25 abril 2018

[Resenha] Diário de Uma Escrava


Sinopse:

No Brasil, todo ano, 250 mil pessoas desaparecem sem deixar vestígios. Desse total, 40 mil são menores de idade, dos quais um terço são meninas destinadas a fins sexuais. Muitas escapam ou são encontradas, contando histórias terríveis; outras nunca mais são vistas com vida. Laura foi raptada e jogada no fundo de um buraco por um completo desconhecido. Ela vê sua vida mudar, e passa a descrever com detalhes íntimos cada dia, cada ato, cada dor que o sequestro e o aprisionamento lhe fazem passar. Estevão é um homem casado e trabalhador, mas que guarda em seu íntimo uma personalidade psicopata. Ele percorre ruas e cidades se apossando da vida de meninas ainda muito jovens. Mergulhando fundo nessa fantasia, ele destrói vidas, famílias e sonhos, deixando atrás de si um rastro de dor e morte. Narrado em forma de diário, o livro acompanha os momentos mais cruciais da vida de Laura, período em que algo dentro dela também se modifica de uma forma inimaginável em busca da sobrevivência. Publicado originalmente na plataforma digital Wattpad, onde já teve mais de um milhão e meio de leituras, Diário de uma Escrava apresenta um retrato duro, cruel, abominável, mas infelizmente mais comum do que se imagina, no Brasil e em todo o mundo. A obra de Rô Mierling é, acima de tudo, um alerta para todas as mulheres. Através dele, a autora denuncia os diversos tipos de violência que muitas mulheres são obrigadas a suportar em silêncio e nas sombras da sociedade.

O que eu achei?
Sem dúvidas, o livro "O Diário de Uma Escrava", da autora Rô Mierling, lançado pela DarkSide Books, foi um dos livros mais dificeis de ler em toda minha vida.


O livro, que é em grande parte escrito em forma de diário, conta a história de Laura, a Ursinha, que está há quatro mantida refém de um homem a quem ela se refere Ogro. Ele a mantem em um buraco escavado na terra, debaixo de sua casa no campo, longe de tudo e de todos.
Ali, privada de todo o mundo exterior, Laura se vê entregue às mãos e vontade sádicas e cruéis do Ogro, que abusa dela de todas as formas possíveis, desde quando ela fora sequestrada, quando tinha apenas 15 anos de idade.


A história é cruel, perversa e crua! Não há medidas para a maldade nessas páginas, nem para as palavras, onde absolutamente tudo é explicado em seus mínimos detalhes, tornando a experiência de ler absurdamente angustiante em alguns momentos.


O livro, além de servir como um alerta a perversidade da mente humana e dos perigos que nos cercam, escondido por trás da face de um bom homem, faz uma dissecação minuciosa da mente de seus personagens principais. A autora nos mostrou como a mente deles funciona: como a jovem vítima se vê diante daquilo, como de sente e o que espera do futuro; o funcionamento da mente cruel do Ogro, que não vê limites em suas atitudes. Além disso, de forma assustadora, ela consegue ligar a vida dos dois além do cativeiro; além do algoz e vítima. Será que eles precisam um do outro?


A história do Ogro também é contada nesse livro, o que nos faz adentrar ainda mais em sua mente doentia e entender como ele escolhe suas vítimas e como age. É horrendo!
É extremamente assutador o quanto uma pessoa por ser manipulável com coisas tão banais quando em situações tão extremas como as relatadas. E mais assustador ainda é saber que isso tudo é real, e acontece mais do que imaginamos. A autora consegue relator de forma precisosa atos de sodomia, estupros de meninas, escatologia e humilhação, que são de embrulhar o estômago - e eu tive que parar a leitura em alguns momentos. 


Contudo, alguns pontos da narrativa deixaram a desejar. Alguns momentos pareceram um pouco artificiais demais durante a narrativas, principalmente os diálogos.
No geral, a história consegue ter um ótimo nível de suspense, uma escrita fácil de acompanhar e uma história assustadora, e me atrevo a dizer: com um desfecho que me deixou de queixo caído! Do tipo que você fica pensando sobre o que leu por dias seguidos. E mais: parte do final deixa em aberto pontos que dão indícios de uma sequência! (Será?)
Se você tiver coragem suficiente - e estômago forte -, atreva-se a ler esse livro urgentemente.


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