12 abril 2018

[Resenha] Serafina e a Capa Preta


Sinopse: Serafina nunca teve motivos para desobedecer ao seu pai e se aventurar além da Mansão Biltmore. Há espaço de sobra para ser explorado naquela casa imensa, embora ela precise tomar cuidado para jamais ser vista. Nenhum dos ricaços lá de cima sabe da existência de Serafina; ela e o pai, o responsável pela manutenção das máquinas, moram secretamente no porão desde que a garota se entende por gente. Mas quando as crianças da propriedade começam a desaparecer, somente Serafina sabe quem é o culpado: um homem aterrorizante, vestido com uma capa preta, que espreita pelos corredores de Biltmore à noite. Após ela própria ter conseguido – depois de uma incrível disputa de habilidades – escapar do vilão, Serafina arriscará tudo ao unir forças com Braeden Vanderbilt, o jovem sobrinho dos donos de Biltmore. Braeden e Serafina deverão descobrir a verdadeira identidade do Homem da Capa Preta antes que todas as crianças... A busca de Serafina a levará ao interior da mesma floresta que tanto aprendeu a temer. Lá, descobrirá um esquecido legado de magia, que tem relação com a sua própria origem. Para salvar as crianças, Serafina deverá procurar as respostas que solucionarão o quebra-cabeça do seu passado.

O que eu achei?
"Serafina e a Capa Preta", de Robert Beatty, lançado aqui no Brasil pela editora Valentina, é uma fantasia juvenil que, pela sinopse, já da para ter uma idéia da história - na verdade, a sinopse é quase um resumo, mas tudo bem. Vamos focar em outros pontos, já que a história em si está bem explicada lá.
Serafina, por viver escondida, pouco sabe de si mesma e sobre conviver com outras pessoas, ou até mesmo sobre as outras pessoas em si. Apenas conhece da vida pelo que lê nos livros e espia pelas frestas e janelas. Sua aparência é diferente das outras pessoas: seus olhos são cor de âmbar, e possui quatro dedos em cada pé, além de ossos que não se formaram direito, dando a ela uma flexibilidade incrível.  Seu pai é super protetor, mas um pouco contido em seus sentimentos. Serafina não possui e nem sabe nada de sua mãe. Ou de qualquer outro possível membro de sua família.
O mistério central dessa história é o homem com a Capa Preta, que surge a noite e faz com que a crianças desapareçam, uma depois da outra, dia após dia. E como já diz lá na sinopse, não preciso repetir. O ponto interessante é a aventura desse livro, que vai desde a descoberta de Serafina sobre o mundo até sua descoberta sobre seu próprio passado.
A história é um fantasia juvenil, mas simples, sem magias complexas. É mais como transmutações e forças invisíveis do que raios e explosões multicoloridos. Há muita aventura, descobertas e perigos rondando a casa e a floresta que a cerca, cenário dos maiores mistérios que essa trama esconde. Lá Serafina irá descobrir muito sobre os mitos e sobre si mesma. Mitos e lendas ganharão vida e a farão perceber que nem tudo é só historinha para assustar crianças. O interessante é que, mesmo ela não tendo nenhum contato com outras pessoas além do pai, ela possui uma capacidade de julgamente super aguçada, provavelmente pelos anos em que observa na surdina a vida na Mansão Biltmore.
Além do ponto lúdico, a história tenta passar questões de bem e mal, de forma simples, questionando o conceito de cada um desses. O que é ser mal? O que é ser bom? Enquanto Serafina sai em busca do homem com a Capa Preta, ela descobre e aprende sobri si mesma, sobre os outros e seu lugar nesse limiar entre o bem e o mal, que a princípio parece muito complexo para ela.
A escrita do autor deixa claro que o público alvo é infantil, sendo ela agil, simples e sem muitas expressões complicadas. O que me incomodou fou o excesso de "e" ao invés do uso de vírgulas. Era "isso E isso E isso E isso..." várias e várias vezes durante a leitura, o que me parece empobrecer um pouco a linguagem.
Fora isso, o livro é super tranquilo de ler, podendo ser devorado de uma só vez; possui uma história muito bem moldada, com conceitos inteligentes, profundos e relevantes. Para mim, foi uma leitura pra distração e descanso dos livros mais pesados - apesar desse não ser um mar de rosas.

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