto social e político da pandemia, o cenário político da Argentina e da América Latina em geral e seu histórico de governos autoritários, opressão e violência. 
 

A ideia de Molina é interessante, mas é uma pena que se perde na narrativa. As imagens são tão não-lineares que o espectador se perde na mensagem que a diretora tenta passar. A narração é meio fria, como se tivesse sido feita em modo automático.

Retratos do Futuro peca pela abstração exagerada e falta de foco na forma como as imagens são montadas e a linha de pensamento é transmitida. A diretora tenta mostrar a melancolia mas acaba passando a ideia de apatia e resignação em frente ao cenário da pandemia. Até mesmo a tentativa de se fazer uma bonita homenagem à Marielle Franco passa batido em meio à construção confusa da narrativa. 
 
Trailer:
 
 

Escrito por Michelle Araújo Silva

 

 
 

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