19 setembro 2018

[Crítica] O Mistério Do Relógio Na Parede

Sinopse: Lewis (Owen Vaccaro), de apenas 10 anos, acaba de perder os pais e vai morar em Michigan com o tio Jonathan Barnavelt (Jack Black). O que o jovem não tem ideia é que seu tio e a vizinha da casa ao lado, Sra. Zimmerman (Cate Blanchett), são, na verdade, feiticeiros.


O que eu achei?
“O Mistério Do Relógio Na Parede” é uma fantasia com tons de dark fantasy infanto-juvenil inspirada no romance gótico de mesmo nome, do autor John Bellairs. O filme tem um ar bastante nostálgico, e remete muito as grandes fantasias dos anos 90, tanto pela ambientação quanto pela produção.

A história se passa alguns anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial - o que dá algum peso emocional para a história, além do de Lewis -, quando o jovem Lewis se muda para a casa de seu excêntrico tio Jonathan, após a morte de seus pais, sem nem desconfiar que sue tio e a vizinha, Sra. Zimmerman, são bruxos em busca de um relógio do antigo amigo de Honathan, o bruxo Isaaz Izard, que após a guerra se entregou a magia proibida e escondeu um relógio na casa de Jonathan, que toda noite badala e fica tique taqueando pelas paredes da casa.

O filme traz de volta a magia dos filmes clássicos de fantasia, unido a uma produção de arte lindíssima, capaz de agradar tanto ao público infantil quanto ao adulto. O elenco do filme está excelente, e não há um ponto negativo a se indicar nas escolhas e nem nas atuações. As crianças são carismáticas e comunicam-se muito bem com a proposta infanto-juvenil do filme, e são peça importantíssima para o desenrolar da história.
Os adultos são divertidos, dão o contrapeso de uma 'quase' maturidade ao filme, mas devo acrescentar que Jack Black e Cate Blanchett estão fantásticos nesse filmes. Black, que não é um dos meus atores favoritos – apesar de gostar de alguns filmes dele – chegou sem seus habituais exageros e maneirismos, se equilibrando num sarcasmo adulto e divertidíssimo com uma faceta de Blanchett que eu ainda não tinha visto sendo trabalhada nos filmes – mesmo sabendo que ela é uma pessoa mega engraçada, basta ver suas entrevistas. Esse casal platônico no filme funcionou perfeitamente, e é riso certo!

A magia desse filme também foi muito bem aproveitada, utilizando de referencias culturais e teológicas de línguas e símbolos, incluindo as Cristãs, e não como algo intrínseco, genético, mas como uma habilidade adquirida. Há uma mensagem muito interessante, e talvez até um pouco comum e clichê nos filmes com órfãos, mas que de certa forma funcionou bem no mundo lúdico desse longa, tanto do ponto comportamental da criança quanto para a magia: a sua 'estranheza' é o que te torna único e te dá força; é o que te diferencia.

Os vilões têm a sua missão, que é bastante original, mas apesar deles serem um pouco atraentes – no quesito de carisma -, talvez tenham sido pouco aproveitados, o mistério e a manipulação que eles fazem acabou se tornando um pouco obvia uma vez que você entende o caminho que o filme tá seguindo, e o que o mistério ao redor do qual a narrativa segue pretende.

O final, para mim, foi um tanto quanto preguiçoso e rápido demais – apesar de compreensível dentro da narrativa tanto fantástica quanto dramática do filme, mas eu esperava um pouco mais de complexidade. Contudo, o longa não deixa de ser divertido, encantador; um filme bastante moderno que evoca elementos clássicos capaz de entreter toda a família.

Trailer:

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