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[News] “Grande Sertão: Veredas” volta ao Rio de Janeiro em montagem inédita no Teatro Arena do Sesc Copacabana


Ovacionado espetáculo-instalação de Bia Lessa volta ao Rio, após ser visto por quase 50 mil espectadores e receber prêmios de melhor espetáculo, direção, ator protagonista e arquitetura cênica.

Temporada aguardada há mais de um ano pelo público carioca, o espetáculo volta à cidade em montagem inédita para o formato circular do Teatro Arena do Sesc Copacabana, com estreia marcada para o dia 12 de setembro, quinta-feira, às 19h, em noite de festa. Desde que estreou, em 2017, foram 125 apresentações em 13 cidades brasileiras para quase 50 mil pessoas, colecionando 40 indicações e 14 prêmios recebidos.

A montagem de Bia Lessa é baseada em um dos maiores e mais densos clássicos da literatura nacional do século XX, obra prima do autor brasileiro João Guimarães Rosa. Sucesso de público e de crítica, o espetáculo foi apresentado, além do Rio, em São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Brasília, Fortaleza, Manaus, Santos, Porto Alegre, Niterói e São José dos Campos, nos principais teatros brasileiros.

O espetáculo ganhou os mais importantes prêmios de teatro. Recentemente, pelo XIII Prêmio APTR, foi vencedor nas categorias de melhor espetáculo, melhor direção, melhor cenografia e melhor ator, sendo o espetáculo com maior indicações e troféus desta edição, dentre os 350 espetáculos apresentados nos palcos cariocas em 2018. Somam-se a estes, os prêmios de melhor direção pelo APCA 2017; melhor direção e melhor ator (Caio Blat) no Prêmio Shell; melhor espetáculo de teatro no Prêmio Bravo! 2018; e melhor espetáculo independente e melhor arquitetura cênica no Prêmio Aplauso Brasil de Teatro, bem como foi agraciado pelo Questão de Crítica. Bia Lessa recebeu ainda o Prêmio Faz Diferença do jornal O Globo na categoria Teatro.

Caio Blat, Luiza Lemmertz, Luisa Arraes, Fábio Lago, José Maria Rodrigues, Balbino de Paula, Daniel Passi, Elias de Castro e Lucas Oranmian seguem no elenco afinado, que passa mais de duas horas ininterruptas em cena. A novidade é Isabelle Nassar, selecionada durante um workshop promovido pela direção, que recebeu 280 inscrições, para seleção da nova atriz.

Para dar vida ao mítico sertão, Bia reuniu nomes como Egberto Gismonti (música), Dany Roland (trilha musical), Camila Toledo (concepção espacial, com a colaboração de Paulo Mendes da Rocha), Sylvie Leblanc (figurino) e o saudoso cenógrafo Fernando Mello da Costa (adereços).

Como afirmou o crítico de teatro Dirceu Alves Jr., em 2017, na Revista Veja SP, “a mão delicada de Bia se reflete em passagens ousadas, como a cena de sexo protagonizada pela atriz Luisa Arraes e por Caio Blat. Por tudo isso, o espetáculo enche os olhos do público. O trunfo da diretora, no entanto, está na condução do elenco. Se Caio Blat beira o sublime na angústia de Riobaldo, os outros nove atores (...) formam um conjunto harmônico e raro de ver em grupos tão numerosos”.

Na época da montagem no CCBB, em 2018, o crítico teatral Gilberto Bartholo afirmou entusiasmado: “Obra-prima!!! É como qualifico o espetáculo ‘Grande Sertão: Veredas’, uma leitura cênica, ou uma ‘instalação cênica’, de um dos melhores livros da literatura brasileira, mundialmente consagrado, de autoria de um gênio, João Guimarães Rosa, idealizada e realizada por uma das nossas grandes encenadoras, Bia Lessa”.


SOBRE O ESPETÁCULO

Bia conhece profundamente o Sertão de Guimarães Rosa. Ela levou o público para dentro da obra na inauguração do Museu da Língua Portuguesa (SP), em 2006. A exposição foi aclamada por onde passou. Com o espetáculo teatral, ela convida a plateia a um mergulho fundo na epopeia narrada pelo jagunço Riobaldo (Caio Blat), que atravessa o sertão para combater seu maior inimigo, Hermógenes (José Maria Rodrigues), fazer um pacto com o diabo e descobrir seu amor por Diadorim (Luiza Lemmertz). Trata-se de uma instalação, visitada e experimentada pelo público, e o espetáculo, encenado na mesma estrutura, em 2 horas e 20 minutos de apresentação ininterruptas, com o elenco em cena permanentemente, em que o público experimenta a dissolução das fronteiras entre início e fim do espetáculo; entre teatro, cinema e artes plásticas; entre literatura e encenação.

“O teatro para mim é sagrado. Me deparei com o Grande Sertão e ele se apoderou de mim mais uma vez. Quando montei a exposição, algumas questões se apresentavam: a principal delas era como utilizar imagens sem que o significado do Sertão de Guimarães ficasse reduzido a um único lugar. A opção na época foi trabalhar apenas com palavras. No teatro, essa questão volta a se impor: 'o sertão está dentro da gente'. Nosso caminho foi realizar um trabalho onde homens, animais e vegetais estabelecessem uma relação de diálogo sem supremacia entre eles. Não estamos exatamente no sertão, mas em um espaço ‘ecológico’ e metafísico onde tudo cabe. Um espaço, uma imagem, que nos possibilita a experiência proposta pelo romance, sem obviamente realizar o romance tal como é – fidelidade absoluta (todas as palavras ditas são de Guimarães Rosa), mas liberdade infinita, visto que é apenas uma das leituras possíveis da riquíssima obra de Guimarães”, afirma Bia Lessa.

Em um trabalho tão artesanal, marca da diretora (que passou mais de 600 horas com o elenco, em ensaios diários por 92 dias), e de grande esforço físico (a preparação corporal foi um dos aspectos indissociáveis do trabalho de direção, com aulas de corpo diariamente durante os 4 meses de ensaio), a tecnologia foi fundamental para guiar o público em tantas veredas. Cada espectador usa fones de ouvido que permitirão escutar separadamente a trilha sonora, as vozes dos atores, os efeitos sonoros e sons ambientes, levando-o a um nível inédito de interação com a dimensão sonora do espetáculo. Apesar de todos compartilharem o espaço na plateia, cada um terá uma experiência única durante a apresentação.

A grande estrutura tubular concebida lembra um claustro, uma gaiola. Instalada no palco do Teatro Arena do Sesc Copacabana, também é, ao mesmo tempo, cenário de violentas batalhas e de reflexões profundas. 250 bonecos de feltro com tamanho humano, criados pelo aderecista Fernando Mello da Costa, compõem uma imagem permanente: a cena da morte de Diadorim como um presépio. A trilha sonora completa a atmosfera do Grande Sertão: Veredas, composta por três camadas: os ruídos e sons ambientes, a música composta por Egberto Gismonti e a trilha sonora que representa nossa memória emotiva, com músicas que fazem parte de nosso imaginário. Os figurinos de Sylvie Leblanc são uma leitura do sertão, sem regionalizá-lo – são personagens do mundo.


SINOPSE

Bia Lessa propõe a um só tempo uma peça de teatro e uma instalação em sua adaptação do livro “Grande Sertão: Veredas – matriz do moderno romance brasileiro e obra-prima de João Guimarães Rosa. A peça traz para o palco a saga do jagunço Riobaldo que atravessa o sertão para combater seu maior inimigo, Hermógenes, fazer o pacto com o diabo e viver seu amor por Diadorim. O cenário-instalação estará aberto à visitação do público nos dias do espetáculo.

BIA LESSA

Bia Lessa é uma artista multifacetada, cineasta, diretora de teatro e ópera, exposições, ganhadora de vários prêmios. Suas obras são exibidas em vários países, como Alemanha, França e EUA. Criadora do Pavilhão Brasileiro na Expo 2000 em Hannover, Mostra Redescobrimento na Bienal SP, Reabertura do Theatro Municipal do Rio de Janeiro com a ópera Il Trovattore, Pavilhão Humanidades 2012 (Rio + 20), reinauguração dos painéis Guerra e Paz de Candido Portinari na ONU em NY. No cinema, dirigiu os filmes CREDE-MI mostrado em festivais internacionais (Berlim, Biarritz, Nova Iorque, Jerusalem, Brisbane, Minsk, entre outros).


POR SILVIANO SANTIAGO

Para Bia Lessa, só o espetáculo teatral pode expandir a forma inovadora da literatura. Ela não adaptou duas obras clássicas do romance ocidental; levou ao palco os romances Orlando, de Virginia Woolf, e O homem sem qualidades, de Robert Musil, expandindo-os. E agora, quando a nação perde o norte da cidadania e esfarela a vontade dos brasileiros, Bia monta uma escultura (...). No seu interior, encena o monstruoso e genial “Grande sertão: Veredas”, do nosso Guimarães Rosa.

Durante o dia, a escultura do Grande sertão: Veredas repousa como se fosse livro fechado, a espicaçar a curiosidade dos visitantes. À noite, a escultura expande o livro aberto. O leitor silencioso e introspectivo se metamorfoseia em espectador, parcela de um coletivo atento e participante, que se renova.

A gongórica e letal escrita de Rosa ganha o corpo dos atores. Empresta-lhes ação e fala. E a trama romanesca se desenvolve diabolicamente, com movimentos desordenados, afetuosos e anárquicos, qual máquina escultural assinada por Jean Tinguely, um dos fundadores do Novo Realismo. Novo Realismo igual a − diz o famoso manifesto − novas percepções do Real.

“Grande Sertão: Veredas” se expande como espetáculo teatral que libera – qual alegoria rigorosa da nossa contemporaneidade − o modo como os movimentos desenvolvimentistas sem preocupação social e humana não recobrem a nação como um todo. Pelo contrário. O esforço positivo da modernização é localizado, centrado e privilegia. Nas margens, cria enclaves de párias – bairros miseráveis, favelas, prisões, manicômios, etc. − onde violentas forças antagônicas se defrontam e se afirmam pela ferocidade da sobrevivência a qualquer custo, acirrando a irascibilidade do controle e do mando. Viver é perigoso.

Extraordinário em Guimarães Rosa é que, no mais profundo da vida humana miserável e autodestrutiva, na morte, há lugar para o afeto e o amor. Ao compasso de espera, Riobaldo e Diadorim dançam novos e felizes tempos. Piscam a alegria de viver, como vagalumes que a mata libera à noite.

Silviano Santiago


FICHA TÉCNICA

Concepção, Direção Geral, Adaptação e Desenho de Luz – Bia Lessa

Elenco – Balbino de Paula, Caio Blat, Daniel Passi, Elias de Castro, Fábio Lago, José Maria Rodrigues, Lucas Oranmian, Luisa Arraes, Luiza Lemmertz, Isabelle Nassar

Concepção Espacial – Camila Toledo, com colaboração de Paulo Mendes da Rocha

Música – Egberto Gismonti

Trilha Sonora – Dany Roland

Figurino – Sylvie Leblanc

Adereços – Fernando Mello Da Costa

Desenho de Som – Marcio Pilot

Paisagem Sonora – Fernando Henna e Daniel Turini

Desenho de Luz – Binho Schaefer

Diretor Assistente: Bruno Siniscalchi

Assistente de Direção e Preparadora Corporal: Amália Lima

Operador de luz: Felipe Antello

Operadora de Som: Bruna Moreti

Microfonista: Telma Lemos

Contrarregra: Arthur Costa

Identidade Visual: Cubículo

Registro Visual Processo Criativo: Roberto Pontes

Direção de Produção: Maria Duarte

Produtora Executivo: Fabiana Comparato

Administração: Eduardo Correia

Colaboração – Flora Sussekind, Marília Rothier, Silviano Santiago, Ana Luiza Martins Costa, Roberto Machado

Agradecimento especial à viúva do Autor, a quem a obra foi dedicada, Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa, à Nonada Cultural e a Tess Advogados.

© Nonada Cultural Ltda.


SERVIÇO

Espetáculo “Grande Sertão: Veredas”

Datas: 12 de setembro a 27 de outubro de 2019

Dias da semana: de quinta a domingo

Horário: 19h

Abertura do foyer: 18h

Abertura do teatro: 18:30h

Local: Arena do Sesc Copacabana

Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, Rio de Janeiro - RJ

Ingressos: R$ 7,50 (associado do Sesc), R$ 15 (meia), R$ 30 (inteira)

(Ingresso solidário R$ 15,00 (meia) com a doação de 1 kg de alimento para o Projeto Mesa Brasil do Sesc RJ)

Informações: (21) 2547-0156


Bilheteria - Horário de funcionamento:

Terça a Sexta - de 9h às 20h;

Sábados, domingos e feriados - das 12h às 20h.

Classificação indicativa: 18 anos

Duração: 140 minutos

Lotação: 260 lugares

Gênero: clássico 


 

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