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[Resenha] A Invenção de Hugo Cabret

Sinopse: Prepare-se para entrar em um mundo onde o mistério e o suspense ditam as regras. Hugo Cabret é um menino órfão que vive escondido na central de trem de Paris dos anos 1930. esgueirando-se por passagens secretas, Hugo cuida dos gigantescos relógios do lugar: escuta seus compassos, observa os enormes ponteiros e responsabiliza-se pelo funcionamento das máquinas. A sobrevivência de Hugo depende do anonimato: ele tenta se manter invisível porque guarda um incrível segredo, que é posto em risco quando o severo dono da loja de brinquedos da estação e sua afilhada cruzam o caminho do garoto. Um desenho enigmático, um caderno valioso, uma chave roubada e um homem mecânico estão no centro desta intrincada e imprevisível história, que, narrada por texto e imagens, mistura elementos dos quadrinhos e do cinema, oferecendo uma diferente e emocionante experiência de leitura.

O que eu achei?
Somos nós importantes engrenagem que fazem o mundo girar, e o mantêm girando? Essa é a pergunta que permeia a mente do jovem Hugo Cabret no livro de Brian Selznick, “A Invenção de Hugo Cabret”, onde um jovem órfão que vive escondido por trás das paredes da grande estação de trem de Paris, após o desaparecimento do seu tio que ali vivia com ele, e trabalhava ajustando e mantendo os relógios da estação funcionando. Agora Hugo era responsável por eles – mas em segredo.

Contudo não é nisso que Hugo se importa – apesar de ser o que o mantêm longe dos olhares dos outros -, mas sim um automato, um robô encontrado por seu falecido pai, e que despertou a curiosidade de ambos. O pai de Hugo era um relojoeiro, e dos melhores, e Hugo herdou sua fascinação, se tornando expert em consertar mecanismos automáticos. O automato ainda precisa ser consertado, e com a ajuda do caderno deixado pelo seu pai, ele rouba da loja de brinquedos pequenos brinquedos em busca das peças que faltam. Até que o dono da loja o pega, e toma dele seu caderno. E aí que tudo se desenrola numa sequencia de segredos e descobertas.

A escrita é simples, fluida e fácil de acompanhar, e a história é construída do jeito tipicamente infanto-juvenil: capítulos curtos, sem enrolações ou firulas excessivas no desenrolar das situações. É direto, objetivo e sucinto. Não diz mais do que deve, nem enfeita mais do que é preciso. E isso é ótimo, pois torna a leitura muito mais agradável. Um dos raros livros que podem ser lidos de uma só vez, sem nem sentir a hora passar.

O livro também possui ilustrações e fotografias, estas sendo reais e ligadas a história, visto que ela foi buscar inspiração em alguns fatos – fatos, estes, que não podem ser mencionados pois seriam MEGA spoiler, mas que trazem forte referência ao cinema. Ainda assim, a arte do livro torna a experiencia de leitura uma viagem lúdica, quase como se víssemos o storyboard de um filme.

As personagens não são tão fascinantes, mas cada uma possui um charme único. Hugo talvez seja um dos mais agradáveis personagens, juntamente de Ettiene – que é o meu favorito. Cada um é simples, e não é preciso se aprofundar muito na vida deles. Vamos saber mais sobre a vida de uns e outros, mas somente aquilo que dará forma e seguimento a história. Quem não tiver tanta importância para o desenvolvimento, será um coadjuvante relevante, mas não tão explorável assim. Mesmo assim, nada tira o valor da obra. É interessante ver como a mente do jovem Hugo Cabret funciona, e como ele se mantem em meio as adversidades que a vida impôs a ele.

No geral, o livro é uma experiência única de leitura, capaz de agradar todo tipo de leitor. Uma história de esperança e busca por um sentido na vida, onde os sonhos se tornam realidade como se fosse mágica. É como sonhar de olhos abertos.
Em 2011 foi lançado um filme baseado nesse livro, dirigido por Martin Scorsese, com roteiro de John Logan e produção de Martin Scorsese, Johnny Depp, Tim Headington e Graham King. O elenco conta com Asa Butterfield, Ben Kingsley, Chloë Grace Montez, Sacha Baron Cohen, Christopher Lee, Emily Mortimer, dentre outros. O longa recebeu 11 indicações ao Oscar em 2012, vencendo em 5 categorias. Venceu também um Golden Globe e dois BAFTA.


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