24 setembro 2018

[Resenha] As Brumas da Avalon

Sinopse: Por séculos, as lendas arturianas povoaram o imaginário de leitores de todo o mundo. As brumas de Avalon é considerado por muitos a versão literária definitiva do mito e muitas gerações de mulheres se deixaram arrebatar pela escrita envolvente de Marion Zimmer Bradley. Pelos olhos de mulheres complexas e poderosas como Morgana das Fadas, Viviane, a Senhora do Lago, Igraine, Morgause e Gwenhwyfar, os reinos de Camelot e de Avalon são revisitados neste clássico, repleto de magia, sensibilidade e intrigas.

O que eu achei?
Sempre fui um amante de fantasia e procrastinei por muitos anos a leitura do clássico "AS Brumas de Avalon", mas ao me deparar com a edição volume único da coleção Minotauro da editora Planeta, não consegui resistir mais e tive que me jogar de cabeça nessa história que eu não consigo pensar em outra palavra para descrever além de "Fantástica"!

Sendo uma edição com quase mil páginas, pois reúne os quatro livros, vamos falar um pouquinho da cada um deles. E Senhora da Magia(volume 1) pode até parecer confuso se você está familiarizado com as trocentas histórias tanto em livros, como em filmes, contadas sobre o Rei Arthur, mas Marion Zimmer recria alguns elementos e adéqua outros para dar um tom ainda mais fantástico a história. 

No primeiro livro vamos conhecer Viviane, a Senhora do Lago. Uma sacerdotisa muito importante em toda a história, ela junto a Merlim vão até Igraine declarar uma nova profecia a ela sobre seu casamento e isso é algo que vai mexer com os nervos da mesma. Morgana das Fadas, filha de Igraine acaba sendo usada em toda a história, mas também tem seu ponto chave. 

Veremos nesse primeiro livro no ponto de vista de Igraine e Morgana o desenrolar da história e todo o processo de introdução. Achei fantástica a forma de escrita da Marion porque primeiros livros livros tendem a ter seu tom mais parado por conta de toda apresentação ao leitor, mas em Senhora da Magia ao mesmo tempo que somos apresentados ao mundo somos levados por momentos que contribuem para a trama e ainda temos um final que você fica com o clássico "ué??", mas o livro com certeza começa muito bem todo esse universo.

Na sequência da história, intitulada A Grande Rainha, se torna impossível não amar a Morgana. Ela inda toma a voz da história e vamos conhecer ainda mais da personagem do que já se imaginava. Veremos com seus olhares o que ela acredita e a diferença doe o quê ela foi emposta. Toda a evolução da personagem é algo que mais me cativou porque vamos acompanhar seus altos e baixos durante todo esse volume. Outra voz que teremos nessa etapa da história é a de Gwenhwyfar. Uma rainha que se casou com ninguém menos que o famoso rei Arthur, só que seu coração a coloca dividindo pensamentos com quem ela realmente está apaixonada que é Lancelote. 
De um lado temos um forte laço sendo criado entre o leitor e Morgana, em contrapartida temos Gwenhwyfar que uma personalidade muito forte, mas que acima de tudo é detestável por conta de seus pensamentos julgando tudo e todos, principalmente Morgana. 

Com o passar do tempo nesse segundo livro vemos ainda uma grande evolução por parte na autora. Nos quesitos de construção e  abordagem da história ela se supera em relação ao primeiro e você cria uma expectativa muito maior pelos outros dois livros que ainda estão para concluir a história. 

Seguimos para O Gamo-Rei, terceiro volume da história. Aqui a autora consegue sustentar a história no mesmo nível que ela conseguiu elevar A Grande Rainha. Em alguns momentos eu até considerei que ela estava subindo mais um patamar porque a história toma um rumo muito inesperado e você se depara com grandes vozes da história sem ter mais o que fazer, só apenas tendo que ver o pior acontecer pois estão de mãos atadas. E isso foi algo que deixa qualquer um maluco lendo. Toda essa experiência eu encarei como contribuição para o crescimento dos personagens e você percebe que o caminho para o final da história está ficando mais estreito e você se agarra a uma tremenda expectativa para a conclusão de tudo.


O Prisioneiro no Carvalho, conclusão de toda a história. E com certeza foi um livro que me arrebatou! A trama cegando ao seu desfecho vai seguir aquele estilo de chuva de revelações e nesse clima você que está lendo tem duas reações: 1)Sua reação com a descoberta de fato e 2)Sua reação vendo os personagens do livro sentindo esse impacto e sofrendo as consequências. 

A cada livro o sentimento por um personagem vai ficando mais intenso, mas o ranço que você sente da Gwenhwyfar é algo imutável. Ela é um ponto do livro que nos faz passar muita raiva, mas como algumas vezes a vida é justa, pode-se dizer que o que é dela está guardado... Morgana é uma das das melhores personagens que já vi, ela mentém sua determinação durante toda a saga e suas características foram algo que eu mais admirei. Com isso, posso dizer que a história fantástica (literalmente). O final deixa a desejar em alguns aspectos, você cria muita expectativas, mas a autora não vai correspondê-las no final.  

Fiquei apreensivo com o número de páginas e com medo de pelo tema medieval ser uma história maçante, detalhista e que fosse algo que iria me arrastar até o final. Mas felizmente não é nada disso. Toda a construção da autora ao longo dos livros para chegar num desfecho é algo muito bem construído, porque ela vai te deixando cada vez mais ansioso. Além disso, temos as críticas sociais da história que vai desde o papel da mulher na sociedade a religião e toda a questão de crenças e heresia. Com certeza é uma história que vou recomendar para os fãs de fantasia, mas um adendo que eu farei é que não leia os quatro livros em uma tacada só. Pode parecer difícil porque você vai ficar querendo chegar ao final, mas dar um intervalo entre um livro e outro era algo que eu gostaria de ter feito para eu mesmo ter dado uma respirada e absorver ainda mais os acontecimentos da história.


Por Leonardo Alves

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