17 outubro 2017

[Crítica] Detroit em rebelião


No ano de 1967, Detroit vive cinco dias de intensos protestos e violência. Um ataque policial na cidade resulta em um dos maiores tumultos na história dos Estados Unidos, levando à federalização da Guarda Nacional de Michigan e ao envolvimento de duas divisões aéreas do Exército americano.

O que eu achei?
Kathryn bigelow é uma diretora que sabe trabalhar com os fatos ou eventos importantes que marcaram o mundo. Ela consegue trazer a tensão dura e real para os seus filmes, isso foi mostrado no independente Guerra ao Terror e também em A Hora Mais Escura. O seu trabalho mais recente é Detroit em Rebelião e podemos dizer que estamos diante de um concorrente forte para o Oscar.

Em 1967 no Michigan, Detroit viu suas ruas serem palcos de protestos civis, por causa da violência policial contra a população negra e o abandono do estado com a crise na cidade. Foi um evento que marcou muito os Estados Unidos pelo seu grau de violência e de mortes que houveram. Bigelow usa uma câmera quase documental para nos apresentar os eventos. Esse é um dos pontos positivos, além da mesclagem com filmagem reais e matérias de jornais da época. A câmera cria uma sensação intimista que mostra a tensão e a revolta dos negros.

O filme apresenta várias visões para o mesmo evento, algumas vezes fica faltando um aprofundamento. As pessoas que não conhecem muito bem os motivos que levaram aquilo podem se sentir um pouco fora do assunto, isso em nenhum momento tira o mérito do filme, só é algo que poderia ser aprofundado, na verdade quando vi o filme a imersão foi tão grande que logo o sentimento de revolta batia em meu coração isso só mostra o ótimo trabalho que a diretora criou.

O filme nos apresenta núcleos separados, um grupo de policiais violentos com um deles racista, um músico que está em busca de seu estrelato e da sua primeira apresentação e um segurança jovem negro que tenta seguir sua vida de forma simples e que tenta ser integro em todo momento. Durante a batida policial no hotel tem torturas psicológicas e físicas, se no inicio a tensão era crescente a partir desse momento é mais suave, aqui temos uma das melhores cenas do filme é super tensa e dura em tornos de 30 minutos. Você não sabe ao certo como aquilo vai terminar, é uma espiral de violência e a sensação sufocante de estar preso e impotente.

Podemos ter alguns atores indicados ao Oscar principalmente Will Poulter, ele consegue passar violência, raiva e a instabilidade com apenas olhares e quando é preciso expressa também de modo físico. O filme não tenta ser um manifesto sobre os acontecimentos e sim mostrar a violência contra o povo negro americano que mesmo nos dias atuais continua sofrendo discriminação. É um filme que pode incomodar, vai bater na ferida mas é necessário. No decorrer da história percebemos como aquele ato de violência no hotel marcou todos de forma profunda e alguns deles para sempre, é um filme longo mas você não sente o tempo. Ele também não é perfeito, e sim, tem alguns escorregões principalmente de ritmo mas eu entendo, fica difícil manter o mesmo fôlego depois da ótima cena do hotel. É como se levássemos um soco bem forte na cara, o impacto dói e depois ficamos com o rosto latejando. A dor aos poucos vai diminuindo mas a marca continua.

Trailer:

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