08 junho 2018

[Lista] 7 livros de não-ficção para entender a comunidade LGBTQ+

Seguindo com as nossas listas, separamos uma lista de livros muito importantes sobre a comunidade LGBTQ+. De jornalismo à biografia, o foco é analisar o contexto social e cultural, nos abrindo os olhos para questões que são ignoradas tanto pelas grandes massas quanto pela mídia, promovendo conhecimento e, acima de tudo, empatia. Confiram.

A Homofobia Para Além Das Aparências
Uma narrativa pungente que mescla a história do preconceito em relação aos homossexuais e uma série de narrativas francas e corajosas de homens e mulheres que se dispõem a falar das marcas que sofreram e sofrem da homofobia na família, na escola e na sociedade. O autor tem a coragem de explicitar, sem medo e sem rodeios, como esse preconceito se apresenta desde os primórdios da humanidade, envolvendo os leitores na luta contra a a discriminação de qualquer natureza e em favor da convivência e do respeito às diferenças.

E Se Eu Fosse Puta?
E se eu fosse puta é o quê? Você, leitor, que me diz. Tem de tudo um pouco, mas sobretudo verdade, dessas que a gente gosta só debaixo do tapete, bem escondidinha, o dia a dia da rua, a barganha, a cama, o homem depois de gozar. Amara se vê travesti e junto descobre a vida que haveria a partir de então, puta aonde quer que fosse, fosse pra cuspir, fosse pra perguntar discretamente o preço ("tudo no sigilo, sou casado, sabe?"). Corpo que não tem lugar, corpo que se fazia à revelia das regras, das normas, corpo que se prestava pra sombra, essa era eu e eu não fazia sentido, sequer sabia aonde eu queria chegar. Quem me entendia? Esse livro é sobre a escolha que não faz sentido, esse livro é sobre buscar porquês. E se eu fosse puta? E se eu fosse você?

A TV No Armário: A Identidade Gay Nos Programas de Telejornais Brasileiros
Em pleno século 21, os meios de comunicação ainda abordam a questão da homossexualidade de forma preconceituosa - tanto no noticiário como nas novelas e em outros programas de entretenimento.
Fruto de ampla pesquisa, esta obra abre caminhos para problematizar a maneira pejorativa como a comunidade LGBT é retratada na telinha. Partindo da cobertura jornalística televisiva da Parada do Orgulho Gay de São Paulo, Irineu Ramos Ribeiro desdobra sua análise para humorísticos, novelas e game shows.
Baseando-se no pensamento de Michel Foucault e a teoria queer, o autor comprova que a televisão brasileira acaba transmitindo valores negativos, depreciativos e caricatos no que se refere aos gays. E afirma: está na hora de mudar de rumo e eliminar o preconceito da programação.

Além do Carnaval
Obra pioneira, Além do carnaval examina a realidade social e cultural da homossexualidade masculina no Brasil ao longo do século XX. James Green questiona a visão estereotipada de que a expressão desinibida e licenciosa do comportamento homossexual durante o carnaval comprova a asserção de que a sociedade brasileira tolera a homossexualidade e a bissexualidade na vida cotidiana. Sustentado por ampla pesquisa e sólida erudição, esta obra traz uma contribuição inestimável a uma área negligenciada da história social brasileira.

Imprensa Gay no Brasil: Entre a Militância e o Consumismo
Imprensa gay no Brasil reconstrói quase meio século de história da imprensa homossexual no país. Apenas nos anos 1960, revistas abertamente homossexuais começaram a ser feitas e distribuídas de mão em mão, em círculos restritos do país.
Em 1978, durante o governo Ernesto Geisel, surgiu Lampião da Esquina, primeiro jornal gay de circulação nacional, que duraria até 1981. Nas décadas seguintes, enquanto os grupos de defesa dos direitos de gays e lésbicas se consolidavam, jornais, revistas e panfletos se espalharam pelo Brasil.
Vencedor do concurso Folha Memória, Programa de Orientação de Pesquisa em História do Jornalismo Brasileiro (Folha/Pfizer), o livro da pesquisadora e jornalista Flávia Péret analisa os impasses e desafios enfrentados por um grupo em constante luta pela livre expressão de sua sexualidade. Imprensa gay no Brasil traz ainda depoimentos de Aguinaldo Silva e João Silvério Trevisan a respeito da criação de Lampião da Esquina e do jornalismo voltado a homossexuais.

Nega Lu: Uma Dama de Barba Mal-Feita
Luiz Airton Farias Bastos havia decidido não mais atender pelo nome de batismo – agora, era a Nega Lu. A despeito da condição de preto, pobre e puto (como se autodefinia, com amarga ironia), encontrou lugar na paisagem urbana. Onde a gente ia, lá estava a Nega Lu , sublinha Tânia Carvalho. Uma lady de voz grave e barba malfeita , na definição de Renato Del Campão, cantava em corais sinfônicos, aprendia balé clássico e marcava presença em vernissages, shows no Araújo Vianna e concertos no Salão de Atos, além de bater ponto na Esquina Maldita. Comíamos sanduíche aberto e discutíamos Godard e Fellini à mesa do bar, enquanto a Nega Lu passava de peito estufado, bordando movimentos no espaço como um ser esvoaçante , retrata a Magra Jane. E complementa- Quando via que o ambiente estava ficando sério ou pesado, soltava uma piada com aquele vozeirão e já saía. Preferia dar seu show de loucuras na calçada . O autor do livro, jornalista Paulo César Teixeira, o Foguinho, escreveu também Esquina Maldita, o gueto cult em Porto Alegre nas décadas de 1960 a 1970, e Darcy Alves – Vida nas Cordas do Violão, biografia do artista (falecido em 2015), ambos pela Libretos. O livro Nega Lu... foi financiado pelo concurso Fumproarte/SMC/Prefeitura de Porto Alegre.

Homofobia - História e Crítica de um Preconceito
A obra, que possui tradução de Guilherme João de Freitas Teixeira, tem como objetivo fornecer alguns elementos de reflexão a propósito de um fato cuja problematização elabora-se atualmente: a homofobia - um fenômeno complexo e variado que pode ser percebido nas piadas vulgares que ridicularizam o indivíduo efeminado, podendo, muitas vezes, assumir formas mais brutais, chegando até a vontade de extermínio. Do mesmo modo que a xenofobia, o racismo ou o antissemitismo, a homofobia é uma manifestação arbitrária que consiste em designar o outro como contrário, inferior ou anormal por sua diferença irredutível. Para o autor, independentemente de se tratar de uma escolha de vida sexual ou de uma questão de característica estrutural do desejo erótico por pessoas do mesmo sexo, a homossexualidade deve ser considerada como uma forma de sexualidade tão legítima quanto a heterossexualidade. Ele também acredita que a recente preocupação com a hostilidade contra os gays e lésbicas modifica a maneira como a questão havia sido problematizada até aqui: em vez de se dedicar ao estudo do comportamento homossexual, tratado no passado como desviante, a atenção fixa-se, daqui em diante, nas razões que levaram a atribuir tal qualificativo a essa forma de sexualidade. Os exemplos pontuais extraídos da história e citados no livro têm a única finalidade de ilustrar uma demonstração teórica, sem qualquer pretensão a um estudo exaustivo. Em vez de uma pesquisa sociológica, análise psicológica ou ensaio jurídico, esta obra apresenta o balanço atual sobre a questão da homofobia.

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