25 maio 2018

[News] Produzido por Rodrigo Teixeira, novo filme de Karim Aïnouz, ´´A vida invisível´´ , começa a ser rodado no Rio de Janeiro


Karim Aïnouz (O Abismo Prateado, Praia do Futuro) vai dirigir a livre adaptação de “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, de Martha Batalha. Com produção de Rodrigo Teixeira, da RT Features, A VIDA INVÍSIVEL traz as atrizes Carol Duarte e Júlia Stockler como protagonistas desta história.
No Rio de Janeiro dos anos 50, as irmãs Guida e Eurídice são como duas faces da mesma moeda– duas irmãs apaixonadas, cúmplices, inseparáveis. Eurídice, a mais nova, é uma pianista prodígio, enquanto Guida, romântica e cheia de vida, sonha em se casar e ter uma família. Um dia, com 18 anos, Guida foge de casa com o namorado. Ao retornar grávida, seis meses depois e sem namorado, o pai, um português conservador, a expulsa de casa de maneira cruel. Guida e Eurídice são separadas para sempre e passam suas vidas tentando encontrar uma a outra, como se só juntas fossem capazes de seguirem suas vidas.
A VIDA INVÍSIVEL é um melodrama contemporâneo sobre sororiedade, é uma crônica da condição feminina nos anos 50 no Rio de Janeiro, uma década marcada por um conservadorismo profundo.
Ao longo da história, revelam-se a vida adversa de mãe solo que Guida levou longe da família e o apagamento vivido por Eurídice, que acabou por abandonar o sonho de ser uma pianista profissional para se tornar uma dona de casa exemplar e satisfazer o marido e os pais. Para Aïnouz, a história o tocou de maneira profunda. “Por razões pessoais, eu fiquei impressionado quando li o livro pela primeira vez. Ecoou memórias vividas da minha vida. Fui criado numa família na sua maioria de mulheres, num Nordeste conservador, na década de 60. Minha mãe foi mãe solo, minha tia trabalhava como dona de casa.  A maioria dos homens da minha família tinha ido embora ou era muito ausente. Era um mundo muito machista. As mulheres eram guerreiras, que tiveram que lutar para manter a cabeça fora d’agua em um mundo violentamente machista. ‘A Vida Invisível’ é sobre isso – sobre a resiliência, o desafio de ser mulher em um mundo que insistia, e insiste, em deixá-las invisíveis”, revela o diretor.
Durante a pesquisa para o roteiro, Aïnouz entrevistou várias senhoras entre 70 e 90 anos, perguntando sobre suas primeiras experiências sexuais, o casamento e suas vidas privadas. Refletindo sobre o mundo hoje, a partir destas histórias e das mulheres de sua família, Aïnouz compreendeu a urgência de “A Vida Invisível” como um filme que jogasse luz em tantas vidas e histórias invisíveis, como um filme necessário.
Esta é a segunda vez que Karim Ainouz e Rodrigo Teixeira trabalham juntos.  Em 2011, o filme “O Abismo Prateado” teve sua estreia mundial no Festival de Cannes, onde foi exibido na Quinzena dos Realizadores. Para Rodrigo, repetir essa parceria é uma grande alegria. “Depois do ‘Abismo Prateado’, eu procurava um projeto para trabalharmos novamente juntos e, quando eu recebi o manuscrito deste livro, enxerguei uma compatibilidade entre a filmografia e a história de vida do Karim e o momento histórico que vivemos. Passamos algum tempo trabalhando no desenvolvimento do roteiro, construindo esse grande desencontro na vida dessas irmãs e estou muito contente com o início das filmagens”.
Com roteiro assinado por Murilo Hauser e colaboração de Inés Bortagaray, o longa começa a ser rodado em maio, nos bairros da Tijuca, Santa Teresa, Estácio e São Cristovão, onde o Rio de Janeiro dos anos 50 ganhará vida. Quem assina a fotografia do filme é Hélène Louvart, que foi fotógrafa dos longas Pina, de Win Wender, The Smell of Us, de Larry Clark; e As Praias de Agnes, de Agnès Varda, entre outros.  Com coprodução do Canal Brasil e distribuição da Sony Pictures, A VIDA INVÍSIVEL tem previsão de estreia em 2019. “Eu estou ciente de que as histórias particulares não necessariamente fazem bons filmes. Filmes são bons quando eles contam uma história ainda não contada, histórias que precisam ser contadas”, completa Karim.

Sinopse
Antigas cartas de sua irmã Guida, há muito desaparecida, surpreendem Eurídice, hoje uma senhora de 80 anos. No Rio de Janeiro dos anos 50, Guida e Eurídice serão cruelmente separadas, impedidas de viverem os sonhos que alimentaram juntas ainda adolescentes. ‘A VIDA INVÍSIVEL’ é a história destas duas mulheres, duas irmãs, tentando lutar contra as forças sociais que insistem em frustrá-las. Invisíveis em uma sociedade paternalista e conservadora, se desdobram para seguir em frente, ainda que distante de seus sonhos e desejos. Um melodrama contemporâneo sobre sororidade, sobre mulheres apaixonadas, fortes e afetuosas.  Irão Guida e Eurídice se reencontrar a tempo de vencer a opressão que as sufoca?

FICHA TÉCNICA
A VIDA INVISÍVEL
Direção: Karim Ainouz
Roteiro: Murilo Hauser e Inés Bortagaray baseado na obra de Martha Batalha
Elenco: Carol Duarte, Júlia Stockler e Gregório Duvivier.
Produtor: Rodrigo Teixeira (RT Features)
Co-produtor: Canal Brasil e Match Factory
Produtores Executivos: Ana Kormanski, Daniel Pech, Viviane Mendonça e Camilo Cavalcanti.
Diretora Assistente: Nina Kopko
Direção de Fotografia: Hélène Louvart
Direção de Arte: Rodrigo Martirena
Figurino: Marina Franco
Maquiagem:  Rosemary Paiva
Diretora de Produção: Silvia Sobral
Idioma: Português
Gênero: Drama
Ano: 2018
País: Brasil
Classificação: (a definir)

SOBRE O DIRETOR
Diretor dos premiados Madame Satã e O Céu de Suely, seu trabalho mais recente, o documentário Aeroporto Central THF, estreou este ano na mostra Panorama do 68º Festival de Berlim onde recebeu o prêmio da Anistia Internacional. Seus curtas-metragens e instalações foram exibidos em inúmeras mostras e museus incluindo o Whitney Museum of American Art Biennial, MoMa Nova York, Bienal de São Paulo, Bienal de Sharjah, Parque Lage, Festival Videobrasil. Foi homenageado na 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes e teve retrospectivas na Espanha e Suiça, França e Estados Unidos. Em 2012 Aïnouz foi convidado a integrar o júri da Cinéfondation e Competição de Curtas-metragens do 65° Festival de Cannes e foi presidente do Júri do Festival do Rio em 2014.
Como consultor de roteiros, participou de programas como o Sundance Screenwriters Lab, Rawi Screenwriters Lab, na Jordânia, e Curso de Desarrollo de Proyectos Cinematográficos Iberoamericanos, da Fundación Carolina em parceria com o Programa Ibermedia, entre outros.
Aïnouz é ainda fundador e tutor do Laboratório de Audiovisual Porto Iracema das Artes, um dos principais laboratórios de desenvolvimento de roteiro do país.
Em 2015, estreou o documentário Velázquez ou o Realismo Selvagem, exibido pelo canal franco-alemão ARTE. Seu primeiro longa-metragem, Madame Satã, estreou na mostra Um Certain Regard do Festival de Cinema de Cannes em 2002. Seus longas seguintes, O Céu de Suely e Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo (co-dirigido com Marcelo Gomes) estrearam no Festival de Veneza, na Mostra Orizzonti em 2006 e 2009, respectivamente. Em 2008, dirigiu a série de 13 episódios Alice para a HBO Latin America e, em 2011, O Abismo Prateado teve sua estreia mundial em Cannes, na Quinzena dos Realizadores, e recebeu o prêmio de Melhor Diretor no Festival do Rio. Em 2014, Aïnouz estreou o longa-metragem Praia do Futuro na Competição Oficial da 64ª edição do Festival de Berlim, onde também apresentou o documentário Catedrais da Cultura, filmado em 3D e produzido por Wim Wenders. Aïnouz é membro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

SOBRE A RT FEATURES
Fundada e dirigida por Rodrigo Teixeira, a RT Features é uma produtora nacional e internacional de conteúdo cultural e entretenimento para cinema e televisão, com base em São Paulo, Brasil. Dentre outras produções, seu currículo conta com os longas-metragens O Cheiro do Ralo (2006), O Abismo Prateado (2010), Tim Maia (2014), Alemão (2014), O Silêncio do Céu (2016) e a série O Hipnotizador (para a HBO Latin America em 2015).
No mercado internacional, a RT Features produziu os longas Frances Ha (2013), Love is Strange (2014), Love (2015), Mistress America (2015) e o recente sucesso mundial indie A Bruxa (2016), entre outros. Em 2017, a RT Features estreou as produções internacionais Patti Cake$ e Call Me By Your Name no Festival de Sundance. Para o mesmo ano, a RT Features irá produzir o novo filme de James Gray, Ad Astra, e no Brasil os longas-metragens A Vida Invisível, de Karim Ainouz, e Barba Ensopada de Sangue, de Aly Muritiba.
Dedicada a trabalhar com jovens e talentosos diretores desde a sua criação, a RT Features formou uma joint venture com a Sikelia Productions, de Martin Scorsese, com o objetivo de produzir filmes de cineastas emergentes em todo o mundo. O primeiro longa-metragem desta parceria, A Ciambra, estreou na última edição da Quinzena dos Realizadores.



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