22 outubro 2018

[Resenha] Mil Palavras

Sinopse: O namorado de Ashleigh, Kaleb, está prestes a partir para a faculdade e a jovem está preocupada que ele se esqueça dela. Então, em uma famosa festa de final do verão, as amigas de Ashleigh sugerem que ela mande uma foto nua para ele. Antes que possa mudar de ideia, Ashleigh vai para o banheiro, tira uma foto de corpo inteiro em frente ao espelho, e aperta a tecla “enviar”.
Mas o término do relacionamento do casal é ruim e, para se vingar, Kaleb encaminha a foto para sua equipe de beisebol. Em pouco tempo, a foto viraliza, atraindo a atenção do conselho da escola, da polícia e da mídia local. A pena ordenada a Ashleigh pelo tribunal é prestar serviço comunitário, e é onde ela conhece Mack, um jovem que oferece uma nova chance de amizade, e é o único que recebeu a foto e não olhou.
A aclamada autora Jennifer Brown traz aos leitores um romance emocionante sobre honestidade, traição e redenção, amizade e atração, e integridade, mostrando que uma imagem pode valer mil palavras… mas nem sempre conta a história inteira.

O que eu achei?

“Mil Palavras”, de Jennifer Brown é um YA que trata de um assunto taboo que muita gente conhece, mas ignora: nudes. Mas não apenas nudes, mas nudes entre adolescentes inconsequentes e imaturos.

Ash namora Kaleb, dois anos mais velho que ela, e num impeto de chamar a atenção de seu namorado que está prestes a ir para a faculdade e, atualmente, passa mais tempo com seu amigos do que com sua namorada, decide enviar uma foto de si, nua – decisão tomada sobre a influencia de bebida e incentivo de amigas. Problema um: Ash é menor de idade.

O relacionamento dos dois esfria, a distância e o ciumes surge, envenena e destrói a relação dos dois. Atitudes imaturas e palavras que são ditas no calor do momento surgem, e a raiva toma conta, e por alguns motivos, Kaleb decide enviar a foto para seus amigos. Problema dois: vingança.

A imagem viraliza, logo todos na escola já possuem a foto de Ash, e a situação ganha proporções catastróficas, afetando não somente a sua imagem, mas a sua vida e a de sua família, de formas que ninguém poderia sequer prever. Problema três: não pensar nas consequências.

Por ser um YA – e eu não ser muito fã do gênero – a linguagem do livro é bem simples, juvenil. O que me incomodou um pouco foi a tentativa de criar um mistério no início do livro com as típicas frases “se eu pudesse desfazer o que eu fiz” e “não sabia o que estava fazendo quando fiz”, e frases desse tipo, deixando o “ato” no ar – mas é tudo simples, já que a sinopse já deixa bem claro o que aconteceu.

As personagens adolescentes são todas – sim, TODAS – imaturas ao extremo, e há um excesso de ego em cada uma delas que chega a incomodar, além de dramas e superficialidades. Talvez seja típico do gênero – não sei, não li muitos para comparar -, mas de certo até que se encaixa na proposta. Outra vez, é um YA com um tema extremamente atual e que precisa dialogar com seu publico alvo de forma direta – e não vamos negar, a geração atual é meio assim também.

A temática do livro é interessante, atual e extremamente relevante levando em conta o mundo moderno, tão visual quanto o que vivemos. As situações a que Ash precisa passar, e suas consequências são brutais, mas são assim para que o leitor se coloque no lugar dela e pense se ter atitudes iguais realmente valeria a pena. Será que o outro, ou a outra, é realmente confiável?

Mas mesmo por ser relevante, o que me incomodou um pouco foi o excesso de culpa colocada sobre Ash e sua atitude, e alguma justificativas para culpá-la. Outro ponto que também me causou certo incomodo foi a falta de um diálogo interior mais forte, talvez por falta de apoio da família e dos amigos, não sei.

No geral, o livro é uma leitura boa, com uma temática que é preciso ser discutida com cuidado entre os jovens, mostrando os efeitos, as consequências e tudo o mais. A busca de por redenção e perdão – não perdão dos outros a ela, mas dela a eles – foi bem difícil, mas faltou um pouco de energia para a história realmente impactar quem está fora do público-alvo. Para os leitores de YA, o livro é perfeito. Mas para quem não tem o hábito de ler esse gênero, a leitura se torna distante. 

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