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[Resenha] Santuário dos Ventos

Sinopse: George R.R. Martin, autor de “As Crônicas de Gelo e Fogo” e “Wild Cards”, e Lisa Tuttle reuniram seus talentos para presentear o leitor com Santuário dos Ventos, uma obra ambiciosa e emocionante, que, combinando ficção científica e fantasia, chega às livrarias pela LeYa. O romance, ambientado num planeta distante, conta a história de Maris e seu sonho de se tornar um dos voadores, grupo de habitantes mais prestigiado do Santuário dos Ventos. Para isso, recorrerá a tudo que estiver a seu alcance para conquistar as preciosas asas – abalando a sociedade em que vive e gerando uma série de novas questões morais entre os voadores e os “confinados à terra”. Afinal: quem merece ganhar os céus? E até que ponto a benção se torna também uma maldição?

O que eu achei?
O Santuário dos Ventos compreende três arquipélagos acessíveis somente por mar ou pelo ar, através do voadores, pessoas que possuíam pares de asas construídas em um passado longínquo, com artefatos deixados por antepassados. Os voadores são mensageiros do mais alto escalão, e suas asas são heranças dentro de suas famílias. Mas uma jovem, Maris, adotada por um dos voadores, decide ir contra todos as tradições e lutar pelo direito dela de possuir suas asas e ser uma voadora.
Maris luta contra as tradições que acredita ser injustas, indo contra tudo e todos pelo seu sonhos, além de oferecer direitos iguais para todos que sonhassem em ser voadores, quer sejam filhos de voadores ou de pescadores. Como os voadores somente passam suas asas para seus filhos, essa sociedade alada tornou-se fechada e arrogante em relação aos confinados à terra, dividindo-os como em classes sócio-econômicas, gerando antipatia entre as duas classes. A premissa, deste ponto, é extremamente interessante, mas infelizmente não soube criar uma história muito poderosa.
Os detalhes do voo, de fato, são lindos e envolventes. A forma como são detalhadamente explicadas as formas e técnicas de voo, incluindo os tipos de ventos e como aproveitar dele, e como eles interferem no voo, são incríveis, mas acaba aí.
As personagens são fracas e nada atrativas. De vez em quando aparece um personagem interessante de fato, mas logo caem ou no esquecimento, ou em uma repetição de hábitos e falas. A história se passa durante vários anos, mas ainda assim é possível ver que a mentalidade das personagens não mudou muita coisa no decorrer da história. Basicamente, eles envelheceram, mas não amadureceram, o que fica nítido nos diálogos. E esse é outro ponto que deixou muito a desejar. Os diálogos são fracos, sem muita emoção, e as vezes longos e repetitivos demais. Há muito esforço neles para provar uma teoria, uma atitude ou expor alguma emoção, mas fica tudo muito raso e falso.
A história não tem muitos momentos marcantes, seja por drama, ação ou alguma situação divertida. Ela é bastante linear, mas na forma como foi composta. Os acontecimentos são, sim, impactantes, importante, e de repercussões inimagináveis para o mundo do Santuário dos Ventos, mas a escrita falhou na hora de pesar a mão na intensidade dos conflitos e na exploração da personalidade de cada um envolvido. Acabou que se tornou uma aventura simples, sem momentos de tirar o fôlego – o que, nessa história, poderia acontecer o tempo todo. A escrita é simples e nada cansativa, e é possível manter a leitura por horas sem perceber, mas me causou um certo desanimo o desejo de algo tão grande quanto a história prometia.
E os pontos abordados nessa história são ótimo. A luta de uma simples menina de origem humilde por oportunidade igual a todos, sem distinção ou pré-requisito, indo contra um grupo extremamente poderoso e influente; as repercussões de uma liberdade que foi muito desejada por muitos, mas que não se imaginou, a longo prazo, o que causaria não só aos indivíduos, mas também a todo o Santuário dos Ventos; a mudança pessoa quando obtemos aquilo pelo que lutamos tanto e com tanta paixão; o preconceito com as pessoas que não são de uma linhagem “nobre”. São pontos que poderiam ser muito bem aproveitados, principalmente a política presente nesse meio, para criar uma história extremamente poderosa, mas que deixaram um sentimento de que, além dos problemas serem resolvidos muito rapidamente, tudo parece muito simples. Não há nenhum desafio real.
No geral, o livro serviu mais como um passatempo para mim, uma leitura que não me marcou nem me fez pensar muito sobre os temas abordados. 
 

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