30 março 2018

[Crítica] 7 Dias em Entebbe

Sinopse: Em julho de 1976, um voo da Air France de Tel-Aviv à Paris foi sequestrado e forçado a pousar em Entebbe, na Uganda. Os passageiros judeus foram mantidos reféns para ser negociada a liberação dos terroristas e anarquistas palestinos presos em Israel, na Alemanha e na Suécia. Sob pressão, o governo israelita decidiu organizar uma operação de resgate atacar o campo de pouso e soltar os reféns.


O que eu achei?
O filme narra a trajetória da operação Thunderbolt ou operação Entebbe, realizada no objetivo de libertar os reféns, dentre eles franceses, israelenses, homens, mulheres, idosos e crianças, inocentes. Mas o roteiro do filme não nos coloca contra ou a favor do sequestro do avião, uma vez que é mostrado os dois pontos de vista. Você pode se empatizar com os sequestradores que estão fazendo isso por um motivo nobre, ou pode se empatizar com o exército no objetivo de resgatar esses reféns, a única coisa unânime é o sentimento de revolta com a violência gerada. Se essa violência acontece quando poderia ser evitada ou se é realmente necessária o roteiro propõe que você conclua.

Não fica muito claro o que é mérito do roteiro de Gregory Burke ou mérito da direção de Padilha, mas algumas cenas são dispostas minuciosamente para transmitir revolta no espectador. Acaba sendo um misto de contemplação e revolta assistir a esse filme.

A montagem de Daniel Rezende, a fotografia de Lula Carvalho acompanhada da trilha sonora de Rodrigo Amarante te mergulham na claustrofobia dos reféns. As atuações são bem dirigidas, colaborando com o roteiro. Ora você está na pele dos reféns, ora na insegurança dos sequestradores, que por mais focados que estejam na missão, acabam transparecendo o medo de alguma coisa dar errado e eles serem obrigados a assassinar reféns. Alguns se mostram um pouco mais seguros que os outros, mas em determinados momentos vemos a insegurança em todos eles.

O maior mérito da direção é passar a sensação do senso de urgência a todo momento. São 7 dias angustiantes, seja para o governo, para os sequestradores e, principalmente para os reféns. É impossível não lembrar de outro sucesso do diretor, Ônibus 174.

7 Dias Em Entebbe é um filme tenso, do começo ao fim, com alguns momentos ternos, mas nada que prejudique o andamento da trama. A relação interpessoal dos personagens é um elemento crucial para nos aproximar dos acontecimentos e mostrar a realidade daquela época, a idealização, o envolvimento político, etc. Infelizmente não vejo como um filme que irá perpetuar e ser ícone do cinema como Tropa de Elite, mas pode ser esquecido em pouco mais de um ano. Tecnicamente é um dos melhores filmes de José Padilha e mereceria muito mais reconhecimento.




Por Marcos Vinícuis

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