11 abril 2018

[Resenha] Um de Nós Está Mentindo

Sinopse: Cinco alunos entram em detenção na escola e apenas quatro saem com vida. Todos são suspeitos e cada um tem algo a esconder
Numa tarde de segunda-feira, cinco estudantes do colégio Bayview entram na sala de detenção: Bronwyn, a gênia, comprometida a estudar em Yale, nunca quebra as regras. Addy, a bela, a perfeita definição da princesa do baile de primavera. Nate, o criminoso, já em liberdade condicional por tráfico de drogas. Cooper, o atleta, astro do time de beisebol. E Simon, o pária, criador do mais famoso app de fofocas da escola. Só que Simon não consegue ir embora. Antes do fim da detenção, ele está morto. E, de acordo com os investigadores, a sua morte não foi acidental. Na segunda, ele morreu. Mas na terça, planejava postar fofocas bem quentes sobre os companheiros de detenção. O que faz os quatro serem suspeitos do seu assassinato. Ou são eles as vítimas perfeitas de um assassino que continua à solta?

O que eu achei?
A primeira indicação que eu tive desse livro foi "ele é um clube dos cinco com um assassinato" o que foi suficiente para que eu fizesse com que Um de Nós está mentindo pulasse toda a minha lista de leitura, e confesso que foi a melhor decisão que eu tomei.

O livro é dividido em três partes e temos mistério, romance, ação e vários pontos a refletir e é narrado pelos quatro jovens suspeitos de terem matado o seu colega Simon.

No começo do livro somos apresentados aos estereótipos de cada jovem (o pária, o criminoso, o atleta, a princesa e a nerd) igual todo drama adolescente sem muito a acrescentar as suas personalidades, poderia ser apenas uma detenção normal, exceto o fato de que todos foram parar na detenção pelo mesmo motivo e que poucos minutos após o começo do castigo Simon (o detentor do site de fofocas da escola) morre de forma misteriosa.

Quando a morte se transforma em uma investigação de assasinato colocando os quatro narradores dessa história no mesmo barco e com toda a mídia vasculhando a vida do quarteto de Bayview, as mentiras que cada um guarda, o nervosismo, apressão dos seus colegas e os julgamentos fazem com que esse grupo que tenham nada em comum comecem a se entrosar em busca do assasino.

Eu devorei o livro em 48 horas pois a narrativa criada pela autora é absurdamente instigante, você se sente ligada a cada um dos narradores de algum jeito e começa como diz na própria capa do livro "ligar os pontos", cada personagem está ligado de alguma forma e todos tem uma importância relevante no desdobramento do enredo e seu final.

Achei interessante a forma como a autora apresenta problemas tão comuns na nossa juventude e como a mente jovem enxerga essas questões com uma urgência de vida ou morte tais como a pressão dos pais, alienação de personalidade e muitos outros (um até extremamente surpreendente) que não posso me aprofundar para não falar demais.


Bronwyn, Addy, Nate e Cooper são os personagens principais e cada um têm o seu momento de destaque, agora quem realmente merecia um detalhamento da personalidade é o Simon.

Como diz a música Pumped Up Kicks do Foster The People " Todas as outras crianças com sapatos caros, É melhor correrem, correrem mais rápido que as minhas balas", neste caso as balas são as fofocas disparadas pelo site criado por Simon para atormentar seus colegas da escola e conseguir se destacar no convivio social, quando ele morre gera um misto de emoções entre pena, alívio e justiça para as vítimas de suas armações. No pouco que é realmente dito do potencial de alcançe e destruição do site de Simon nos é contado a história de duas pessoas que tiveram a vida completamente arruinada por essas fofocas e ainda pagam o preço por terem entrado na mira de Simon, em contra partida outros personagens dizem que todas as consequências do site são justificadas pelos atos dos expostos "se não tivessem mentido ninguém teria descoberto", mas até que ponto os jovens podem se intrometer na vida alheia? Até que ponto temos que expor o que nos acontece?

Em uma geração com a cultura do like enraizada desde o nascimento as definições de público e privado estão deturpadas e a autora mostra isso, infelizmente com menos entusiamo que deveria abordar.

Mesmo com erros e acertos eu realmente me peguei refletindo sobre esse livro e estou muito feliz com o seu final e já me juntei ao fã clube da Karen M. MCManus.



Por Jaqueline Ribeiro 

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