24 outubro 2018

[Crítica] O Termômetro de Galileu - 42ª Mostra Internacional

Sinopse:
Durante todo um verão a diretora Teresa Villaverde acompanhou o cineasta cult italiano Tonino De Bernardi e sua família na região de Piemonte, na Itália. Enquanto De Bernardi trabalha em projetos como uma versão de Electra, de Sófocles, estrelada apenas por moradores do vilarejo local, a diretora senta à mesa com sua família, senta no banco de trás do carro no caminho para a casa e escuta histórias contadas pelas pessoas que convivem com o cineasta.

O que eu achei?
O filme é um documentário bem intimista. Uma reunião de imagens, depoimentos e entrevistas acerca da família do cineasta italiano Tonino de Bernardi. O espectador se sente de fato dentro da família e de seus eventos. Filme repleto de cenas longas e estáticas, com diálogos do dia-a-dia, da residência da família e seus costumes, de histórias sobre pessoas comuns, seu passado e seu legado.
Em tom de amadorismo, Teresa Villaverde empresta sua visão à nós, expectadores, de uma forma delicada e bastante peculiar. Relatos de tempo de guerra, infâncias marcadas por tragédias e pequenas alegrias simples. 

No entanto, é um documentário direcionado aos conhecedores de De Bernardi, seus fãs e seguidores. Para quem desconhece seu trabalho e seus filmes, com certeza há de achar bastante monótono.


Poderíamos achar que a fotografia poderia direcionar o documentário para um lado artístico, uma vez que a região onde foi filmada é permeada de locais bucólicos, históricos e de grande beleza natural. Mas ao meu ver foi bastante negligenciada. Os ângulos de filmagem não são bem aproveitados, muitas vezes parece intencional que a cena em si seja cortada, mal focada. Mas não entendemos o sentido disso.


Há uma cena, por exemplo, em que a esposa de Tonino, Mariela, ajuda um dos netos a estudar. Embora demonstre que a família é unida, que estejam sempre ajudando uns aos outros, é muito sem sentido. Ela se perde, e ficamos sem saber qual foi o propósito daquilo. 

Por outro lado, depoimentos mais condizentes com o tema, como quando Tonino conta sobre o suicídio de seu avô, cheios de melancolia e questionamentos sobre a razão do ocorrido, que nos deixam quase às lágrimas. Percebemos o sentimento, a saudade e as dúvidas que enchiam a cabeça do rapaz, na época com 16 anos. 


Aos fãs e conhecedores do trabalho de Tonino De Bernardi, o documentário sem dúvida é bastante interessante e esclarecedor. Aos que desconhecem seu legado cinematográfico, ele se torna desconexo, cansativo e não atrativo.


Trailer:

Escrito por Ana Margareth

Nenhum comentário

Postar um comentário