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[Crítica] Mormaço





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Sinopse:
O longa traz Ana (Marina Provenzzano) como protagonista, no papel da jovem defensora pública carioca que se divide entre seu trabalho na Vila Autódromo, comunidade prestes a ser despejada por conta dos Jogos Olímpicos do Rio, e uma doença misteriosa.

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“Já percebeu que a cidade tá toda desaparecendo?”, questiona Ana, personagem interpretada por Marina Provenzzano. Esta frase irá reverberar durante toda a duração de Mormaço, primeiro filme solo da diretora Marina Meliande. No longa, Ana é defensora pública e defende a causa dos moradores de Vila Autódromo, que estão sendo despejados para que a prefeitura possa dar continuidade às obras das Olimpíadas. Paralelamente, na zona sul, o prédio de Ana está prestes a se transformar em um hotel, o que significa que todos os moradores devem procurar outro lugar para viver com a indenização que receberem. Ana sente as mudanças em seu corpo. Manchas estranhas começam a apodrecer. Como o resto da cidade, Ana está prestes a se tornar escombro.
    A partir da ótica do horror, Meliande transforma o Rio de Janeiro de 2015 em um cenário apocalítico. Não há como escapar do calor, da poeira, da ruína. A cidade está apodrecendo por dentro. Ao lado de Domingas, Ana tenta lutar contra o sistema opressor, mas o processo de deterioração já está feito. O governo não se importa com aquelas pessoas. Do seu lado da cidade, a especulação imobiliária engole o livre arbítrio das pessoas. Com uma direção precisa, Marina Meliande vai fechando, aos poucos, esse cerco. O desespero de Ana se transforma em body horror. Estranhas marcas vão aparecendo por seu corpo. O que parece ser estresse a princípio, vai se sedimentando em algo muito mais tenebroso.
     As ações de Ana, que a princípio parecem mundanas, vão tomando um significado cada vez mais angustiante, quando percebemos que, assim como as pessoas de Vila Autódromo, Ana e Rosa (a brilhante Analu Prestes), sua vizinha idosa, estão prestes a serem despejadas a força. A zona norte e a zona sul de aproximam, pela primeira vez. Tanto Vila Autódromo quanto o prédio de Ana estão devastados. E é essa aproximação que nos leva ao clímax, muitíssimo bem construído. Ana insiste em permanecer. E é esta permanência que a transforma em um monstro, porque somente desta forma ela tem força o suficiente para lutar contra a opressão. Mormaço é um filme pesado. Podemos sentir o clima abafado. Podemos nos transformar junto com Ana. Mormaço, é, sobretudo, sobre o sentimento de permanência. É sobre esse sentimento que nos funde aos lugares que amamos, onde a gente cabe. Nós somos esses lugares.


Trailer:

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