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[News] Ícone do ativismo LGBTQIA+, a multiartista travesti Claudia Wonder é evocada ao palco na peça WONDER!! Vem pra Barra Pesada no Teatro Sérgio Cardoso

 

Crédito: Xisgenera.

 A brilhante trajetória de muitas artes, vidas e afetos da saudosa artivista travesti paulistana Claudia Wonder (1955-2010), considerada um poderoso símbolo de luta e (re)existência da comunidade LGBTQIA+, é celebrada pela atuadora Wallie Ruy no espetáculo WONDER!! Vem pra Barra Pesada. Em cena também está a banda formada por Felipe Botelho, Amanda Ferraresi e NBKÊ.


O espetáculo tem apresentações no Teatro Sérgio Cardoso, equipamento da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo e gerido pela Amigos da Arte, nos dias 24, 25 e 26 de junho, sexta e sábado, às 20h, e no domingo, às 19h. Os ingressos são gratuitos. 

 

Reconhecida por suas letras bem politizadas e por criar performances extremamente impactantes, Claudia Wonder atuou no rock underground paulista, no cinema da pornochanchada, no teatro e na literatura, sempre intimamente ligada com as vivências da população LGBTQIA+.


“Claudia Wonder chega até nós para convocar sua presença no tempo presente. Evocar essa artista ímpar hoje é chamar à luz seu legado, que permanece latente, nas potencialidades de diversos artistas do teatro, da música, das artes visuais, do vídeo e da moda”, comenta a atriz Wallie Ruy.


Wonder contribuiu com a efervescência de sua arte para denunciar na sua música um Brasil que “cuspia no prato em que comia”. Apesar de diversas portas fechadas por afirmar sua identidade como pessoa travesti, permaneceu forte em seus propósitos ampliando espaços de comunicação e unindo grupos do punk e do rock underground dos anos 70 e 80 em São Paulo.


“Com essa força, com essas trajetórias de vidas eternizadas e vidas aqui existentes, encontramos em WONDER!! Vem pra Barra Pesada, um espaço de convívio e habitação de discussões para a construção de uma cidade mais humana, sensível e que busca sentido para um retorno passível de reconhecimento e existência”, acrescenta a idealizadora do trabalho.


O ponto de partida para a pesquisa foram as intersecções da vida de Wallie Ruy com Claudia Wonder e também a celebração de sua eternidade que em 2020, início do projeto, completaria 10 anos. O livro “Olhares de Claudia Wonder: Crônicas e Outras Histórias” (2008), publicado pelas Edições GLS, fruto de 6 anos da produção de Claudia para sua coluna da Revista G Magazine, também foi material para a pesquisa. Em conversa com a diversidade de leitores da comunidade “GLS” (como era conhecida à época), Claudia estabelecia um pensamento sobre os diversos sujeitos da diversidade, sobre a habitação no espaço de marginalidade, assim como as novas possibilidades de relações e afetos dissidentes ainda [e em constante] construção. 


Também nesta coluna, Claudia abordou sua história como travesti, suas escolhas, suas conquistas, sua luta e seu convite para a criação de novos olhares acerca da população transvestigênere. 


O livro foi uma importante referência para o desenvolvimento de um roteiro de percepções sobre quem é Claudia e como sua visão de mundo se reverbera na atualidade e na corpa transvestigênere da atuadora Wallie Ruy, que propõe a visita à história e memórias de Claudia como uma ação de celebração e resgate do seu legado. 


Além desse material, foram realizadas uma série de entrevistas com pessoas que compartilharam vivências pessoais com Claudia.  A Coletiva Wonder também realizou um verdadeiro mergulho na obra musical, nos materiais audiovisuais e em entrevistas e outros documentos sobre a Claudia Wonder.


Uma das performances mais marcantes realizadas por ela e que serviu como uma importante referência para a montagem chama-se “Vômito do Mito”. Nela, Claudia denunciava a violência contra os corpos travestis e homossexuais durante a epidemia de HIV/Aids. Jogando sangue falso na plateia, ela se apropriava do desconforto das pessoas para questionar os medos e mitos construídos em torno do contágio e do corpo dissidente.


Outra referência importante para a montagem foi o documentário “Meu Amigo Claudia” (2009), de Dácio Pinheiro, que resgata o legado deixado pela multiartista e sua atuação na cena underground paulista. O filme está disponível neste link aqui.


Sinopse

A história e o legado de Claudia Wonder são fios condutores para o espetáculo-show “Wonder!! Vem pra Barra Pesada”. Como multiartista travesti, Claudia atuou no rock underground paulista, no cinema da pornochanchada, no teatro e na literatura, sempre intimamente ligada com as vivências da população LGBTQIA+. Wallie Ruy é a atuadora que empresta sua história para que este encontro aconteça. Atuadora e Wonder juntas de mãos dadas, na barra pesada.


Ficha Técnica 

Idealização, dramaturgia e atuação:  Wallie Ruy

Direção e dramaturgia: Rafael Carvalho

Assistência de Direção: Neve

Produção: Yaga Goya

Assistência de produção: Bioncinha do Brasil y Quebrantxy 

Direção Musical: Felipe Botelho e Amanda Ferraresi

Banda: Felipe Botelho, Amanda Ferraresi y NBKÊ 

Cenário: Maitê Lopes

Cenotécnico: Cássio Omae

Luz: Luana Della Crist

Audiovisual e Fotografia: Xisgenera

Visagismo: Vitor Flausino

Figurino: Gustavo de Carvalho

Designer, Ilustração de Audiovisual: Angie Barbosa

Social Media – Maria Pia Banchieri

Apoio: Oficina Cultural Oswald de Andrade, Teatro Oficina, Corpo Rastreado y Centro Cultural Galeria Olido.

Realização: Coletiva Wonder, Prêmio Zé Renato de apoio à produção e desenvolvimento da atividade teatral para a cidade de São Paulo e a Secretaria Municipal de Cultura.


Serviço

Wonder!! Vem pra Barra Pesada, de Wallie Ruy e Rafael Carvalho

Classificação: 16 anos

Duração: 120 minutos

Teatro Sérgio Cardoso - Rua Rui Barbosa, 153, Bela Vista

Apresentações: 24, 25 e 26 de junho

Na sexta e no sábado, às 20h, e no domingo, às 19h

Ingressos: Gratuitos


Sobre a Amigos da Arte

A Amigos da Arte, Organização Social de Cultura responsável pela gestão do Teatro Sérgio Cardoso, Teatro Sérgio Cardoso Digital e Teatro de Araras, além da plataforma de streaming e vídeo por demanda #CulturaEmCasa,  trabalha em parceria com o Governo do Estado de São Paulo e a iniciativa privada desde 2004. Música, literatura, dança, teatro, circo e atividades de artes integradas fazem parte da atuação da Amigos da Arte, que tem como objetivo fomentar a produção cultural por meio de festivais, programas continuados e da gestão de equipamentos culturais públicos. Em seus mais de 17 anos de atuação, a Organização desenvolveu cerca de 60 mil ações que impactaram mais de 30 milhões de pessoas.


Sobre o Teatro Sérgio Cardoso

Localizado no boêmio bairro paulistano do Bixiga, o Teatro Sérgio Cardoso mantém a tradição e a relevância conquistada em mais de 40 anos de atuação na capital paulista. Palco de espetáculos musicais, dança, peças de teatro, o equipamento é um dos últimos grandes teatros de rua da capital, e foi fundamental  nos dois anos de pandemia, quando abriu as portas, a partir de rígidos protocolos de saúde, para a gravação de especiais difundidos pela plataforma #CulturaEmCasa. 


Composto por duas salas de espetáculo, quatro dedicadas a ensaios, além de uma sala de captação e transmissão, o Teatro tem capacidade para abrigar com acessibilidade oito pessoas na sala Nydia Licia, 827 na sala Paschoal Magno 149 pessoas são comportadas no hall de entrada, onde também acontecem apresentações e aulas de dança. 


Em junho deste ano, mais uma vez o Teatro inova e lança o Teatro Sérgio Cardoso Digital. Com um investimento em alta tecnologia e adaptação para as necessidades virtuais, o TSC Digital, na vanguarda dos teatros públicos brasileiros, vai ao encontro de forma inédita da democratização do acesso à cultura com objetivo de garantir uma experiência online o mais próxima possível da presencial.


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