09 julho 2018

[Resenha] Filhos do Éden: Paraíso Perdido

Sinopse: No princípio, Deus criou a luz, as galáxias e os seres vivos, partindo em seguida para o eterno descanso. Os arcanjos tomaram o controle do céu e os sentinelas, um coro inferior de alados, assumiram a província da terra.
Relegados ao paraíso, ordenados a servir, não a governar, os arcanjos invejaram a espécie humana, então Lúcifer, a Estrela da Manhã, convenceu seu irmão – Miguel, o Príncipe dos Anjos – a destruir cada homem e cada mulher no planeta. Os sentinelas se opuseram a eles, foram perseguidos e seu líder, Metatron, arrastado à prisão, para de lá finalmente escapar, agora que o Apocalipse se anuncia. Dos calabouços celestes surgiu o boato de que, enlouquecido, ele traçara um plano secreto, descobrindo um jeito de retomar seu santuário perdido, tornando-se o único e soberano deus sobre o mundo.
Antes da Batalha do Armagedon, antes que o sétimo dia encontre seu fim, dois antigos aliados, Lúcifer e Miguel, atuais adversários, se deparam com uma nova ameaça – uma que já consideravam vencida: a perpétua luta entre o sagrado e o profano, entre os arcanjos e os sentinelas, que novamente, e pela última vez, se baterão pelo domínio da terra, agora e para sempre.

O que eu achei?
"Filhos do Éden: Paraíso Perdido" é o livro que encerra a trilogia Filhos do Éden, de Eduardo Spohr, e server como um prelúdio para o "A Batalha do Apocalipse" - mesmo este tendo sido lançado antes da trilogia.

Bem, o livro segue com duas linhas narrativas - o passado e o presente -, dividido em partes temáticas que aparentemente, no início da leitura, parecerão histórias distintas e sem ligação, mas que se mostrarão mais unidas do que se pode imaginar.


Kaira e seu tima ainda segue em sua missão, capturar Metraton e impedir que seu plano se concretiza. A batalha entre Gabriel e Miguel ainda segue, e muita coisa está em jogo em todos os níveis existenciais. Tanto no passado quanto no futuro, temos a busca por Metraton. No passado a missão fica nas mãos de Ablon e de Ishtar, celestes que estão na Terra no passado antes de Cristo, antes mesmo de o dilúvio acontecer.


Sphor mais uma vez mostrou como é capaz de dar vida a mitos que já conhecemos, e como é capaz de unir e reunir em níveis diferentes de existência todos os diferentes mitologias num mesmo mundo, de forma extremamente realísta. Neste livro encontramos a mitologia nórdica muito mais aprofundada e explorada, o que dá uma energia e um charme a mais ao livro. E além disso, durante toda a trilogia, é possível ver que não há somente fantasia, única e simplesmente. O fundo histórico é unido se forma muito minuciosa a história criada por Spohr, o que faz com que toda ação, que é por vezes citada de forma geográfica muito específica, se torne muito mais verossímil.
É interessante observar a evolução da escrita durante a trilogia, e ver o amadurecimento na escrita e no desenvolvimento das personagens.

 Os celestes que andam pela Terra passam a ser afetados por isso, desenvolvendo questões próximas as dos humanos, como questionamento de moral, hierarquia e obediência. Somos levados a níveis cada vez mais profundos na mente deles, e a forma como isso foi criada - um anjo tendo que lidar e entender os sentimentos humanos - nos faz pensar como nós lidamos com isso. Um dos meus pontos favoritos é a personalidade dos anjos, principalmente Lúcifer. A forma como são caracterizados e as sutis diferenças em suas falas, para combinarem com suas personalidades e suas castas, é fabuloso.

Não é só uma viagem pelo universo criado por Spohr, é uma viagem pela mente humana e pela sociedade, avaliando atitudes e criticando extremismos cegos e suas consequências. As questões morais nascem naqueles que são "pré-programados" para servir e seguir ordens sem questionar, uma vez que a missão se mostra cada vez mais complicada de se executar, e muitas vidas parecem estar em perigo constante. Será que a morte de vários é o preço a se pagar pela queda de um ser que precisa ser ceifado?


Aliados improváveis e jogos de manipulação também fazem parte, mais uma vez, dessa história. A ajuda chega da forma mais inesperada, e mais uma vez vemos como os universos e mitologias mundiais convergem em uma só direção, enriquecendo ainda mais a história com detalhes minuciosos, misturando mito e história. Traições se mostram de forma cruel, e confianças se abalam, enquanto alianças se formam, e o fim de uma era chega ao fim.


"Paraíso Perdido" é um desfecho eletrizante, com plot twists inimagináveis, artimanhas que desafiam qualquer imaginação que se considere genial e uma incansável busca pelo que é certo. De longe, foi uma das histórias que mais me fizeram mergulhar e me aventurar.
A riqueza de detalhes mitologicos, seja com base cristã, greco-romana, pagã, nórdica e muitas outras mostra a dedicação do autor para criar essas histórias que vão muito além da aventura linear de "vencer os vilões". Até porque, quem são os verdadeiros vilões nessa história?

Para a resenha de Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida, clique AQUI.

Para a resenha de Filhos do Éden: Anjos da Morte, clique AQUI.

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