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[Crítica] Los Silencios

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Sinopse:
Amparo (Marleyda Soto) é mãe de dois filhos pequenos e está fugindo dos conflitos armados da Colômbia. Na tríplice fronteira do país com o Peru e o Brasil, ela e os meninos se abrigam em uma pequena ilha com casas de palafita no Rio Amazonas. 

O que eu achei?
Beatriz Seigner, diretora de ‘Los Silencios’, direciona novamente seu olhar para uma cultura que conta com pouquíssima representação no audiovisual brasileiro. Antecedido por ‘Bollywood Dream - O Sonho Bollywoodiano’ (2010), primeira co-produção Índia-Brasil, sua nova obra é protagonizada por um povoado colombiano, falada majoritariamente em espanhol e ambientada em uma ilha amazônica.
Nos primeiros instantes da projeção, somos transportados para dentro de uma embarcação; navegando por uma densa escuridão enquanto possuímos apenas um limitado foco de luz iluminando pontos do trajeto. Nada poderia representar mais a experiência proporcionada pelo filme do que essa abertura.
Seguimos Amparo (Marleyda Soto) que, escapando de conflitos mortais em seu antigo vilarejo responsáveis pelo desaparecimento do marido, é acolhida por sua tia na Ilha da Fantasia, comunidade ribeirinha localizada na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia. Junto a ela, estão seus dois filhos: Nuria (María Paula Tabares Peña) e Fabio (Adolfo Savilvino). O filme expõe a dificuldade do recomeço pelo qual a família passa para se adaptar a esse novo lugar, enquanto um conflito bastante semelhante ao que motivou a mudança deles começa a se insinuar na ilha.
Cada um dos protagonistas possui um próprio mentor para atravessar os desafios que surgem. Amparo, por exemplo, é auxiliada em seus momentos-chave por sua tia — mais conhecida na ilha como Abuelita. Ela é responsável por guiar, de forma literal e figurativa, a família por sua nova morada. Já Fabio e Nuria possuem as suas próprias amizades particulares. Elas os orientam a superar seus próprios medos e a entender suas reais necessidades, cada uma a sua maneira. Fabio, por exemplo, conhece um jovem mais velho e o usa para preencher a lacuna deixada pelo desaparecimento do pai. Uma melancolia que nos é mostrada logo no início da narrativa, onde observamos o pequeno menino calçar um grande par de botas apenas por recordarem as usadas pelo pai.
Existem outros dois detalhes bastante interessantes na obra: o silêncio de Nuria e o uso certeiro do neon pela direção de arte. A força de Nuria, filha de Amparo, aporta na soma precisa da atuação da atriz-mirim com a direção de Seigner. O desenvolvimento da personagem ocorre em grande parte através de close-ups e planos-detalhes sem que nada precise ser verbalizado. Já o neon usado progressivamente no figuro de alguns personagens soma bastante a estética da obra — onde grande parte se desenrola durante a noite — e oferecem dicas sobre o real cerne da narrativa. Decisão bastante acertada!
A obra consegue tecer com grande sensibilidade as suas críticas — seja a urbanização compulsória, a violência intrínseca ao capital ou a presente dor da perda — sem que opte em privilegiar seu conteúdo em detrimento da forma. ‘Los Silencios’ em nenhum momento soa expositivo em suas alegorias ou esquece a história que pretende contar. Através de seu olhar intimista, o filme consegue retratar a resistência de seus personagens se utilizando de um realismo fantástico pouco usual em nossa cinematografia. Altamente recomendado a todos que procurem uma afetiva construção de personagens — somada, é claro, a uma história multiforme e bem estruturada.

Trailer:



Escrito por Pedro Alves

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