25 janeiro 2019

[Resenha] O Homem de Areia

Sinopse: Em uma noite extremamente fria em Estocolmo, um homem aparece sozinho e desnorteado em uma ponte. Quando ele é encontrado, a hipotermia já toma conta de seu corpo. Ao ser levado para um hospital, descobre-se que há sete anos ele foi declarado morto.
Seu assassinato foi creditado ao serial killer Jurek Walter, que foi preso há alguns anos pelo detetive Joona Linna e sentenciado a prisão perpétua em uma ala psiquiátrica. Enquanto investiga o aparecimento desse homem e tenta entender onde ele esteve durante os últimos sete anos, evidências desconhecidas começam a aparecer e influenciar o caso que já estava arquivado.
Com capítulos curtos e ritmo alucinante, O homem de areia é um thriller envolvente sobre os limites da maldade.

O que eu achei?
“O Homem de Areia”, de Lars Kepler foi o meu primeiro contato com a escrita do casal Ahndoril, e confesso que foi uma experiência cheia de altos e baixos, e alguns pontos que foram de extremo incomodo. Como a sinopse já detalha muito bem a história do livro e tudo o que ele aborda na questão da investigação, vou focar mais na experiencia de ler.
A escrita é simples, fluida e a história não perde tempo com explicações muito longas nem detalhamentos excessivos acerca da investigação – o que é um ponto positivo. Somos levados direto a ação e a busca por respostas. Os capítulos curtos dão um dinamismo muito bom para a leitura, deixando-a menos cansativa e de rápida evolução. Contudo, os capítulos também pecam pelo seu tamanho, visto que em alguns momentos eles encerram um capítulo e iniciam outro no mesmo cenário, apenas continuando a cena anterior em um capítulo novo – algo que me fe perder o ritmo e quebrar um pouco a tensão em alguns momentos.
Vale lembrar que a investigação segue as cegas por pistas frágeis e pouquíssimas informações – como um possível ajudante do serial killer Jurek Walter. E é aí que alguns problemas começam a surgir. O policial Joona Linna, desde o início das investigações, anos antes dessa história, já falava sobre a possibilidade de Jurek ter um ajudante em seus crimes – já que quando Joona e seu parceiro prenderam Jurek, uma figura, uma forma foi vista correndo para a floresta. Contudo, ninguém acreditou muito e nada foi encontrado.
O assassino, após condenado, fez algumas promessas de que pessoas iriam morrer, promessas que acabaram se cumprindo. Ainda assim, algumas pessoas, quando encorajadas a tomarem mais cuidado no dia-a-dia, agiam como se não fosse nada, “foi apenas coincidência”. Em vários momentos, a palavra de Joona é ignorada e desacreditada, e as personagens, mesmo as mais inteligentes, tomam decisões perigosas – o que fica claro que acontece para dar volume a história. Há uma ingenuidade que não cabe às personagens, nem ao contexto, o que me desagradou bastante.
Acredito que o que mais me marcou nessa história foi o uso e a proposta da maldade, dos crimes e dos limites da crueldade humana. A mente criminosa é bem trabalhada, e as motivações são bastante complexas. O jogo de identidades e as buscas por informações também são pontos altos da história. Algumas personagens se destacam muito mais do que outras. Mas, ainda assim, tudo se mantem numa linearidade onde ninguém rouba a cena de ninguém, e não há personagens realmente marcantes ou inesquecíveis.
“O Homem de Areia” acaba por ser uma história que não soube aproveitar muito bem todo o seu potencial, inclusive o de seus personagens, focando muito mais nas motivações e ações, além de traumas e histórias, explorando pouquíssimo. Até mesmo o serial killer está um pouco exagerado. No geral, é uma leitura rápida, interessante, mas que não me causou muito impacto.

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