[Resenha] Gritos No Silêncio

Sinopse: Os segredos mais obscuros não podem ficar enterrados para sempre…
Na escuridão da noite, cinco figuras se revezam para cavar uma sepultura, um pequeno buraco em que enterram os restos de uma vida inocente. Ninguém diz nada, e um pacto de sangue os une…
Anos mais tarde, Teresa Wyatt é brutalmente assassinada na banheira da sua casa, e, depois disso, mais mortes violentas começam a acontecer. Todas as vítimas têm algo em comum, e a detetive que encabeça o caso, Kim Stone, logo percebe que a chave para deter o assassino que está semeando o pânico na cidade é resolver um crime do passado.
Só o que ela sabe é que alguém esconde um segredo e está disposto a fazer qualquer coisa para que nada seja revelado.
O que eu achei?
Um assassinato de uma mulher em sua casa da inicio a uma investigação que vai desenterrar um passado monstruoso e que irá despertar muitos monstros que viviam no orfanato para meninas, onde apenas cinco pessoas sabem o que aconteceu lá. “Gritos No Silêncio”, de Angela Marsons é um thriller policial que nos apresenta a Detetive Kim Stone, que irá, com sua equipe, investigar mortes em série que estão acontecendo em circunstancias nada comuns, fazendo com que ela esbarre em um segredo enterrado dez anos antes.
A história é uma das mais ágeis que eu já li. Normalmente, livros que envolvem investigação criminal costumam ser muito minuciosos em suas explicações, de forma seca e impessoal. Explicações sobre movimentações entre locais e cenários também se fazem de forma excessiva as vezes, mas nesse livro, a sensação de constante movimento é ininterrupta. E o fato dos capítulos serem bem curtos, bastante objetivos e de uma narrativa fluida, auxilia muito na leitura.
As personagens são perfeitas – e não é exagero. A carga emocional é muito bem trabalhada, principalmente com a detetive Kim, que apresenta uma relação pessoal com o caso. Mas além disso, cada personagem tem seu brilho único, seu charme. Os diálogos são inteligentes, sucintos e sem toda aquela explicação científica difícil. Mas o que mais chama atenção é a ironia e o sarcasmo das personagens, mais especificamente – outra vez – da detetive Kim, criando momentos até mesmo divertidos em meio ao caos. Esse foi um dos poucos livros em que todos os personagens são interessantes e acrescentam mais brilho quando surgem.
O caso investigado no livro é extremamente complexo e amplo, e abrange muito mais que apenas um assassinato e intenções sombrias. Exitem muitos jogos políticos, interesses pessoais e motivações assombrosas. Existe uma crítica bem forte a politica dos orfanatos, visto que o do livro recebe as crianças problemáticas, que foram abandonadas de casa ou rejeitadas pela família. Nos é apresentado como a vida nesse local segue, e o quão vulnerável as já vulneráveis meninas estão nas mãos de pessoas que se aproveitam da falta de fiscalização e interesse, seja do governo ou da família das crianças. Vários pontos de investigação aparentemente desconexos, assassinos que não deixam rastros, muitas perguntas cujas respostas parecem inalcançáveis, e pessoas que estão dispostas a tudo para manter um segredo guardado: é nisso e em muito mais que essa investigação vai mergulhar.
A autora soube manipular muito bem os caminhos da história, fazendo com que o leitor suspeite de tudo e de todos. As revelações nos são dadas em doses homeopáticas, e não somos capazes de descobrir absolutamente nada até que a verdade esteja gritando na nossa cara. A escrita, como eu já disse, é fluida, objetiva e direta, sem enfeitar desnecessariamente.
“Gritos No Silêncio” é o primeiro livro da série lançado aqui no Brasil pela Editora Gutemberg, mas já possui oito título no exterior. Então, só me resta aguardar os novos caso da Detetive Kim e sua equipe – porque sem dúvidas eu vou querer ler livro por livro.


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