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[News]Para Lygia Bojunga: uma carta de amor e de reflexão para aquela que é uma das principais escritoras brasileiras

 

 

Para Lygia Bojunga, a mulher que mora nos livros

Autora: Ana Letícia Leal

 



 

Para Lygia Bojunga: uma carta de amor e de reflexão para aquela que é uma das principais escritoras brasileiras

Livro passa em revista a obra da autora de A bolsa amarela, enquanto reflete sobre o próprio ato de escrita e a construção do mercado literário no Brasil

 

Lançamento na Livraria da Travessa de Botafogo, dia 09 de agosto, terça-feira, às 19h.

 

 

Gaúcha de Pelotas, autora de 23 livros, Lygia Bojunga é não apenas uma das mais prestigiadas escritoras brasileiras vivas. É, também, reconhecida como uma das mais importantes autoras do universo infantojuvenil, em todo o planeta. Não à toa, foi a primeira pessoa fora do eixo Europa-Estados Unidos a ganhar o Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da literatura para crianças e jovens. Conquistou, também, o prêmio Astrid Lindgren 2004, criado pelo governo da Suécia para promover a literatura infantil — além de inúmeras outras láureas, mundo afora.  

Em 2022, há muitos aniversários envolvendo a autora: 20 anos da Editora Casa Lygia Bojunga; 20 anos de Retratos de Carolina; 30 anos de Paisagem; 40 anos de atribuição do Prêmio Hans Christian Andersen. E “as cerejas” do bolo: Lygia Bojunga completa 90 anos de vida e 50 de carreira literária, cujo marco inicial foi a publicação de Os colegas em 1972.  

 

Sua estreia com Os colegas, já foi repleta de brilho: os manuscritos vieram a lume, pela Editora Sabiá, após conquistar o prêmio do Instituto Nacional do Livro, no ano anterior. Mas talvez o maior reconhecimento pela obra de Lygia não esteja nos prêmios, e sim na forma como seus personagens e narrativas têm habitado o imaginário afetivo de diferentes gerações. Quem aí não carrega consigo uma bolsa amarela, afinal?

 

E é partindo justamente desse lugar — o de uma autora decisiva para a formação de leitores apaixonados —, que emerge a Lygia Bojunga deste novo livro de Ana Letícia Leal. Um livro, porém, que vai se desdobrando em múltiplas dimensões, para desvelar não só uma Lygia Bojunga multifacetada, como também para refletir sobre as tantas e tantas faces do ato da escrita, em seu permanente e transformador contato com a vida.

Autora também premiada, Ana Letícia Leal escreve sobre e para Lygia. Misturando gênero epistolar, ensaio biográfico, autoficção e reflexão acadêmica, Para Lygia Bojunga, a mulher que mora nos livros é uma obra singular. Resultado da pesquisa de doutorado de Ana Letícia, não tem nada, porém, da sisudez dos trabalhos científicos.

Por outro lado, usa a trajetória de Lygia como fio para traçar uma reflexão sobre a própria construção do mercado de literatura infantojuvenil no Brasil. A partir da leitura comentada de cada volume publicado por Bojunga, emergem temas do universo literário, como o fomento governamental, o aspecto gráfico das edições, a formação do leitor, a especificidade da leitura literária e a entrada do novo escritor no mercado editorial.

Dessa forma, a crítica literária faz-se combinada com a narrativa biográfica de uma Lygia construída pela leitura de Ana Letícia. Uma terceira camada é autobiográfica, tratando da história da leitora, que, em criança, leu Os colegas e cresceu junto com a obra completa, pois, a partir de 1988, Lygia publica também para adultos. Mais ainda, costura-se do primeiro ao último capítulo a história da própria escritura de Ana. Uma história que vai revelando a complexidade, as dores e as delícias de quem não apenas se dedica à arte da escrita, como faz isso imerso nos desafios de seu tempo e país. Tal qual Lygia, tal qual Ana. 

 

TRECHO

Esta noite sonhei com você. A gente caminhava pela Real Grandeza, atrás de uma livraria grande que tem lá. A rua estava confusa, o trânsito, engarrafado, as buzinas eram estridentes e o sol batia forte. A gente andava à beça, mas não encontrava a livraria. Então, entrávamos num ônibus cheio. Havia uma epidemia de tuberculose no Rio e, nesse ônibus, todo mundo tossia. Eu ficava com medo de respirar e contrair o bacilo de Koch. Você não corria risco, claro. O engarrafamento não deixava o ônibus sair do lugar, e eu estava louca para chegar em casa quando acordei na quietude do meu quarto.

A barulheira das ruas, o trânsito caótico, a ameaça de doenças... Esse é o pesadelo da vida real, Lygia. E a livraria que a gente estava procurando é onde a gente poderia parar e respirar. Livrarias são intervalos necessários. A gente precisa ler. Hoje em dia, considero o livro a minha bala de oxigênio. É a literatura que devolve ar puro a meus pulmões. O que mais a gente pode fazer? Comecei a pensar assim há alguns anos, quando minha vida deu um curto-circuito e os livros me ampararam. As coisas que passavam a acontecer eram inesperadas e indesejáveis. Nada combinava com nada. A vida não fazia mais sentido e eu era um barco à deriva numa tempestade que parecia não ter fim. Eu estava sofrendo muito, Lygia. Foi então que passei a ler livros de histórias, com enredos bem armados, começo, meio e fim.

 

SOBRE A AUTORA

Ana Letícia Leal é doutora em Letras pela PUC-Rio, com tese sobre a obra de Lygia Bojunga. Publicou os livros Meninas inventadasPara crescer e Maria Flor, pela editora Escrita Fina, além de A gente vai se separar, pela Tinta Negra. Em 2007, foi finalista do Prêmio Jabuti na categoria Juvenil, com Meninas inventadas; em 2003, finalista do concurso Contos do Rio, do jornal O Globo, com o conto “Sem minha filha”. É também mestre em Comunicação Social pela PUC-Rio; especialista em Docência na Educação Básica, pelo Colégio Pedro II; bacharel em Comunicação Social, pela UFRJ; e licenciada em Letras pela Universidade Estácio de Sá. Por quinze anos, trabalhou como revisora de textos e ministrou oficinas de escrita criativa na Estação das Letras, Rio de Janeiro, entre outros cursos de literatura, leitura e escrita. Desde 2021, é professora de Língua Portuguesa na rede Faetec.

 

TítuloPara Lygia Bojunga, a mulher que mora nos livros

Autora: Ana Letícia Leal

Texto de orelha: Gustavo Bernardo (escritor, professor e doutor em Literatura Comparada)

Páginas: 224

ISBN: 978-65-84652-05-7

Dimensões: 15,5 x 22,5cm

Preço: R$59,90

 

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Site: www.editorarebulico.com.br

 

Serviço do lançamento:

Dia 09 de agosto, terça-feira, às 19hrs
Local: Livraria da Travessa - Tel: (21) 3195.0200
End.: Rua Voluntários da Pátria, 97 – Botafogo – Rio de Janeiro

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