04 junho 2018

[Resenha] O Prazer de Ler

Sinopse:Compartilhando muito de sua vivência como leitora e escritora, Heloisa Seixas conta casos pitorescos e experiências pessoais que falam do prazer simples da leitura e que ajudam a revelar as diversas facetas do livro. Tomando-o ora como diversão, objeto de desejo e peça cheia de personalidade e alma, ora como ferramenta para conhecer mais sobre o amor, descobrir mistérios, entender livrarias e bibliotecas, salvar-se do isolamento ou de momentos difíceis. Com O prazer de ler descobre-se que o livro é para todos.

O quê eu achei ?
Esse pequeno livro é um dos mais curtos que já li, tem apenas 78 páginas. Mas como dizem por aí: qualidade vale mais do que quantidade. Nessa obra encantadora,a renomada autora Heloísa Seixas discorre um pouco da bibliofilia, sobre o que significa ser um leitor,como autores famosos e leitores comuns tem suas idiossincrasias. É dividido em 11 partes e vou falar um pouco de cada uma delas.

Na primeira,A maior diversão, ela fala sobre como o hábito da leitura é prazeroso e dá asas à imaginação. Outras artes, como a música, o teatro e as artes plásticas (escultura, pintura,desenho, etc) podem ser linguagens universais mas a leitura é a que mais permite exercitar a imaginação. Imaginar personagens, mundo novos,situações requer um esforço da parte do leitor e permite-nos entrar num mundo só nosso.Na segunda parte,O livro amado,menor seção, com apenas três páginas,ela menciona das idiossincracias-as peculiaridades que cada leitor tem com seus preciosos livros-como por exemplo, uma escritora que guardava seu berço em que dormira quando era bebê com com vários exemplares dentro e a autora também explica que a definição de livro amado é aquele te toca profundamente e deixa uma marca para o resto da vida. 

Na terceira parte,Doces arrepios,ela traça um panorama de livros considerados difíceis de ler, alguns por serem aterrorizantes, outros por serem demasiadamente complexos como clássicos densos e de ficção científica.Algumas dessas obras foram marcos na literatura mundial.Na quarta parte,Histórias com beijo no fim, Seixas relata sua paixão por histórias do século XIX, especialmente as de terror, como Mary Shelley e de romance, como Jane Austen e as irmãs Brontë. Cada uma delas foi marcante de sua própria maneira:para mostrar que mulheres também podiam escrever terror, como no caso de Shelley, que teve que mostrar a seu marido e aos amigos dele que o sexo feminino também sabe escrever terror-e Austen porque fez um retrato de sua época.

Na quinta parte, As obras-primas que poucos leram, Heloísa conta sua história de quando foi organizar uma coletânea para a editora Record, As obras-primas que pouco leram e se deparou com alguns clássicos que ela nunca havia lido, como O som e a fúria, de William Faulkner, que ela adorou e outros que fazem jus á fama de complexo como Moby Dick (esse eu li e assino embaixo que seja difícil e enfadonho)mas que deveriam ser mais conhecidos pelo público brasileiro.Em salvos pela crônica, ela fala sobre os cronistas que a influenciaram, como Carlos Heitor Cony e de como a crônica é um gênero literário eficiente para alcançar mais leitores. Na sétima parte,Um lugar de amor,a sensação de segurança, de plenitude ao adentrarmos um ambiente repleto de livros,nem precisa ser uma Saraiva Mega Store ou uma FNAC, pode ser um sebo ou uma biblioteca particular, que já nos sentimos num ambiente seguro, como se estivéssemos em casa.A livraria é um lugar que transpira amor:não existe sensação melhor do que se sentar numa mesa com seu livro recém-comprado e sentir o cheiro de livro novo enquanto começa a lê-lo.No oitavo capítulo, Livros com alma,Heloísa faz uma espécie de complementação do capítulo anterior pois fala como esses objetos parecem ter alma e como alguns sebos aparentam ser assombrados pelos espíritos dos escritores.

Em "O mistério na biblioteca" Seixas discorre como as bibliotecas são ambientes com uma magia própria, que representam o Universo porque parecem ser infinitas e conter todo o conhecimento do mundo.Bibliotecas célebres como Real Gabinete Português de Leitura e a Biblioteca Nacional são santuários-a arquitetura do Gabinete se assemelha a uma igreja e por isso nunca foi pichada, os pichadores respeitam o lugar por acharem que é um local sagrado. De certo modo, eles não estão errados! No décimo capítulo,O livro eterno,a autora conta que durante uma época, ela elaborou uma lista de quantos livros ela tinha lido por ano para atingir uma meta mas o que realmente importa são os lições que aprendemos e que o livro digital pode ser vantajoso mas que nunca substituirá o físico.

Finalmente, no décimo-primeiro e último capítulo, ela elabora uma lista de títulos que nenhum leitor que se preze pode deixar de conhecer. Felizmente, a maioria eu já li mas há alguns que ainda precisam entrar na minha cabeceira, como Mar morto, de Jorge Amado e Menino de engenho, de José Lins do Rego.O prazer de ler é uma aventura deliciosa pelo hobby mais enriquecedor de todos: de se perder em um livro.


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