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[Crítica] Eu e o Líder da Seita

 

Sinopse:

Em 1995, a seita apocalíptica Aum Shinrikyo, de Tóquio, cometeu o maior ato terrorista da história do Japão, matando treze pessoas e ferindo 6 mil em um ataque com gás sarin em três trens de metrô lotados da cidade. Atsushi Sakahara estava em um dos trens e sofreu danos permanentes em seu sistema nervoso por causa do ataque. Vinte anos depois, ele resolveu confrontar a seita. Depois de um ano negociando os termos do encontro, conhece e viaja com Araki, atual líder do grupo, e os dois têm uma longa conversa sobre liberdade religiosa, terrorismo e o dano causado pela Aum.


    O quê eu achei?

Sempre me interessei pela cultura japonesa e meu interesse foi recentemente reativado quando voltei a assistir animes. Quando li a sinopse desse documentário,soube que precisava conferi-lo.

No dia 20 de março de 1995,membros da seita Aum Shinrikyo (Verdade Suprema em japonês)um culto que misturava elementos dos budismos indiano e tibetano com o hinduísmo, jogaram gás sarin em um ataque coordenado em cinco trens do metrô de Tóquio, Houveram 13 feridos, 54 gravemente feridos e outras 980 foram afetadas(embora estime-se que o número de feridos possa ter chegado a 6.000,é difícil chegar a um número exato porque muitas vítimas preferiram não se identificar).Até hoje, é considerado o incidente terrorista mais mortal da história do país.

Entre todas essas vítimas estava o diretor Atsushi Sakahara;ele teve sequelas como danos no sistema nervoso e estresse pós-traumático.Vinte anos depois do atentado, ele decide enfrentar a seita e consegue convencer o atual líder Hiroshi Araki a se encontrar com ele pessoalmente.

Atsushi e Hiroshi começam sua jornada pelas instalações dos membros da seita em Tóquio-o mais simples possível, que lembrará aos fãs da saga Divergente como o lar da facção da Abnegação e ao longo do tour,Atsushi questiona Araki sobre as práticas, exigências e demandas da seita.Eles pegam o trem-bala até Quioto e depois outro até a cidade-natal de Atsushi.Eles começam a discutir princípios religiosos e descobrimos que suas inclinações terroristas derivam de interpretações equivocadas de conceitos do misticismo ocidental e do budismo indiano.Quais são as distinções entre liberdade religiosa e terrorismo?Araki acredita que o sofrimento do mundo é finito e que se estamos aqui para sofrer mais, alguém sofreria menos para compensar.-¨Mas você se sente responsável pelo sofrimento que a Aum causou?¨-Atsushi pergunta.

Eles conversam sobre suas juventudes,visitam a alma mater de ambos, a Universidade de Quioto,onde Araki viu o ex-líder da seita, Shoko Asahara, dar uma palestra pela primeira vez.Também passam pelo Monte Hiei, uma das montanhas mais importantes do xintoísmo, falam sobre a introdução do budismo ao Japão e visitam os pais idosos de Atsushi.

Quando o aniversário do ataque terrorista se aproxima.Atsushi acompanha Araki em sua tradicional cerimônia de colocar flores no túmulo de sua esposa e diz que espera que sua jornada o tenha encorajado a pensar independentemente e a se arrepender do ataque.Araki evita o pedido de desculpas e, mais tarde, o questionamento de Atsushi.

O guru do culto, Shoko Asahara e seis seguidores foram executados em 6 de julho de 2018. Os seis seguidores restantes no corredor da morte foram executados em 26 de julho de 2018. Araki ainda faz parte de Aum, agora se autodenomina Aleph, que continua a recrutar membros ativamente.

É uma reflexão sobre a dualidade do bem e do mal, do maniqueísmo, poder e das escolhas que fazemos.Ao mesmo tempo autoconsciente e determinado a permanecer dentro de sua bolha de culto hermeticamente selada, Araki exemplifica a psicose distorcida e irremediavelmente comprometida daqueles que se alistam em tais grupos, e o dano que suas decisões têm sobre si mesmos, seus entes queridos e muitas pessoas inocentes eles escolhem prejudicar em nome de uma causa maluca.

Assistido na cabine do Festival É Tudo Verdade.

                        Trailer:





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