16 abril 2018

[Resenha] Passarinha

    Sinopse:No mundo de Caitlin, tudo é preto e branco. Qualquer coisa entre um e outro dá uma baita sensação de recreio no estômago e a obriga a fazer bicho de pelúcia. É isso que seu irmão, Devon, sempre tentou explicar às pessoas. Mas agora, depois do dia em que a vida desmoronou, seu pai, devastado, chora muito sem saber ao certo como lidar com isso. Ela quer ajudar o pai – a si mesma e todos a sua volta –, mas, sendo uma menina de dez anos de idade, autista, portadora da Síndrome de Asperger, ela não sabe como captar o sentido. Caitlin, que não gosta de olhar para a pessoa nem que invadam seu espaço pessoal, se volta, então, para os livros e dicionários, que considera fáceis por estarem repletos de fatos, preto no branco. Após ler a definição da palavra desfecho, tem certeza de que é exatamente disso que ela e seu pai precisam. E Caitlin está determinada a consegui-lo. Seguindo o conselho do irmão, ela decide trabalhar nisso, o que a leva a descobrir que nem tudo é realmente preto e branco, afinal, o mundo é cheio de cores, confuso mas belo. Um livro sobre compreender uns aos outros, repleto de empatia, com um desfecho comovente e encantador que levará o leitor às lágrimas e dará aos jovens um precioso vislumbre do mundo todo especial dessa menina extraordinária.           
O que eu achei?
Sempre me interessei por histórias de pessoas autistas, de todas as partes do espectro mas especialmente da Síndrome de Asperger pois tenho um amigo portador da síndrome.Para quem não conhece, as principais características são déficit de comportamento social, interesses restritos, movimento repetitivos,perturbação na comunicação não-verbal (muitas vezes tem dificuldade em estabelecer contato visual, como a personagem) mas não apresenta nenhum atraso na linguagem e interpretação literal.Comprei esse livro no estande da editora Valentina na Bienal do ano passado numa promoção e fui cativada pela história da protagonista.

Caitlin Turner tem dez anos de idade e mora no estado da Virgínia com seu pai e seu irmão (a mãe morrera de câncer quando ela era pequena) mas depois que Devon, seu irmão mais velho, é assassinado durante um tiroteio na escola (situação que ela se refere como O dia que em que a nossa vida mudou), ela e seu pai precisam aprender a superar a perda.Ele estava trabalhando em um armário para um de seus trabalhos para atingir o nível Águia, um dos mais altos na hierarquia dos escoteiros.Mas ele morreu antes que pudesse finalizar o projeto. Sua orientadora da escola, a Sra.Brooks, estimula Caitlin a fazer novas amizades e ela se torna amiga de Michael, um garoto mais novo que depois ela descobre ser o filho de uma das professoras assassinadas no massacre que custou a vida de Devon.
Caitlin adora desenhar,tem um talento nato para isso e tem um jeito diferente de nomear e descrever as coisas, por exemplo, quando ela se sente nervosa ao encarar uma pessoa nos olhos, ela diz que tem uma sensação de recreio no estômago porque o recreio é a ´´matéria´´ da escola que ela menos gosta devido à quantidade devastadora de ruídos que as pessoas fazem. 

Um dia, ela lê no dicionário (que é seu livro favorito, já que é uma maneira de tentar entender o mundo) o significado da palavra desfecho: ´´A vivência da conclusão emocional de uma situação de vida difícil como a morte de um ente querido.´´ Há uma identificação imediata e Caitlin decide que a melhor maneira de encontrar seu desfecho é finalizar o armário de Devon junto com seu pai.
Além da óbvia mensagem de luto, uma das maiores lições do livro é o valor da empatia. Sendo autista,a protagonista tem um pouco de dificuldade para tentar entender os sentimentos dos outros mas após descobrir o que ela significa,sente que é necessário ter essa capacidade nas interações com outras pessoas.
´´Embora eu não gostasse da empatia ela é uma coisa assim que chega sem avisar e faz você sentir um calorzinho gostoso no coração.´´

Duas observações: há poucas vírgulas no texto porque é exatamente assim que Caitlin fala. A outra é que a obra tem várias referências ao clássico To kill a mockingbird (O sol é para todos no Brasil) como o motivo do pai se referir á filha como Scout, que além de escoteira em inglês, é o nome da protagonista do livro de Harper Lee e a imagem da garota do ninho, só que no caso de Caitlin, simboliza o mundinho particular dela.Apenas uma ressalva: há uma parte em que a tradutora se referiu ao filme como Matar um passarinho, que seria a tradução literal mas o título é O sol para todos. 
A obra venceu o prêmio de National Book Award em 2010 e mereceu porque é daquelas que tocam o coração e ensina lições que todos deveriam saber, como respeitar os limites do próximo e ter empatia.


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