04 maio 2018

[Resenha] A História de Animal

Sinopse: Animal é um garoto de 17 anos, morador de uma favela na cidade de Khaufpur, na Índia. Ele tem a coluna curvada por causa de uma doença adquirida após um acidente químico aos 6 anos de idade. Criado em um orfanato de freiras francesas, vive de biscates, sobrevivendo como pode. A sua vida muda ao conhecer Nisha, jovem de 18 anos que o ensina a ler e escrever. Através dela, conhece pessoas que se tornam fundamentais em sua vida, como Zafar, ativista político que luta contra a empresa responsável pela contaminação de poços e reservatórios de água em Khaufpur.

O que eu achei?
“Eu já fui humano. Assim me disseram. Eu mesmo não me lembro, mas as pessoas que me conheceram quando eu era pequeno dizem que eu andava com dois pés exatamente como um ser humano.”

Em A HISTÓRIA DE ANIMAL, o autor nos transporta para um vilarejo que, em épocas passadas, era um lugar cheirando a prosperidade; contudo, agora transformada em uma favela, após um trágico acidente industrial – um incêndio que causou o vazamento de produtos tóxicos –, se vê mergulhada até o pescoço em pobreza e doenças. (Referem-se a indústria americana pelo nome KOMPANI)


A história deste lugar e suas pessoas é contada pela voz de Animal (sim, esse é o 'nome' dele), um jovem indiano que perdeu seus pais quando o acidente ocorreu – dia chamado de “A noite”. Animal é um jovem peculiar, criado por uma freira francesa – Ma Franci – que o acolheu após ele ter saído do orfanato. Porém, o destino guardava para ele dores maiores do que apenas a orfandade. Após uma forte e longa febre, a coluna de Animal começou a se dobrar para frente, fazendo com que ele passasse a andar apoiados em suas mãos – daí veio o nome, porque, para ele, ele não e humano.


Um jovem de aparência “anormal”, pobre, sem pai nem mãe, vivendo em um local poluído por venenos da Kompani, convivendo diariamente com a pobreza e o sofrimento, agindo por meios nem sempre honestos ou dignos para obter alguma comida ou algum pouco dinheiro; estes são nossos olhos pelo cotidiano do Quebra-Nozes, que nos apresentará a personagens dos mais variados tipos.


Conheceremos Zafar, um líder popular na luta contra a Kompani; Nisha, seu primeiro e, talvez, único amor verdadeiro; Somraj, pai de Nisha, que já fora um cantor famosos, porém perdeu sua voz na noite do acidente da Kompani; Elli, uma doutora americana que constrói uma clínica gratuita para tratar os doentes, mas se vê em uma luta constante para ganhar a confiança dos moradores, dentre muitos outros.


Cada personagem com sua carga de importância não somente na história, mas também na vida de Animal que, nessa jornada, fazendo, agora, pela primeira vez, parte de algo maior do que apenas sobreviver a mais um dia com o pouco que consegue, passa a questionar mais a si mesmo e sua condição como ser: humano ou animal?


Como dito, Animal conta a sua história e de todos os outros, usando sua linguagem, com erros e tudo o mais, através de fitas gravadas a um jornalista. É um jovem de personalidade forte, por vezes grosseiro e inconsequente, desbocado, revoltado, mas, para olhos atentos, é possível ver bem de onde tanta insubordinação e insolência surgiu. Ainda assim, ele consegue ser extremamente sincero em seus relatos, não possuindo filtros nem destilando mentiras desnecessárias.


Uma história ambígua – triste e divertida -, com uma individualidade excepcional; uma forte crítica aos efeitos da globalização e o poder dos fortes/ricos sobre os fracos/pobres, porém, sem jamais se deixar levar pela derrota ou desesperança. Muito pelo contrário: lutam até o fim de suas vidas, se preciso for.
“Não sei fazer floreios elegantes com as palavras. Peixes azuis não sairão de repente voando da minha boca. Se você quer a minha história, vai ter que aturar meu jeito de contar.”


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