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[Crítica teatral] O Mágico de Oz

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Sinopse:
A história conta o sonho de Dorothy que, acompanhada do cachorro Totó, deixa o sítio onde mora com os tios e viaja até o mundo de Oz. Uma terra mágica e distante, além do arco-íris. Lá, conhece personagens que exaltam qualidades como coragem (Leão), inteligência (Espantalho) e amor (Homem de Lata). Conhece também a Bruxa Má, que tenta impedir a volta para casa. O espetáculo é inspirado livremente na obra de Lyman Frank Baum, de 1900, criador de um dos mais populares livros escritos na literatura americana infantil.

Onde e quando?
Teatro Bradesco Rio

Av das Américas, 3.900. Loja 160 - Shopping Village Mall
De 16.03.2019 a 26.05.2019


O que eu achei?
Enquanto eu caminhava até a minha poltrona no Teatro Bradesco, observei a estrada dos tijolos amarelos sob meus pés — assim como o restante do público que adentrava o ambiente. A produção de ‘O Mágico de Oz’ usa de todas as ferramentas disponíveis para obter uma maior imersão dos espectadores, e esse é um de seus maiores trunfos.

O que mais chama atenção, a primeira vista, são os elementos usados para dar maior profundidade a narrativa. Durante o desenrolar da história, somos apresentados a exibição de animações, parte do cenário projetado em telões de LED e efeitos especiais muito semelhantes aos utilizados em projeções do chamado cinema 4D. O que poderia ser encarado como elementos postos além da conta, na peça são utilizados de maneira ponderada em favor da adaptação teatral da obra de Lyman Frank Baum — feita aqui por Billy Bond e Lilio Alonso. Além, é claro, de entreter e manter a atenção das crianças da platéia.
Uma grande inspiração para a peça é claramente a adaptação homônima feita para o cinema por Victor Fleming em 1939. Assim como o filme, a paleta de cores dos cenários segue uma evidente dicotomia: sépia amarronzado para o mundo real e cores fortes e marcantes para o mundo de Oz. Os números musicais também possuem algumas transposições em português para os sempre lembrados do clássico. Estão presentes a clássica ‘Somewhere Over the Rainbow’, ‘Follow The Yellow Brick Road’ e a inusitada ‘Ding Dong The Witch Is Dead’.
O elenco parece ter entendido os personagens e arquitetado suas adoráveis próprias versões. O quarteto principal composto pela menina Dorothy (Bia Jordão), o Espantalho sem cérebro (Ítalo Rodrigues), o Homem de Lata sem coração (Alvinho de Pádua) e o Leão sem coragem (Márcio Yáccof) está bastante seguro em seus papeis. Durante o desenrolar da peça, existem variados momentos onde os personagens interagem com o público. Qualquer um que tenha trabalhado com o público-alvo da peça, o infantil, sabe que crianças são imprevisíveis. Mesmo com os imprevistos que ocorrem na platéia durante os contatos com os intérpretes, o elenco está tão seguro que contorna rapidamente sem sair dos personagens em nenhum momento. Os coadjuvantes, em especial os munchkins, conseguem dar um ar encantador e quimérico através das atuações dos seus intérpretes de diferentes idades.

O espetáculo ‘O Mágico de Oz’ acerta em manter o interesse de seu público-alvo — as crianças —, enquanto consegue divertir os espectadores das outras faixas-etárias. A peça guarda várias surpresas durante sua execução; seja para aqueles que já são fãs do clássico do cinema ou para as crianças que nunca tiveram contato com a viagem de Dorothy e seu cachorro Totó. Os números musicais são dinâmicos e bem adaptados; assim como o ar dado pelos intérpretes aos seus personagens. A cenografia e figurino proporcionam deleites visuais fantásticos aos espectadores fazendo com que o mágico mundo de Oz não seja tão distante assim. Uma ótima pedida para um programa familiar que consiga divertir todas as idades.

Escrito por Pedro Alves

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