07 maio 2018

[Resenha] Titanic Minuto a Minuto

Sinopse:Às 2h20 da manhã de 15 de abril de 1912, o Titanic inicia uma descida de quase quatro quilômetros até o fundo do oceano. Maquinário, carvão, taças de cristal, pianos e joias submergem na água escura. Centenas de passageiros e tripulantes permanecem presos sob o convés – centenas mais perderão a vida na superfície. Esta é a cronologia definitiva das horas finais do Titanic, contada com detalhes fascinantes e que oferece uma experiência em tempo real de um dos maiores dramas da história do século XX.
O que eu achei?Se você for como eu, que já assistiu Titanic várias vezes, é fascinado pelo naufrágio e procura aprender mais sobre o acontecimento que mudaria para sempre as leis de navegação marítima, essa é uma leitura indispensável.
Desde detalhes técnicos, como um mapa detalhado das instalações do navio, a lista completa dos passageiros e um glossário de termos náuticos, passando por relatos de passageiros que viajavam pelos mais diversos motivos, seja por trabalho ou para encontrar o noivo, esse livro contém informações que o filme não mostra,como a mensagem de uma garrafa escrita por um irlandês de 19 anos chamado Jeremiah Burke se despedindo de sua família. Ele estava indo para Nova York, onde seguiria para Boston para levar uma vida com melhores condições sócio-econômicas e reencontrar suas duas irmãs mais velhas,que já estavam estabelecidas lá. A garrafa foi encontrada flutuando no meio do Atlântico Norte. Ao perceber que não teria como escapar do trágico destino de morrer congelado nas gélidas águas do Oceano Atlântico no inverno,ele decidiu fazer uma arriscada tentativa de enviar uma mensagem de despedida para sua família.  

Dividido em 6 partes: a primeira, introdução, em um panorama geral do ocorrido é traçado, a empresa que construiu o navio (que na época de seu lançamento, era o maior do mundo) os funcionários que trabalhavam em cada setor, a divisão das acomodações nas três classes e a lista de passageiros. A segunda parte fala sobre a véspera de colidirem com o iceberg, 14 de abril de 1912,como os oficiais que eram superconfiantes em suas habilidades e na capacidade do ´´navio inafundável´´ cometeram um deslize que custou a vida de 1.514 pessoas ao não desviar de um iceberg à tempo. Na verdade, o maior erro foi não ter batido de frente porque teria causado menos estrago do que colidido de lado. Não sei vocês lembram mas há uma cena no filme em que o engenheiro fala que o Titanic era capaz de navegar com até 3 dos 5 compartimentos alagados mas não com todos. Ao baterem com o iceberg de lado, todos os compartimentos foram danificados, o que garantiu que a embarcação afundasse.Na terceira parte, na segunda-feira, 15 de abril de 1912, a mais longa de todo o livro, narra as medidas que os oficiais e os membros das tripulação tomaram e uma vez que perceberam que o acidente era inevitável, o processo de acalmar o desespero e acomodar o maior número de pessoas (especialmente das primeiras e segunda classes)nos botes. A quarta parte, nos botes salva-vidas, relata a situação de cada um dos dezesseis botes e dos desmontáveis que foram alocados para os passageiros de terceira classe. A quinta parte,depois de abril de 1912, revela o destino de todos os sobreviventes. Algumas mulheres ficaram viúvas e optaram por não prestar queixas. Outros foram os únicos sobreviventes de suas famílias. Depois tem os agradecimentos e a bibliografia.
  
Enquanto lia os relatos dos passageiros e da tripulação, pude apenas imaginar a agonia que eles devem ter sentido. Imagine a cena: você embarca na viagem de inauguração de um navio cheio de esperança de aproveitar suas férias e de atingir seu destino quando de repente recebe a notícia que sua vida corre perigo e pode nem atingir a parada final da jornada. Há histórias emocionantes, como a de Charlotte Collyer, uma sobrevivente que narrou como os músicos tocaram até o final:
´´Eles continuaram até o último minuto.Somente o oceano devorador teve o poder de tragá-los para o silêncio.A banda estava tocando ´Nearer, my God,to Thee (Mais perto de Deus)´´. Eu pude ouvir nitidamente. O fim estava muito próximo.´´ 
Página 197.

 O autor Jonathan Mayo teve a ideia de escrever esse livro após fazer um programa de rádio para a BBC Radio 2, para comemorar o centenário do naufrágio em 2012. Um funcionário disse a ele que o roteiro do programa (que tinha três horas de duração) deveria ser transformado em livro. É uma leitura rápida mas nem por isso menos envolvente, indispensável para qualquer fã do Titanic.



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