31 março 2018

[Crítica] Alexa e Katie

Sinopse: Alexa (Paris Berelc) e Katie (Isabel May) são amigas de longas datas e estão contando os dias para o início do ano letivo, que marcará a entrada das duas no ensino médio. Mas quando Alexa começa seu tratamento contra o cancer, todos os seus amigos passam a ter um novo desafio: adaptar-se à nova situação.

O que eu achei?

"Amizade é o melhor remédio" foi a frase presente no material de divulgação elaborado pela Netflix ao anunciar a sua nova sitcon adolescente que estreou dia 23 de março.
A série tem um formato saturado pelos canais teens com a apresentação de comédia, romance adolescente, meninas malvadinhas que atormentam a protagonista, uma amiga bobo e todos os clichês de parentes... mas o tema abordado muda o jogo e trás sangue novo a um mercado que sempre oferece o mesmo.

Quando eu comecei o episódio piloto eu pensei "ok a hanna montana com câncer" e realmente desacreditei no potencial que a série teria a passar, afinal você está falando de uma doença grave e que é responsável por ceifar a vida de milhares de jovens ao redor do mundo, não é pra rir do assunto, esse era o meu pensamento e não tenho vergonha de dizer que isso caiu por terra.

Uma das conversas que a Alexa tem com a sua melhor amiga (quase como sua alma gêmea) Katie é sobre esse pensamento que o mundo tem com as pessoas portadoras de qualquer doença grave ( ou deficiência) de que "olha lá pobre garota (o) tanta coisa para fazer", ela não está morta, não significa que pelo fato dela ter leucemia aos 14 anos ela deixou de ser uma adolescente, que ela não possa fazer piadas, não possa dançar, não possa brigar na escola ou descobrir o primeiro amor, sim ela está doente porém ainda é uma jovem com opiniões fortes, uma grande alegria de viver e muitas aventuras à frente.

Nos 13 episódios dessa temporada temos o acompanhamento emocional dos pais ao lidarem com a situação da filha doente, os amigos e principalmente a desconstrução do conceito de "que pena dela" com as demonstrações e lições que a Alexa dá para todos que à rodeiam, em um episódio chamado "incastigável" ela fica extremamente decepcionada com sua mãe por ela estar aliviando os deveres e responsabilidades cabíveis a ela devido a sua doença, o que eu achei isso maravilhoso pois ela reforça essa quebra do nosso conceito estabelecido e nos faz pensar que tanto zelo e cuidado podem prejudicar mais uma pessoa inferma do quê ajudar.

Katie é apresentada como uma amiga sem igual, aquela pessoa que sabe tudo sobre você, aquela que se você fizer alguma merda muito grande sabe que irá te ajudar e ela é a grande força da Alexa. Katie tem as saídas cômicas enraizadas na construção do personagem, porém foi a que mais tirou lágrimas dos meus olhos com cenas e frases que transmitem o sentimento de amar alguém, esse tipo de amor puro que ilumina a escuridão e fornecer força as batalhas que se apresentam. O momento mais evidente disso é quando a Katie raspa o cabelo em solidariedade a Alexa e diz que ela não precisa passar por essa fase sozinha.

Eu me emocinei, refleti, ri e mais de uma vez me peguei agradecendo a essa narrativa e ao fato de que todos os jovens poderão ter acesso a esse material e levar essa experiência para a vida como certamente eu levarei.


Por Jaqueline Ribeiro 



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