04 novembro 2017

[Crítica] A comédia divina




 Em crise, um programa jornalístico demite uma repórter e em seu lugar contrata Raquel (Mônica Iozzi), jornalista recém-formada, caso do âncora garanhão, Mateus (Dalton Vigh). Incomodada pela convivência com Lucas (Thiago Mendonça), um inconformado ex-namorado que trabalha na produção, ela vê sua carreira decolar graças a um furo: o Diabo (Murilo Rosa) acaba de abrir sua própria igreja na Terra.
  Baseado no conto A igreja do diabo, de Machado de Assis (que, confesso, só conhecia de nome mas nunca tinha lido e só li para escrever essa crítica) o longa de Toni Venturi, mais conhecido por seus documentários como O velho:A história de Luiz Carlos Prestes, conta a história do Diabo (Murilo Rosa, da novela Desejo Proibido e do filme Olga) que um dia resolve fundar uma igreja para si ao perceber que cada vez menos pessoas o estão levando a série.
A primeira cena do filme mostra Satã assistindo o noticiário e o repórter pergunta à várias pessoas como elas imaginam o Diabo. A maioria diz que é uma figura para não ser levada a sério ou que é aquela figura estereotipada do coisa-ruim com chifre e tridente. Ele fica irritado e tem esse insight. Satã pega o elevador de duzentos andares até o céu e o ascensorista lhe pede ajuda com as palavras cruzadas: qual palavra que representa o sentimento de arrogância dos homens que começa com S; a resposta era soberba. Ao chegar no andar mais alto, ele solicita uma audiência com Deus. Esse ou melhor, essa porque um dos pontos altos no filme é que o Todo-Poderoso é representado como uma senhora,interpretada por Zezé Motta, da série  da Netflix 3%. O anjo Gabriel e Deus ouvem enquanto o Tinhoso conta seu plano e afronta Deus para uma disputa de popularidade, ao que ele aceita de bom grado. 
Satã vai à Terra e uma vez aqui não perde tempo: manda que seja construído uma igreja e começa a fazer propaganda com o auxílio de sua equipe de demônios (que inclui Juliana Alves (da novela Ti Ti Ti e do filme E aí...Comeu como Lilith). Várias pessoas caem no conto do vigário e são atraídas. Em seus sermões, o Diabo começa a pregar que os pecados são virtudes; que a preguiça estimula o trabalho, a avareza deve ser praticada porque preserva os bens, a inveja é a matéria-prima da concorrência e um dos motivos que levam ao progresso e por aí vai. No início, é um sucesso e a população entra em declínio pois não há mais limites. 
No meio dessa confusão toda,uma jornalista, Raquel Brockman (Monica Iozzi) arranja um emprego novo em um programa de TV, na mesma emissora em que seu ex-namorado, Lucas (Thiago Mendonça,de O vendedor de sonhos)trabalha. O âncora do programa e novo companheiro de trabalho de Raquel,Mateus (Dalton Vigh, da novela Fina Estampa)a paquera. Quando Raquel fica sabendo da Igreja do Diabo, ela vai em uma missão e ele faz um pacto de ajudá-la se ela divulgar seu trabalho, ao que ela concorda. 
Algum tempo depois, descobre-se que as pessoas se cansaram de só fazer maldades e estão praticando alguns atos de bondade escondidas, como doar pequenas quantias de dinheiro aos necessitados. O Diabo resolve acabar com isso e toma medidas drásticas, entre elas criar um programa de perguntas e respostas em que quem errar 3 perguntas será queimado na fogueira na frente de todo mundo. A primeira vítima será Lucas. 
Achei a crítica à sociedade hipócrita bem-construída, especialmente á falsa moralidade de pessoas como políticos corruptos ou de falsos ativistas e defensores das minorias.Mostra as falhas do ser humano e que ele sempre será um ser propenso a cometer erros, como é dito no final,foi revelado pelo Criador na cena em que afirma:´´"Os homens não são fiéis, filho. Por isso criei o cachorro!´´Destaque também para a cena em que representantes das maiores religiões são convidados para um bate-papo no programa de Raquel, uma das cenas mais hilárias!
 Escalar Zezé Motta, uma das maiores atrizes negras do país, como Deus, foi uma jogada de mestre do diretor Toni Venturi para homenagear as raízes afro-descendentes do nosso país. É diversão garantida para todos!  






4 comentários

  1. Só pelo trailer, gostei muito da atuação do Murilo Rosa.
    "Os homens não são fiéis, por isso, criei os cachorros." KKKKKKKKKKKK QUE MARA!!! Olha, estava completamente errada em ter preconceito só pelo pôster do filme, porque agora que decidi assistir ao trailer, me diverti muito.

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  2. Olá! Mais uma vez o cinema brasileiro mostrando que arrasa. Sem dúvida, teremos risadas garantidas, elenco está muito bem escolhido.

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  3. Oi Clara.
    Esse filme parece fazer uma ótima crítica a nossa sociedade, um tapa na cara.
    Parece que é bem divertido também. Adorei o motivo do porque os cachorros foram criados rsrs
    Bjs

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  4. Opa, mais um filme nacional que tem tudo pra ganhar o meu gosto. Achei a proposta bem interessante e engraçada, tô gostando de ver o cinema nacional com uma pegada mais abrangente, muito bom!! Só tem estrelas nesse filme!! :D

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