20 abril 2018

[Resenha] Onde Cantam Os Pássaros


No premiado romance de Evie Wyld, a fazendeira Jake White leva uma vida simples numa ilha inglesa. Suas únicas companhias são rochedos, a chuva incessante, suas ovelhas e um cachorro, que atende pelo nome de Cão. Tendo escolhido a solidão por vontade própria, Jake precisa lidar com acontecimentos recentes que põem em dúvida o quanto ela realmente está sozinha – e o quanto estará segura. De tempos em tempos, uma de suas ovelhas aparece morta, o que pode ser muito bem obra das raposas que habitam a floresta próxima à sua fazenda. Ou de algo pior. Um menino perdido, um homem estranho, rumores sobre uma fera e fantasmas do seu próprio passado atormentam a vida de uma mulher que sonha com a redenção. Aos poucos, vamos descobrindo mais sobre as suas habilidades em tosquiar e cuidar de ovelhas, aprendidas ainda quando jovem, em sua terra natal, na Austrália. E vamos aprendendo também o que aconteceu lá, que acabou por conduzir White à uma vida de reclusão e isolamento. E sobre as contradições e diferenças entre um passado (sempre narrado no tempo verbal presente) cheio de vida e calor, e o presente (narrado por sua vez no passado) repleto de lama, frio e um ritmo mais desacelerado, paira uma atmosfera absolutamente brutal. Com uma prosa verdadeiramente excepcional, o estilo da autora reúne tanto clareza como substância e apresenta uma personagem inesquecível, enigmática, trágica, assombrada por um passado inescapável. Uma mulher forte, ainda que tão passível de falhas, erros e equívocos como todos nós. É uma história de solidão e sobrevivência, culpa, perda e o poder do perdão. Uma escrita visceral onde sentimos a presença de tudo, os odores, o vento, o tempo. Nada passa desapercebido.
O que eu achei?
Mais um livro da incrível Darkside, com suas edições hiper trabalhadas chegam em minhas mãos. O título da vez é o enigmático "Onde Cantam Os Pássaros", da Evie Wyld.

Bem, o livro se passa numa fazenda de ovelhas, e nos apresenta a Jake Whyte, que vive praticamente reclusa, tentando sobreviver a um passado que a assombra a todo instante. Volta e meia uma de suas ovelhas aparece morta, eviscerada, sem pistas de quem ou o que fez aquilo. E é aí que mora um dos mistérios.
Jake não é uma mulher comum, com aspirações românticas e sonhos coloridos. Ela segue a vida no limite entre a raiva e a calma, sempre cuidadosa com quem está ao seu redor. Ela própria narra a história, onde está intercalado o presente - na fazendo de ovelhas -, e o passado, que vamos descobrindo aos poucos, e que nos explicará muito sobre a personalidade de Jake.

A atmosfera da história é pesada, densa, sem muitos sorrisos ou momentos descontraídos, lembra muito um romance gótico. Jake vive as voltas com pesadelos e paranôias que, a princípio não conseguimos entender bem. Mas que ao longo da história, vai ganhando forma e um peso descomunal, onde temos a fuga de uma mulher na tentativa de deixar para trás traumas e erros; arrependimentos e medos.
A escrita do livro é ótima, e apesar de não ser um livro de suspense com ação ou sustos, consegue manter o leitor preso, tenso e ansioso. O fato do livro intercalar presente e passado no início - confesso - me atrapalhou um pouco, mas foi mais pela forma como o passado é contado (não direi mais do que isso, senão seria spoiler).

Além disso, o mistério de quem ou o que está matando suas ovelhas ganha forma e suspeita, o que dá uma energia a mais na história, além da chegada de um personagem um tanto quanto estranho na vida de Jake. Além disso, Jake carrega em suas costas grandes cicatrizes, que também serão um mistério a ser desvendado.
Os fantasmas dessa história habitam o passado de Jake, que segue ela aonde quer que ela vá. Vemos como suas escolhas afetaram sua trajetória de vida, e como suas decepções fizeram com que ela perdesse o rumo de si mesma.

Apesar de eu sentir que, ao fim da leitura, deixei algo "passar", confesso que o livro soube contar a história de uma forma bastante envolvente; a autora soube criar uma personagem cativante ao seu modo triste, ansioso e nervoso; e os mistério são instigantes.

Nenhum comentário

Postar um comentário