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[Crítica] Não Nasci Para Deixar Meus Olhos Perderem Tempo

Festival de Documentários "É Tudo Verdade 2020".

Titulo: Não Nasci Para Deixar Meus Olhos Perderem Tempo.

Direção: Cláudio Moraes

País: Brasil

Idioma: Português

Sinopse: O acaso da carreira do compositor Zé Keti. O triste retrato do plenário do Congresso Nacional fechado em 1977. A dor de uma mãe que perdeu a filha de 15 anos atropelada. Os presidentes do Brasil, desde Castelo Branco. São personagens e cenários registrados pelo olhar aguçado e sensível do fotográfo Orlando Brito ao longo de 50 anos de profissão. Dos bastidores da política aos brasileiros do interior do país, Brito relembra experiências, fala sobre o papel do fotográfo e a dor de registrar a dor de alguém.

Orlando Brito conquistou seu nome com uma carreira longa de 50 anos, com cada foto contando histórias que ele relembra com muita emoção, é dele a icônica foto das botas militares no solo do Congresso Nacional, e também é dele a foto de um Sarney derrotado pela falha do plano Cruzado 2, mas também é dele a foto de um menino brincando em uma poça de água.

Mas aqui, pelos olhos da direção de Cláudio Moraes, com tantas histórias, temos pouco tempo para saborea-las, é tudo contado muito rapidamente, pulando de um lado para o outro, como quando é abordado o encontro com Zé Keti,e outras ilustres figuras do seu livro "Senhoras e Senhores", onde não nos deixa tempo para comoção que Brito tenta passar sobre a situação desses encontros. O mesmo acontece com a história da morte de Ulysses Guimarães, que segue no mesmo ritmo. A edição amassa o tamanho dos momentos vividos por Brito e não cria muito vínculo entre eles, como quando nos mostra o fotográfo cobrindo uma cerimônia religiosa sem muita explicação sobre o acontecimento.

O documentário acaba servindo apenas como uma portade entrada para se conhecer um pouco mais de Brito, e também seus projetos fora da imagem política, como as fotos tocantes de familias que perderam parentes para acidentes de carro, e também como gosta de transformar música em fotografia.

O gosto de "poderia ter havido mais cuidado" é bem forte na montagem e no roteiro, e o principal: faltou foco. A experiência de Brito durante a Ditadura seria valiosa para o documentário, mas os momentos que tenta expressar a gravidade do fechamento do Congresso e a história da fotografia de uma suposta descontração do Presidente Ernesto Geisel na praia, ficam presos na superfície.

Mesmo com boas intenções, ficamos apenas com meias histórias e belas imagens.


Texto por Yasmin de Carvalho


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