14 abril 2018

[Resenha] A Resposta


Sinopse:

Uma história de otimismo ambientada no Mississippi em 1962, durante a gestação do movimento dos direitos civis nos EUA.

Eugenia Skeeter Phelan acabou de se graduar na faculdade e está ansiosa para tornar-se escritora, mas encontra a resistência da mãe, que quer vê-la casada. Porém, o único emprego que consegue é como colunista de dicas domésticas do jornal local. É assim que ela se aproxima de Aibellen, a empregada de uma de suas amigas. Em contanto com ela, Skeeter começa a se lembrar da negra que a criou e, aconselhada a escrever sobre o que a incomoda, tem uma ideia perigosa: escrever um livro em que empregadas domésticas negras relatam o seu relacionamento com patroas brancas.
Mesmo com receio de prováveis retaliações, ela consegue a ajuda de Aibileen, empregada que já ajudou a criar 17 crianças brancas, mas chora a perda do próprio filho, e Minny, cozinheira de mão cheia que, por não levar desaforo para casa, já esteve por diversas vezes desempregada após bater boca com suas patroas. Uma história emocionante e estarrecedora onde a cor da pele das pessoas determina toda a sua vida. Um livro que, devido ao seu tema, chegou a ser recusado por quase sessenta editoras antes de ser publicado.

O que eu achei?
Em uma época de segregação racial extrema, onde o racismo era palavra de ordem, em Jackson, Misssissippi, as vozes de três mulheres ganham vida nas página de 'A Resposta', livro de Kathryn Stockett, lançado pela Bertrand Brasil.
Nessas páginas, as duas empregadas negras - a doce Aibileen e a explsovia Minny - narram seu cotidiado trabalhando para famílias brancas, limpando, cozinhando, criando os filhos das patroas. Relatos atuais com lembranças de outros empregos e momentos íntimos fazem de cada linha um diário íntimo e extremamente pessoal.
Além delas, temos Skeeter, uma jovem branca fora do padrão visual da época, cuja mentalidade está afrente de seu tempo. Uma jovem que almeja ser mais do que apenas a esposa e mãe que a sociedade espera que ela seja.
Essas três vozes irão se encontrar, unidas por um desejo incomum e em comum: dar voz àquelas empregadas, quando Skeeter (que sonha em ser escritora) decide escrever um livro sobre o ponto de vista das empregadas sobre o trabalho delas. É aqui que a história se firma mais ainda, e que vemos como algo tão simples - como falar a verdade - poderia ser extremamente perigoso. Principalmente se você fosse uma mulher negra trabalhando para uma madame influente. Uma corrida contra o tempo se dá para que se consiga o maior número de empregadas para de entrevistada, para editar e finalizar o livro, tudo em segredo. Nesse momento da história, vemos as feridas causadas pelo medo e pelo preconceito. Mas se dava início ao movimento a favor dos direitos civís, com o surgimento de nomes como Marthin Luther King. Era o momento certo!
Eu já conhecia parte da história por causa do filme, que se chama 'História Cruzadas', que é lindo e possui um elenco maravilhoso! Mas ler, página por página, e ver com mais detalhes o desenrolar da vida dessas mulheres, me fez mergulhar muito mais profundamente nessa história.
Cada personagem narra seu ponto se vista e sua vida; seus medos, inseguranças e os raros (porém preciosos) momentos de felicidade. Alguns momentos chega a ser doloroso ter de ler as atitudes das pessoas brancas contra as empregadas, simplesmente por serem negras. E o pior de tudo: saber que pouco mudou.
O livro, apesar de nos levar a um tempo cronológicamente distante, não poderia ter um tema mais atual. É fácil vermos no nosso dia-a-dia Aibileens, Hillys e Skeeters, não muito distantes de nós. Mas isso e outro assunto.
O livro explora amplamente a ansiedade humana diante de injustiças, e a impotência daqueles que são vítimas, mas que não podem fazer nada para mudar. Se tudo o que conhecemos, desde sempre é assim, que força teriam aquelas mulheres para mudar algo? Bem, bastava uma ajuda. Bastava a coragem de um para atrair os outros.
Acredito que, além do tapa da na cara que esse livro nos dá, mostrando o quão ridículo era toda aquela encenação (e segregação); além de mostrar os perigos da ignorância, o livro é, acima de tudo, um hino à esperança, à coragem e a liberdade.
Esperança, porque aquelas mulheres, que passaram a vida servindo família após família, puderam vislumbrar alguma segurança em seu futuro.
Coragem porque, apesar dos perigos da época, elas enfrentaram seus medos.
Liberdade, porque sua vozes foram ouvidas, com o devido respeito, pela primeira vez.
A escrita do livro, simples, direta, e muito bem modulada à personalidade de cada personagem - de forma tão única que parecem que elas são reais -, fazem da leitura um prazer sem tamanho. Além de compreendermos o lado das empregadas dessa histórias, entendemos um pouco da passividade da época - o que não justifica nada, óbvio.
Bem, não sei muito bem como falar desse livro - não me sinto digno de fazer isso; na verdade sinto que nem deveria fazer -, pois para mim ele é algo muito mais para se ler e refletir do que ler e comentar. O que ele diz é óbvio; a missão dele é óbvia, não há muito o que discutir.
O importante é que cada um leia e aprenda.

2 comentários

  1. Nunca li mas já ouvi falar muito bem!!

    Novo post: http://abpmartinsdreamwithme.blogspot.pt/2018/04/ootd-75-casual-chic.html

    Beijinhos ♥

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