21 maio 2018

[Resenha] Da Boca Pra Dentro


Sinopse: Mas quantas e quais são as coisas que dizemos depois de consultar o coração? Um punhado de essência, um milhão de desejos, um infinito de verdades? Pra onde vai e de onde vem tudo aquilo que nos importa, esse tudo que é grande e traduzido pelas palavras que não cabendo no peito, transbordam corpo, alma e nossas certezas? Minha suspeita: da boca pra dentro. São da boca pra dentro todos os beijos que respondem um anúncio de dúvida, toda saudade confessada durante o abraço, o elogio inevitável, o desabafo acolhido por um olhar, a palavra engasgada e denunciada pelas lágrimas, o grito que transgride a calmaria.(...) Moram da boca pra dentro nossos silêncios falhos, nossas falas eternizadas na lembrança de alguém, o sentimento entregue num agradecimento, numa saudação sincera, numa notícia boa, numa declaração de amor.



O que eu achei?
Ornada em lilases e sonhos, as curtas crônicas desse livro exaltam o amor à vida, com o linguajar simples das confissões mais íntimas. Mas não se engane: aqui, nada é fantasioso, nada é figurado, nada é falso ou exagerado - aliás, o único exagero, que é totalmente aceitável, e que habita profundo nesse livro é o amor.

Se pretende, com esse livro, buscar a doçura dos contos de fada, dos príncipes encantados e dos finais felizes, há de bater com a cara na parede. Aqui, a vida é simples e confusa, real e palpável. Não há floreira desnecessária nem testes múltipla-escolha para encontrar o par perfeito, ou crescer na vida. Aqui, página após página, há vida, ora cheirando ao perfume da vó e outras nostalgias, ora cheirando ao escapamento do carro parado no trânsito, bem ao seu lado.


Há infância, amor, sublimação de sentimentos. Ênfases emocionais que - graças a este - ainda são explorados por um ser humano vivo, do nosso século das tecnologias frias e distantes.

Há Cecília Meireles, Lispector, Marthas; há Goulart, Veríssimo, Bandeira; há Marisa Monte, Tulipa Ruiz, Elis Regina, Renato Russo; há beijos, doces e choros necessários, e a vida, como ela é e deve ser - repleta de sonhos e quereres; altos e baixos.

Contornos e limites aqui são descartados. Aqui, há você, eu, todos nós, desnudos e estudados emocionalmente.
Os espaços da vida, onde o ócio deveria habitar, são preenchidos com sonhos frutíferos, alimentados, letra por letra, por esperanças infinitas, desejo pueris, verdades sinceras, amores recíprocos. A menina torna-se menina-mulher, felina e sensual; mulher-família, em suas odes a todos aqueles que compõem seu sangue; a guerrilheira, que vai a luta por si própria, buscando nada mais nada menos do que viver, plenamente.


Fé, esperanças, amores, raízes, sonhos, desejos, quereres, conteúdos, conflitos, rotinas, lembranças, perfumes, sabores, texturas, conteúdos, inquietudes, revoltas, conselhos... Digo, pela milésima vez, o desnudar-se de uma alma; o tagarelar de um coração que se alimenta dos bons fluidos que é capaz de filtrar das pequenices que a vida põe em seu caminho.

Se me perguntarem, digo: leia-o, pois neste livro encontrará a vida, em verdade nua... e cozida, no ponto.

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