16 dezembro 2018

[News] "Jah-vanear o que há de bom"

Produzido por BiD, Jah-Van traz releituras de canções de Djavan em ritmos jamaicanos e interpretadas por nomes como Seu Jorge, Ivete Sangalo, Criolo, entre outros. Projeto chega às plataformas digitais via Sony Music com clipe de “Sina”, faixa que traz Arnaldo Antunes e Rincon Sapiência, dirigido por Camila Cornelsen

Assista aqui: https://SMB.lnk.to/SinaYT

Ouça aqui: https://SMB.lnk.to/JAH-VAN

Fotos de Camila Cornelsen e Loiro Cunha: https://wetransfer.com/downloads/b14035cd70eb5b8d4d861cdb4750375720181213210319/7b85640afd5735e5b66943b81099db4a20181213210319/e01e0e 

Djavan tem as tranças, mas nunca balançou seus cabelos no ritmo do reggae. A voz calorosa, o suingue macio e cheio de soul, as letras de tons tropicais, tudo em seu trabalho sempre sugeriu uma aproximação com o gênero que Bob Marley e outros ajudaram a espalhar pelo mundo. Mas até então, seus caminhos foram outros, circulando soberanamente pela MPB com uma fina pegada de jazz. Para chegar à Jamaica, faltava sempre pouco, faltava um estalo, faltava que alguém dissesse...

- JAH VAN! Falei bem alto, de repente, do nada, num encontro de amigos, num domingo lá em casa - conta o músico e produtor BiD, que mora em São Paulo. - Depois, expliquei o que era aos meus parceiros musicais, Fernando Nunes e Kuki Stolarski, que estavam lá comigo. Tinha me vindo à cabeça a ideia de um disco em homenagem ao Djavan, todo com ritmos jamaicanos.

"JAH-VAN" – que chega agora à todas as plataformas digitais, e em breve no vinil, com versões cantadas por Seu Jorge, Ivete Sangalo, Criolo, Arnaldo Antunes, Fernanda Abreu, Zélia Duncan e Chico César, entre outros - foi gerado assim, no grito, mas levou um bom tempo sendo afinado até que chegar  ao mundo no tom perfeito. Afinal, tratava-se de rever a obra de um artista singular na história da MPB, conhecido, ao longo de mais de quarenta anos de carreira, pelo balanço elegante, pela sofisticação harmônica e pela narrativa poética. Tratava-se, sobretudo, de arriscar novas molduras para verdadeiras pinturas musicais, como “Samurai”, “Meu Bem Querer”, “Açaí” e “Lilás”.

- Assim que a ideia veio, pegamos o violão e começamos a testar as músicas do Djavan e anotar as que ficavam bacanas. Marcamos também as que teriam a batida mais pra trás do reggae ou mais acelerada do ska – explica Bid, idealizador e produtor do álbum, ao lado de Fernando Nunes, músico que acompanhou Cássia Eller e toca com Zeca Baleiro.- Algumas se encaixavam instantaneamente, outras não, pela quantidade de acordes, pela harmonia complexa ou porque soava forçado. Tínhamos que simplificar onde possível, tirar alguns acordes que não fossem descaracterizar a composição e deixar tudo mais “jamaicano”, mais simples, já que o trabalho de composição do Djavan é bem complexo e rico em acordes.

Primeiros traços desenhados, BiD e Nunes saíram, então, em busca dos intérpretes para o projeto. Um encontro na rua e uma rápida conversa com Arnaldo Antunes trouxeram o primeiro participante – de peso – para o disco. Outro esbarrão nas vizinhanças rendeu mais um convidado, Chico César.  Aos poucos, os produtores foram percebendo a força e influência que a obra do homenageado tinha em cada convidado, percebendo como Djavan fez parte e foi importante, musicalmente, na vida de todos. E assim a barca seguiu enchendo.

- Chamei o Rincon Sapiência porque estava curtindo o trampo dele e queria misturar os mais experientes com a nova escola. Depois veio o Dada Yute, que ainda gravou todos os backing vocals do disco, no estilo I-Threes, dando um sabor jamaicano pras canções.  Zeca Baleiro e Zelia Duncan, que ficou sabendo do projeto pelo Baleiro, também chegaram animados, assim como Seu Jorge e Black Alien – conta BiD. – Em determinado momento, sentimos que o projeto estava muito masculino, e que queríamos diversificar mais. Foi aí que Fernanda Abreu e Assucena, das Bahias e a Cozinha Mineira chegaram. Mas queríamos mais. Foi quando o Fernando (Nunes) chegou dizendo que tinha sonhado com a Ivete Sangalo e que ela queria participar. Eu disse pra ele correr atrás do seu sonho, e ele foi. De passagem por Salvador, conseguiu conectar Ivete, que topou cantar “Lilás”, canção que já tinha a voz de Ze Ricardo. Virou um duo.

Com repertório e convidados selecionados, a etapa seguinte foi aprimorar os arranjos (“Ouvimos bastante Bob Marley, sacando as levadas de bateria e baixo, foi uma grande influência para a gente”) e apertar o play das gravações, que tiveram o reforço de Thales “Lion Farmer” e Rafael Senegal, guitarra e teclados da veterana banda de reggae Leões de Israel.

- Respeitamos os acordes que não poderiam ficar de fora e sacamos alguns porque reggae tem poucos acordes. Depois tratamos de buscar, pra cada música, uma levada, um estilo, fosse lovers rock, roots, ska ou rock steady. Na hora da gravação, pedimos aos intérpretes pra que respeitassem a forma original do Djavan na primeira passagem, e dali em diante tivessem a liberdade de mudar o que quisessem, sem restrições, em suas próprias interpretações.

O resultado é o que se ouve em “JAH-VAN”. “Sina” e “Lilás” ganharam o vibrante tom do ska, conduzidas, respectivamente, pelas vozes de Arnaldo Antunes e Rincon Sapiência, e de Ivete Sangalo e Zé Ricardo. “Meu Bem Querer”, com Seu Jorge e Black Alien, e “Azul”, com Fernanda Abreu, receberam roupagem lovers rock, a vertente romântica do reggae, com uma categoria de fazer inveja ao saudoso Gregory Isaacs, ícone do estilo. E “Cigano”, cantada por Criolo, em parceria com o lendário grupo jamaicano The Abyssinians, ficou encantadoramente roots.

- Depois de tudo gravado, vimos que o material tinha ficado bem pop, bem radiofônico, capaz de cair bem em qualquer playlist. Afinal, as músicas do Djavan são hits e já carregam essa força por elas mesmas – resume o produtor.

A etapa final foi enviar o material para a Inglaterra para a mixagem de um especialista no assunto, o músico, produtor e arranjador Dennis Bovell, que já trabalhou com feras do reggae como Linton Kwesi Johnson, Alpha Blondy e U-Roy.

- Foi a escolha perfeita. A única orientação que passamos para ele era que queríamos um disco pra tocar nos bailes e na rádio – conta BiD, que viajou para Londres com a master. - Foram 11 dias de mixagem, todos em alto astral. Voltei realizado e muito feliz com o resultado.

Por Leonardo Alves

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