12 maio 2018

[Crítica Musical] Voicenotes

Charlie Puth está desde 2018 nos dando pequenos gostos de seu segundo álbum, “Voicenotes”. Três faixas foram lançadas como singles com clipes, sendo elas “Attention”, “How Long” e “Done For Me”, esta com participação de Kehlani, sendo sucessos instantâneos.
Depois de sua estreia em 2016 com o “Nine Track Mind”, que confesso ter achado pouco coeso e meio perdido em sua proposta, apesar de ter faixas excelentes aqui e ali, Puth lançou “Voicenotes”, depois de adiar o lançamento que seria no início desse ano para aperfeiçoar mais o álbum, além de uma capa nova. O cantor mostra um amadurecimento imenso tanto nas letras quanto nas melodias e nas influências. A sonoridade está muito mais firmada no R&B e Urban Music, com referencia ao estilo nas décadas de 70, 80 e 90, além de uma sutil mistura ao pop moderno, numa atmosfera única que coube perfeitamente ao seu estilo. Guitarras e baixos cheios de swing ao melhor estilo funk dão o charme old-school ao álbum, onde as faixas são muito mais equilibradas tanto individualmente quando no geral.
Tendo sido totalmente produzido pelo próprio Puth, o álbum está muito mais pessoal, e mostra um rumo muito acertado em suas escolhas musicais. Cada faixa, da mais lenta à mais dançante, são cheias de carisma e uma nostalgia tão gostosa que faz você se perder por entre as faixas, e provavelmente será impossível não se pegar dançando enquanto algumas delas estão tocando. A mistura do old-school com o pop se mostra renascida nesse álbum, natural e orgânica.
No que diz respeito às letras, Puth se mostra mais ousado e direto, e muito mais verdadeiro no que sente e pensa, um pouco diferente do jovem quase vulnerável demais do seu primeiro álbum. Somos levados por momentos de extrema confiança e dolorosa honestidade, passando por relacionamentos complicados, cujos detalhes são jogados ao vento sem medo, até baladas sentimentais cheias de significado e profunda honestidade, além de tratar da fama de forma bastante realista mostrando o lado ruim dela – e, digo mais, em alguns momentos, as faixas podem ser muito sexy (muito). Sua habilidade vocal também está muito mais explorada nesse álbum, onde ele brinca com tons e mostra sua versatilidade como vocalista.
As participações são um show a parte: James Taylor, Boyz II Men e Kehlani conseguem equalizar a si mesmo perfeitamente às suas respectivas faixas, dando ainda mais charme e forma ao álbum. A atmosfera é tão linear e a apresentação é tão competente à proposta do álbum que eles parecem ser tão parte do projeto, tão inseparável e naturais ali, que só deixa mais claro o talento de Puth nessa nova fase, recriando um estilo tão conhecido e complexo quanto o explorado.
Uma dica interessante é prestar atenção em duas faixas especificas do álbum, a primeira e a última. “The Way I Am”, que abre o álbum, é forte e atrevida, cheia de energia e mostra; “Through It All”, por sua vez, é uma balada que mostra o amadurecimento de Puth, passando por suas inseguranças e dúvidas, superando tudo e renovando-se.
São 13 faixas extremamente divertidas e envolventes, que mostram o quão capaz Puth é de produzir um álbum de qualidade indiscutível do início ao fim, combinando perfeitamente ao artista – o que mostra, também, como ele conseguiu entender melhor a si mesmo como cantor, compositor e produtor. “Voicenotes” é sem dúvidas um dos melhores lançamentos do ano para mim, e tem tudo para ser ainda mais bem-sucedido do que já é.

Tracklist:
01. The Way I Am
02. Attention
03. LA Girls
04. How Long
05. Done For Me (feat. Kehlani)
06. Patient
07. If You Leave Me Now (feat. Boyz II Men)
08. BOY
09. Slow It Down
10. Change (feat. James Taylor)
11. Somebody Told Me
12. Empty Cups
13. Through It All

Charlie Puth - Done For Me (feat. Kehlani) [Official Video]
Directors: RJ Sanchez & Brendan Vaughan

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