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[Crítica teatral] Por Favor, Venha Voando

Sinopse:
Debora e Inez, companheiras, artistas, são um casal que deseja analisar as possibilidades de uma relação amorosa: entre muitas pessoas que simplesmente passaram, o que fez elas ficarem? Que movimento é esse de ficar em uma relação? Para além de um simples jogo autoficcional, Debora e Inez, que poderiam ser Georgette e Pedro, Julia e Simone, forçam os limites de sua análise e passam a especular sobre uma ligação afetiva que uniria toda a humanidade.

Onde e quando?
Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro
Rua Primeiro de Março, 66
De 14.03.2019 a 29.04.2019

O que eu achei?
Juntas há dez anos, as atrizes Inez Vianna e Débora Lamm comemoram o aniversário de união nos palcos, com a peça Por Favor, Venha Voando, dirigida por Georgette Fadel e escrita pelo dramaturgo Pedro Kosovski. No espetáculo, vida e arte se confundem na tentativa de responder a pergunta que é motor da narrativa: entre tantas pessoas que passaram por suas vidas, o que fez elas ficarem?
No quesito conexão com o público, a peça é extremamente bem sucedida. Como se trata de uma autoficção, tipo de dramaturgia que vem ganhando força, o texto cria vários pontos de identificação da plateia, que são reforçados pelo ótimo desempenho de suas intérpretes e o cenário, que nos dá uma grande sensação de conforto e intimidade. A dramaturgia costura diversas referências, como a famosa cena da cama protagonizada por John Lennon e Yoko Ono. A conclusão que se tira de tudo é que, no fundo, todos estamos ligados de alguma forma. Poderíamos ter habitado aquela cama tanto quanto Ono e Lennon, Vianna e Lamm.
Entretanto, acredito que o improviso torna-se muito mais atrativo do que o texto formal em si. O espetáculo, a meu ver, é mais interessante quando não há ficção alguma por trás, quando a história pertence a elas mesmas. A cena em que as duas improvisam sobre o dia em que se conheceram me parece muito mais cheia de verdade do que quando a dramaturgia nos leva a lugares dramáticos e obscuros de um relacionamento.
Saio com a sensação de que um espetáculo menos literal, mais indireto, ou seja, um espetáculo com menos digressões a respeito de toda a humanidade e dos laços humanos e mais sobre elas mesmas, talvez fosse uma escolha mais criativa em termos teatrais.

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