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[Divulgação] Psiquiatra e professor titular da UERJ compara o cinema com transtornos mentais

O livro “Cinema e loucura: conhecendo os transtornos mentais através dos filmes”, relata personagens de filmes clássicos e modernos que ajudam o leitor a compreender os mecanismos dos transtornos mentais. Ou seja, os personagens dos filmes são mostrados como exemplos clínicos dos transtornos mentais, criando uma obra de interesse não apenas aos estudantes de saúde mental, mas também aos leigos que se interessam pelo assunto. São discutidos, numa linguagem simples, 184 filmes.

Escrito em conjunto com Jesus Landeira-Fernandez, mestre em Psicologia Experimental pela USP e doutor em Neurociência Comportamental pela UCLA, o livro foi finalista do prêmio Jabuti 2011, na categoria de Ciências da Saúde. Até o mês de maio de 2019, foram vendidos mais de 12.700 exemplares.

Poucas áreas do conhecimento têm fascinado tanto a humanidade
como aquela voltada para o estudo da mente humana: é a mente
buscando compreender a si própria. A questão se torna ainda mais
fascinante ao se estudarem os transtornos mentais, situações em que
o funcionamento da mente encontra-se alterado. A complexidade dessa
área é tão grande que algumas pessoas chegam mesmo a acreditar
que o homem jamais conseguirá desvendar de forma plena os mistérios
que permeiam nossas funções mentais e as alterações associadas a
elas. Seria como tentar tirar os dois pés do chão puxando os próprios suspensórios, ou seja, algo impossível.
Os transtornos mentais fazem parte de nossa experiência diária.
Eles são muito mais comuns do que em geral se imagina. Dados epidemiológicos estimam que entre 30 e 40% dos brasileiros apresentaram pelo menos uma vez na vida um transtorno mental (Mello; Mello; Kohn, 2007). Dessa forma, inevitavelmente cada um de nós tem um vizinho, um amigo ou mesmo um familiar que já sofreu ou está sofrendo desse problema.
Os transtornos mentais podem ser altamente incapacitantes. Um
levantamento realizado pela Universidade Federal de São Paulo, em
parceria com o Ministério da Saúde, constatou que a maior parte dos
casos de licença para o tratamento da saúde no Brasil está relacionada a um diagnóstico psiquiátrico. Entre as 10 principais causas de afastamento do trabalho, cinco estão relacionadas a transtornos mentais, sendo a depressão a causa
número um.
Mas, afinal, o que é um transtorno mental? A resposta não é fácil. As dificuldades já surgem com a própria terminologia. Na área da saúde mental, o termo transtorno não tem um significado preciso. Ele é utilizado para evitar problemas ainda maiores inerentes ao uso de
palavras como doença ou enfermidade, empregadas quando se conhece a causa da patologia
– as alterações fisiopatológicas que explicam a anormalidade. A atual Classificação internacional
de doenças e problemas relacionados à saúde, que se encontra em sua 10a edição (CID-10,
publicada originalmente em 1992), contém 21 capítulos, dos quais o único que emprega o
termo transtorno é o relacionado à psiquiatria. Nos demais, a CID-10 utiliza a denominação
doença (Organização Mundial da Saúde, 1993).
O termo mente também é bastante controverso. Em geral a palavra é utilizada para descrever
processos psicológicos que atingem a nossa consciência, como motivações, emoções ou processos
cognitivos – incluindo percepção, memória, raciocício, ou qualquer outra função que permita a
aquisição de conhecimento, a resolução de problemas e a elaboração de planos para o futuro.
Para os primeiros filósofos – que viveram na Grécia Antiga – e principalmente para René Descartes
(1596-1650) – responsável pela inauguração da filosofia moderna –, corpo e mente representam
dois tipos distintos de substância. De acordo com essa perspectiva, denominada dualista, o
corpo é formado por matéria, enquanto a mente – ou a alma – é imaterial.

Já em sua última obra, lançada neste ano com o título “Woody Allen: seus filmes são mesmo autobiográficos?”, o psiquiatra trouxe à tona o fato de que, constantemente, o ator, diretor e roteirista Woody Allen relata que seu cinema não é autobiográfico. No entanto, fãs e jornalistas ainda questionam se isso é verdade.

Neste livro, Cheniaux analisa 50 filmes que Allen escreveu ou dirigiu, além de abordar diversos livros e artigos sobre ele e entrevistas que concedeu. O livro levanta pontos de convergência entre sua arte e sua história pessoal, deixando a cargo do leitor suas interpretações.

No prefácio, o jornalista e crítico de cinema, Marcelo Janot, escreveu: “Tão apaixonado por Woody Allen quanto por seu suposto alter ego das telas, Elie Cheniaux se debruça de forma minuciosa sobre a vida e obra do ator, diretor e roteirista para investigar até que ponto vão as semelhanças e diferenças. A decupagem criteriosa de seus 50 longas-metragens resultou em um trabalho revelador por parte do autor”.


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